quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Nós Fomos Notícia nos Cabeleireiros de Bairro

 
Posted by Picasa


 
Posted by Picasa


Para que o nosso espólio documental fique mais rico, aqui fica a notícia saída esta semana na "Nova Gente"

domingo, 13 de dezembro de 2009

Diálogo Impossível





Dialogo entre o Escriba e o Blogue Dos Setimanistas 59-60

Escriba – Boa Noite querido Blogue. Como é que te sentes após nove meses de trabalho?
Blogue – Na realidade estou um pouco cansado de aturar um escriba como tu. Ainda se escrevesses alguma coisa de jeito. Mas escrever sobre Setimanistas e as suas memórias, interessa a alguém?
Escriba – Obviamente que interessa. Interessa aos Setimanistas em geral e em particular aos Setimanistas 59-60.
Blogue – Balelas. Estás convencido que os Setimanistas 59-60 precisam das tretas que escreves no Blogue para terem as suas memórias em dia? És mesmo um pateta presumido.
Escriba – Não é preciso cair já na agressividade e no insulto. Já pareces um deputado da Assembleia da Republica. Vamos lá discutir e argumentar civilizadamente.
Blogue – Desculpa. Sabes bem que eu sou um Blogue correcto, não admito linguagem obscena, como muitos que para aí andam e além disso, trato sempre dos temas que me impinges, com muita elevação.
Escriba – Agora caíste na vaidade fácil. Tratas dos temas que eu escrevo com a elevação que os Setimanistas 59-60 merecem.
Blogue – Está bem. Adiante. Afinal o que é que pretendes?
Escriba - Gostaria de reflectir contigo o trabalho que fizemos em conjunto e perguntar – te se não sentes que é altura de parar.
Blogue – Quando me falam em descansar fico logo excitado. Sabes bem o que penso sobre o trabalho. Tal como os homens, os Blogues não foram feitos para trabalhar mas sim para fazerem aquilo que lhes dá prazer.
Escriba – Então deves estar feliz. Durante estes meses dei-te imensa matéria para o teu prazer ao recordar todos aqueles momentos vividos pelos Setimanistas em 1959.
Blogue – Claro que sim, mas não entendo por que é que não me levaste agora à Madeira para conhecer ao vivo essa rapaziada de que tanto falas. A julgar pelas notícias que me trouxeste, vocês divertiram-se à brava. Conta-me em pormenor.
Escriba – Ora bolas, então não publicaste o excelente “poste” do Vasco que de um modo sintético e elegante contou tudo o que se passou?... Não viste como a imprensa local falou de nós?... Não tens observado as reportagens fotográficas colocadas na “Net” pelo António Jesus e pelo Vasco?... Que mais queres afinal?... Está tudo lá.
Blogue – Tudo não. Embora seja um dos que acreditam que uma imagem vale mais que mil palavras, gostaria de ter o vídeo das vossas farras, principalmente o daquele dia no Santo da Serra. Vê-se a imagem mas não se ouve a vossa alegria. Será
possível?
Escriba – Não sei. Vamos tentar. Era precisamente aqui que eu queria chegar. A tua continuação está pendente de novos acontecimentos, ou seja ou há mais material para o escriba publicar ou a festa dos cinquenta anos termina.
Blogue – Estou a ver. A minha sobrevivência depende de terceiros. Por que é que não dão continuidade às vossas comemorações? Tal como há cinquenta anos vocês fizeram uma viagem aos Açores, por que é que agora, lá mais para a Primavera, não fazem uma viagem, nem que seja a Setúbal, como no calor da festa o Vasco sugeriu?
Escriba – É uma ideia. Mas para isso temos de começar a trabalhar já. Será que a Ângela, a Luísa o Pimenta, o Vasconcelos, a Maria da Luz e a Marta estão disponíveis para dar continuidade a esta ideia? Vamos perguntar-lhes.
Escriba e Blogue – Vocês acham que esta ideia tem pés para andar?
(Aparte do Blogue) A minha continuidade depende de vocês.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ao Neto do Vasco... Ao Vasco de 5 anos




“Avô infinito é grande? E duas vezes infinito é muito grande! E infinito menos infinito é zero!
E quando tivermos infinitos anos?”

Vasco, 5 anos

Vasco,

Infinito...
Em que é que pensamos quando ouvimos esta palavra?
Em números enormes, incalculáveis, números que nunca mais acabamos de contar...
Num céu imenso, que nunca mais acaba...

Cada um de nós pensará certamente uma coisa diferente, precisamente porque o conceito do infinito é difícil e complicado.

Tu, com os teus cinco anos simplificaste e passaste de imediato a uma definição axiomática que não ocorreria ao melhor dos Matemáticos ou Filosofos:

INFINITO É GRANDE
DUAS VEZES INFINITO É MUITO GRANDE
INFINITO MENOS INFINITO É ZERO


Vamos pegar no teu axioma e avançar sessenta anos.

Quando daqui a sessenta anos , te deres ao trabalho de rever as fotografias e os textos do teu avô que foram publicados neste Blogue a pretexto das comemorações da conclusão do Liceu, confirmarás a tua definição.

Verificarás que:

A amizade deste Grupo é infinita;
A alegria deste reencontro foi duas vezes infinita;
Não se encontrou o zero por que não conseguimos subtrair nem a amizade, nem a alegria.


Entretanto Vasco, com as interrogações que te acompanharão ao longo da vida, descobrirás outro conceito: Eterno.

E perguntas:
O Grupo dos "Setimanistas" do meu avô não é eterno?
A amizade do Grupo não é eterna?
A alegria do Grupo não é eterna?

Perguntas e respondes com base nos teus axiomas.
Não. Não é eterno por que Infinito menos Infinito é zero.

Então não haverá nada que seja simultaneamente Infinito e Eterno?
Procura Vasco de cinco anos. Vê se consegues encontrar resposta para esta adivinha.

Vasco de cinco anos,faz pelo menos por teres uma vida infinita.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Comemoração dos 50 Anos

“Avô infinito é grande? E duas vezes infinito é muito grande! E infinito menos infinito é zero!
E quando tivermos infinitos anos?”

Vasco, 5 anos





E a resposta é simples. Descobri agora passados dois anos e depois de viver em poucos dias cinquenta.
Há vivências que se diz que acontecem mas nada acontece por acontecer.
Uma celebração, um jantar até requintado e bem regado? E depois nada.
Então vamos descerrar um marco, uma placa com letras… A placa é bonita e direi mesmo diferente pois tem cor e vida.

Mas a diferença foi na chegada ao Liceu: ”Estás na mesma …e tu também …há quanto tempo….lembro-me deste…. Quem é aquele o nome???....fortes e sentidos abraços …comoção também….e as notas do período e as dos exames e a campainha soava à mesma.
Começa a concretizar-se o tema: a memória rica de passado e de afectos.
Mas havia algo diferente.
E naquele percurso que às 08h e 27m era tão comprido, num instante, passou a ser curto até à Igreja do Colégio. Diferente na sua forma e a cor interior convida a sentir imponência. Todos juntos a um lado. Talvez para o lado do Liceu? Não, foi para estarmos mais perto.
O Coro batia também diferente e o momento de todos voltarmos a estar juntos chegou. Saudade e medo mas serenidade também.

Mas havia algo diferente.


Fomos à fotografia nada se repetia. Nada? O espaço e o tempo estavam perdidos, nós não!
Tudo estava previsto em pormenores que tocavam a qualquer menos atento ao detalhe.
O local, na Quinta Vigia de memórias vigiadas pela mãe no passeio de ir ver os pavões e o mar.
O jantar com o tal requinte e até qualidade. A gravata com fato de antigamente ir à missa e agora ir a qualquer cerimónia mais especial.
De repente um vórtice de tempo empurra a memória e dançar a Petite Fleur ou Marina era fazer luz no passado.
E o dia de todas as emoções estava vivido.
Continuava a concretizar-se o tema: a memória rica de passado e de afectos.


Mas havia algo diferente.


Almoço no Santo da Serra e uns minutos depois entra a Banda e estávamos num colégio infantil onde todos se deliciavam com a brejeirice apetecida das letras das músicas e a banda que nos via a todos, mas todos, passar.
Continuava a concretizar-se o tema: a memória rica de passado e de afectos.
Mas havia algo diferente.
E o momento da exposição acontecia numa viagem guiada no tempo. As emoções cresceram.
Embora nos procurássemos, identificávamos os outros: Olha o…olha ela …estás aqui…não me encontro…mas estava. E os temas de forma organizada passavam e tivemos tempo para parar o tempo.
E as fotos dos miúdos, todos lindos, como as de há cinquenta anos, eram comparadas com as de agora modeladas com mais cinquenta anos.Pareceu-me sempre o projecto mais ambicioso e difícil de realizar. Mas foi quanto a mim o mais conseguido. Desde o Tema “ Tempo de Memórias e Afectos” à forma como foi concebida a sua concretização…e os afectos explodiam…….
Uma saudação ao trabalho da Ângela, da Luísa, do Pimenta do Vasconcelos e do Castro.


Mas havia algo diferente.


Depois “regressámos” ao Teatro. Entrar e olhar à volta e recordar. A sensibilidade de incluir o concerto no programa era a mesma que tinha construído o programa de 59/60.
Mas havia algo diferente
O fim das comemorações aproximava-se. No dia seguinte éramos recebidos pela “fada madrinha” que sempre nos acompanhava com o tal requinte que fez a diferença.
Começámos a falar nos próximos eventos…talvez um cruzeiro para celebrar um ano da festa dos cinquenta. Quem sabe?
Por fim percebi a diferença.
Somos diferentes porque na miríade de sermos fomos nós, estas mesmas pessoas e não outras os Setimanistas 59/60 .
E aconteceu que na fusão de sensibilidades e pensamentos, educação e afectos, respeito e irreverência e amor e saudade se gerou um grupo que os outros dizem que é diferente que “são os melhores”.
E pensando no futuro como gostaria de poder explicar ao meu neto que a diferença será que ele estará no infinito e eu apenas terei chegado sessenta anos antes.


Vasco

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Os Setimanistas 59-60 em Números Parte II

Rectificação

6

É o número de "Setimanistas" com 66 anos, ou seja os da Colheita de 1943.
Com esta rectificação a nossa idade média baixou o que é óptimo para o ego.

42

Número de "Setimanistas" presentes na Festança.
Passe a imodestia, estou de parabéns, acertei em cheio.

17

As MENINAS que estiveram presentes a festejar

25

Os MENINOS que compareceram nos Festejos.

9

As MENINAS que tiveram de pagar passagem aérea

10

Os MENINOS que não perderam o Avião

840

O número de brindes feitos nos quatro dias

3296

O número de vezes que os copos vieram acima, vieram abaixo, vieram ao centro e.....bota abaixo.

0

O número de "Setimanistas" que se arrependeram de ter participado nos Festejos.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O Sueco









A Festa acabou. Seria natural que neste recomeço da escrita- e provavelmente, era disso que os "Setimanistas" estavam à espera- agradecesse os excelentes dias que a Ângela, a Luísa, o Pimenta e o Vasconcelos, nos proporcionaram na Madeira.


Para falar disso, temos tempo.


Sinto urgência em falar de uma pessoa da qual não sei o nome.


Simplifiquemos, vou tratá-lo por Sueco.


O Sueco é o genro do Coelho.


Pois o Sueco deu-me (nos) uma excelente lição de vida e de amor.


Sacrificando uns dias das suas férias, deslocou-se propositadamente à Madeira para acompanhar o seu sogro que, de outra maneira e por razões óbvias, não poderia estar connosco.


Durante os dias em que ruidosa e alegremente celebrávamos a efeméride, o Sueco, como um anjo da guarda, silenciosa e discretamente velava pelo bem estar do Coelho. Sempre presente quando necessário, com gestos delicados amparava, o seu sogro e obrigava-o a repousar quando o cansaço e a "tremedeira" atacava .
Sinto que o fazia com ternura e amor


É impressionante, mas verdadeiro. Foi bonito testemunhar esta cena familiar.



Apetece-me (recorrendo a um tradutor automático) terminar em sueco:


Tack för människor som eiste (Obrigado por existirem pessoas assim)








quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Saudações vindas do Canadá

Expressamente do Canadá, recebi esta mensagem do João Carlos Ferraz Sardinha:


24 de Novembro 2009


Caros Colegas!

Neste momento de comemoração é com muita mágoa que estou ausente, pois o meu desejo seria partilhar convosco as memórias do nosso 7º Ano e da nossa vida de estudante que, embora já remota, deixou agradáveis recordações. Foram vivências de sã camaradagem, diversão e amizade que jamais esquecerei. Mas o Atlântico interpõe-se entre nós numa distância geográfica que me impede, no momento, a deslocação física, mas que não me impedirá de forma alguma de estar convosco em pensamento em todos os momentos das vossas (nossas) “festas”, e que reviverei com grande satisfação nos registos fotográficos que, certamente, me enviarão.
A todos os colegas, de quem guardo memoráveis recordações, envio o meu abraço sentido, desejando que revivam com a alegria da nossa “eterna” juventude a passagem pelo “Liceu Jaime Moniz”, e um 7º Ano que certamente ficará para sempre nas nossas lembranças.
Saudações académicas e as maiores felicidades para todos.



Joao Carlos Sardinha
Canada

domingo, 22 de novembro de 2009

Os Setimanistas 59-60 em Números


"Esmiuçando" os números relativos aos "Setimanistas 59-60" chegámos às seguintes conclusões:
75
Número de "Setimanistas"
47
As MENINAS
28
Os MENINOS
8
Os MENINOS que foram para a "área" de Letras, ou se preferirem os que não quiseram aprofundar os seus conhecimentos em Matemática
39
As MENINAS que seguiram a sua vocação natural. Foram para Letras.Apesar dessa opção, com uma única honrosa excepção (Luísa Spínola), nunca escreveram para este Blogue
7
As MENINAS que não voltaram a cara à Matemática
21
Os MENINOS que sabiam que o futuro do País estava na Ciência
10
O número de Médicos que pertencem ao Grupo dos "Setimanistas 59-60" .
Medicina foi de longe o Curso mais procurado e conseguido. Corresponde a 36% dos "Setimanistas" que optaram por Ciências.
14
Aqueles que estão impossibilitados de estar presente nas nossas Comemorações, pois deixaram-nos mais cedo do que deviam, mas estarão SEMPRE PRESENTES nos nossos corações
42
O número de "Setimanistas" que estimo estarem presentes na nossa Festa que se inicia a 28 de Novembro
66
A idade dos três "Setimanistas" mais jovens
32
O número de "Setimanistas" que optou viver no Rectângulo actualmente designado por Sícilia Hispânica
6
Os que nem optaram viver na Região Autónoma nem na Sícilia Hispânica. Optaram pelo resto do Mundo



sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A PLACA


Aqui está a Placa comemorativa das Bodas de Ouro do nosso 7º Ano e que, no próximo dia 28, descerraremos no "nosso Liceu".

Esta Placa contém os nomes dos 75 "Setimanistas 59-60" mas tem também um rosto. O rosto é do artista que a concebeu e desenhou. É o rosto do mesmo artista que há 50 anos criou o logótipo de que tanto nos orgulhamos e que revemos sempre com prazer e nostalgia.
Pensei só divulgar a imagem da Placa apenas no descerramento, mas cheguei à conclusão que se o fizesse, estaria a ser injusto por omissão. Não estariamos a dar relevo ao excelente e empenhado trabalho do Fernando Lemos Gomes.

Aproveito pois este Blogue para, em nome dos "Setimanistas59-60", agradecer ao "Setimanista" artista Fernando Lemos Gomes a "obra" que nos ofereceu. Tenho pena que a não tenha assinado.

domingo, 15 de novembro de 2009

O MAROTE



Nunca a conhecida frase "os últimos são os primeiros" fez tanto sentido como aqui e agora.
Vamos recordar a última entrevista aos "Setimanistas 59-60" publicada na Página dos Estudantes.O último entrevistado foi o Marote. O Marote foi(é) o PRIMEIRO de todos nós.
Ele foi o nosso incontestado líder nos idos anos de 1959-60.Exercia naturalmente a sua liderança com paciência, disciplina, humildade, respeito, sem que disso dessemos conta.
Tinha uma capacidade enorme para comunicar, motivar e dirigir .Era calmamente dinamico e ,sobretudo, era um fiel e respeitado amigo.
Infelizmente para NÓS e para toda a comunidade ,o Marote também foi o primeiro a partir.Ficámos todos a perder com essa pressa em se despedir da vida. Muitas vezes tenho-me interrogado, até onde é que iria o Marote se não nos deixasse tão cedo.
Muito do que hoje, com alegria, comemoramos e recordamos se deve ao João Manuel Rodrigues Olim Marote. Estamos eternamente devedores e agradecidos.
A única e a melhor homenagem (embora tardia) que lhe podemos neste momento fazer, é recordar o Marote através desta entrevista. OBRIGADO João Manuel Olim Marote por teres feito parte da nossa vida.


Entrevista 6 - João Manuel Marote


Dando continuidade a esta interessante rubrica, temos hoje nas colunas da “Página”, o setimanista João Manuel Marote, que dispensa quaisquer frases de apresentação.


- Como justificas o brilho das Festas do 7º ano 59/60, tão diferentes das anteriores?

O brilho das nossas festas, só tem uma justificação. O programa era vasto, em comparação com o dos anos anteriores, mas graças à excelente compreensão de todos os colegas tudo se levou a cabo e o agrado foi geral.
Repito, deve-se à boa orientação e compreensão de todos os colegas.

- Temos ouvido falar sempre da 1ª parte do Programa de Festas. Será que existe plano para uma 2ª parte nos períodos de 1960?

Não deve chamar-se 1ª parte, mas sim 1º Programa de Festas. Existem, sim, planos para um 2º Programa que possivelmente constará duma sessão artístico-cultural, da Récita e para findar, o passeio aos Açores nas férias de Páscoa.

- Sem dúvida que tu foste o eixo à volta do qual girou a organização dos Setimanistas 59/60. Mas todos os homens de acção têm geralmente um chamado braço direito. Quem foi portanto o elemento do 7º ano que mais te ajudou?

Primeiro, obrigado pelas palavras elogiosas que me diriges.
Segundo, na verdade tive vários braços direitos, mas prefiro deixá-los no anonimato e todos compreenderão bem porque procedo assim.

- Como director da “Meia - Hora dos Estudantes” és um dos rapazes que mais tem pugnado pela elevação cultural do estudante madeirense.
Contudo nós sabemos do desinteresse pela cultura que se manifesta nas massas estudantis. Como compreendes que isso se verifique?

A tua pergunta diz uma grande verdade, mas numa terra como a nossa que tem como divertimentos o cinema – raramente bom – e o futebol, não se pode esperar mais.
A falta de bibliotecas e de conferências periódicas, são a meu ver a causa do nosso desinteresse cultural.

- E dentro do mesmo assunto: qual a tua opinião sobre a “Página dos Estudantes”?

Sem dúvida alguma, a “Página dos Estudantes”, consegue ser ainda a única publicação bastante aceitável entre a massa estudantil. A orientação dada este ano, agradou imenso e só tenho a felicitar o Raposo como orientador da Página, pelo êxito da sua publicação.
No entanto, se houvesse possibilidade de sair quinzenalmente seria óptimo.



- Que visão tens dos anos passados nos bancos do Liceu?

Tenho boas e más impressões. As más esqueço - as.
Das boas recordo algumas como por exemplo a alegria de ter passado o 2º e 5º anos, as festas do 6º ano, o dia 31 de Outubro – dia em que pela primeira vez pus a capa, uma das maiores aspirações, depois de ter o 2º ciclo - , a honra que me deram os colegas de “abrir” a festa de gala na noite de 30 de Novembro, com a nossa simpática madrinha Dalila Muller Câmara.

- Que curso segues?

Sigo Económicas e Financeiras

- Porque te orientastes no sentido de cursar Económicas?

- Curso Económicas e Financeiras por ser presentemente um dos cursos que mais saída tem entre nós, podendo ainda ir de abalada até ao Ultramar.

- Que visão tens do futuro?

Francamente ainda não pensei nele a sério; pretendo para já passar o 7º ano, e depois a conclusão do meu curso. Por enquanto só isto.

- Tens a “Página dos Estudantes” à tua disposição se quiseres dirigir-te aos estudantes madeirenses.

Agradeço a tua atenção, mas como não tenho experiência e sou mais ou menos da idade dos meus colegas prefiro não me dirigir a eles. No entanto faço-lhes um pedido, que já muitas vezes fiz: nas horas de ócio, se tiverdes paciência escrevei um conto, um diálogo, uma anedota, etc. que serão bem recebidos na “Página dos Estudantes” ou na “Meia-Hora”.

Muito obrigado Marote e um futuro próspero.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

MEMORIA.MEMORIAS....

Por Guida Mendes











A memoria, é uma paisagem contemplada de um comboio em andamento.



ANO LECTIVO 59/60 .


O inicio do ano lectivo..O conhecer os novos colegas..Nós os das ciências.As aulas de biologia .Um prof-"sui generis" com um nome também tão "sui generis" mas que nos fazia passar por momentos tão embaraçosos!



O USAR CAPA E BATINA..Os ensaios da recita..A viagem aos Açores..As nossas festas..O baile de gala.Algumas destas memorias estão já tão longe.Correu tudo tão veloz.Por vezes ,não temos a certeza,de que realmente aconteceram.Uns episódios ,ocorrem-nos mais nítidos ,pintados com cores mais vivas,outros pelo contrario ,mais esfumadas.Descer a AV. DO INFANTE de madrugada após uma das nossas festas,sapatos de salto alto ,a calçada escorregadia, tinha estado a chuviscar.Tínhamos de correr e muito para chegarmos a horas -a da Cinderela- ,as pernas pesavam ,descemos a av.a patinar mas íamos divertidissimos!



LEMBRASTE CARMO ALMEIDA?LEMBRASTE NUNO HOMEM COSTA?



A partida para Lisboa no Carvalho Araújo,no próprio dia do último exame o de matemática.Foi tudo preparado à última hora.Os colegas no cais para nos verem partir.Grande agitação no cais era a despedida de mais um grupo de colegas rumo à faculdade.A BUZINA INSISTENTE DO BARCO ,MISTURADO COM A NOSSA ALEGRIA E ENTUSIASMO AO MESMO TEMPO QUE SENTÍAMOS A TRISTEZA DE DEIXAR A TERRA E A FAMÍLIA.De repente surge alguém que diz a Guida esqueceu-se da manta de viagem .Aproximo-me da escada do barco e começo a descer, ao mesmo tempo há um colega que ,simpaticamente sobe a escada trazia a manta.Entregou-ma a meio da escada ao mesmo tempo que fazia uma grande vénia e os colegas no cais irrompiam com uma grande salva de palmas .O protagonista desta cena teve mesmo muita graça qual -cena de teatro comédia MOLIÈRE. Por motivos óbvios não vou revelar o nome do colega em questão .Puxem pela cabeça chegam lá seguramente.
É DESTAS PEQUENAS MEMORIAS QUE SE FAZEM AS NOSSAS VIDAS.Todas as vidas, dão um romance .Algumas não um romance qualquer ,mas sim um grande romance Todas as vidas ,são fantásticas.



FERNANDO PESSOA ,TRANSFORMOU A BIOGRAFIA DE UM PEQUENO FUNCIONÁRIO DE ESCRITÓRIO "LIVRO DO DESASSOSSEGO" NUMA OBRA QUE SERÁ TALVEZ UMA DAS OBRAS MAIS INTERESSANTES DA LITERATURA PORTUGUESA.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Os Setimanistas e a MADRINHA



Há Madrinhas para todos os momentos e várias espécies de Madrinhas.
Há Madrinhas para todos os gostos e feitios
Há Madrinhas de Baptismo, Madrinhas de Casamento, Madrinhas do Noivo, Madrinhas da Noiva,Madrinhas para arranjar empregos, Madrinhas para Inaugurações, Madrinhas para presidir ao lançamento de empreendimentos. Até há Madrinhas de Guerra.
Há a Fada Madrinha que é uma entidade mágica que protege e sempre aparece para atender os desejos e interesses de seus protegidos.
Pois é, há isso tudo que é mais ou menos do conhecimento comum. Mas o que o comum dos mortais não sabe é que existe para além das categorias atrás descrita uma outra que é única e designada simplesmente por MADRINHA.
A MADRINHA dos Setimanistas 59/60. Só nós é que temos esse privilégio. Ela é a nossa FADA MADRINHA.
Em alguns contos de fadas a fada madrinha é uma senhora, geralmente de idade,não muito bonita que protege alguém durante toda a vida.
A nossa MADRINHA era e continua a ser jovem, bonita, não nos protege por que não precisamos, mas cuida de nós como ninguém, aparece sempre que nós solicitamos e ainda por cima vela pelas nossas memórias materializadas em fotografias. Não há momento ou acontecimento do nosso Sétimo ano de Liceu em que a MADRINHA, não tenha guardado no seu espólio fotográfico.
A nossa MADRINHA exige a nossa presença na sua casa no próximo dia 1 de Dezembro. Os Setimanistas exigem a sua presença nos outros dias da nossa Festa.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

31 de Outubro de 1959

Inquérito de rua:

O que é para si o 31 de Outubro de 1959?

Resposta de um jornalista da RTP convencido que sabe muito de Televisão

•Foi a data em que Televisão foi vista em África pela primeira vez.O Serviço de Televisão Nigéria,iniciou as suas transmissões comerciais em WNTV Ibadan.

Resposta de um oficial General da Força Aérea sempre atento às tecnologias da guerra

•Foi a data em que foram utilizados pela primeira vez os caças americanos ICBM capazes de transportar uma ogiva nuclear.

Resposta de politólogo sem grande capacidade de síntese

Foi o dia em que Lee Harvey Oswald entrou na Embaixada dos Estados Unidos em Moscovo e disse ao oficial Richard E. Snyder que desejava renunciar à sua cidadania americana. Snyder aceitou o passaporte de Oswald e uma nota escrita, mas disse a Oswald que a papelada ainda teria de ser concluída. Oswald não concluiu o processo e voltou para os Estados Unidos em 1962.

Resposta de um crítico literário que gosta mais de se ouvir do que escrever


.Foi o dia em que nasceu o escritor Neal Stephenson também conhecido por: N. Stephenson, Stevenson Neal, Neal Stephanson, Neal Stephenson, Neil Stephenson, Neil Stephenson, Neal R. Stephenson, Neal Town Stephenson, Нийл Стивънсън autor de The Diamond Age e de Snow Crash. Este último aliás é quanto a mim o pior livro de Neal Stephenson.

Resposta de uma criança que tem sempre uma enciclopédia na cabeça


.31 de outubro é o dia 304 do ano (305 se o ano é bissexto) no Calendário gregoriano. Faltam 61 dias até o final do ano.
Este dia é conhecido internacionalmente como Halloween, Também conhecido como All Hallow's EveE, como Dia da Reforma.
Halloween (também escrito Hallowe'en) é uma festa anual comemorada a 31 de Outubro. Esta festa tem raízes no Celtic Festival de Samhain e Christian dia santo de All Saints.
O dia é frequentemente festejado com as cores preto e laranja e está fortemente associado com símbolos como o Jack-o'-lantern.
Já era assim em 1959.
O dia 31 nesse ano foi num sábado, disse-me o meu avô que festejou o Halloween na Madeira vestido de capa e "smoking".

Resposta de um Setimanista de 1959-1960

. O dia 31 de Outubro de 1959 foi num sábado. Foi o dia em que os Setimanistas 59-60 vestiram pela primeira vez as suas capas.
Vejam como o uso das capas era importante naquela época na cidade do Funchal.
Leiam o artigo saído no Jornal da Madeira que a Setimanista Luísa Spínola descobriu e fez chegar ao escriba deste blogue.


" A nossa cidade saiu, por assim dizer, da letargia que normalmente a envolve, com o evocar das capas negras, dos nossos estudantes, cuja mocidade radiosa e esfuziante alegria, vieram animar as nossas ruas normalmente solitárias e os nossos salões regra geral fechados.
E a alegria é tanta, o ruído é tamanho que faz despertar no coração dos mais velhos a saudade dos tempos que também carregaram sobre seus ombros essas capas, embora com elas, nesses mesmos ombros, pese também a responsabilidade dum fim de curso – que pela vida fora é sempre recordado com nostalgia….e marque o início de uma nova vida."

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O Que Pensavam os Setimanistas 59-60

Continuando o nosso percurso pela "Página dos Estudantes" namos recordar o que pensava a Guida Pita da Silva há cinquenta anos.
Entrevista 5
Margarida Pita da Silva


-Vamos começar por aquilo que se pergunta geralmente no fim:
que recordações vincadas te deixam os sete anos de vida liceal?


-Nunca mais poderei esquecer a alegria sã e a franca camaradagem das Festas dos Setimanistas de que fiz parte e, além disso, a satisfação imensa que tenho tido durante este ano por ver premiados os meus esforços nos estudos.

-O curso de Germânicas, ao que parece o preferido das raparigas, é também o teu curso. Como justificas a tua escolha?

-Escolho, de facto, Germânicas por ter uma propensão para a língua inglesa.

-Os exames de sétimo ano revestem-se sempre de características especiais. Como
as encaras desde já?


-Encaro-os com optimismo, por ter confiança em mim própria, o que é um factor de máxima importância nos resultados dos exames.

-O nome de Goethe não te diz nada acerca dos caracteres étnicos do povo
alemão?


-Sim, porque Goethe foi o maior escritor alemão e descreveu a raça alemã, especialmente no campo sentimental.

-Segundo o teu parecer, que consideramos abalisado, haverá alguma relação entre
a liberdade e a obediência?


-Pois, certamente. A própria ideia de obediência pressupõe quebra de liberdade, pois quem obedece submete a sua própria vontade a um princípio superior ou à autoridade.

-Como gostarias que fossem os teus professores?

-Não me julgo com espírito crítico suficiente abalisado para analisar os meus professores comparativamente ao que fossem.

-O aspecto superior e independente de alguns setimanistas em relação aos colegas
de anos inferiores tem alguma explicação?


-A opinião é particular, mas penso que esse aspecto superior é motivado pelo exclusivo desejo de fazer vincar as suas opiniões, não olhando à razão quando este está do lado oposto.
Por vezes é, também a inconsciência da idade que provoca esses complexos. Alguns, até, alegam maior desenvolvimento intelectual, que nem sempre é proporcional ao ano que frequentam.

-As colunas da Página estão à tua disposição.

-Aproveito para fazer um apelo ao espírito de compreensão dos meus colegas, a fim de facilitarem a acção directiva daqueles que querem realizar alguma coisa que contribua para tornar inesquecível o sétimo ano 1959 -60.

-Muito obrigada e um curso brilhante. Correia de Jesus

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O Que Pensavam os Setimanistas 59-60

A entrevista que hoje recordamos e que foi publicada há cinquenta anos na “Página dos Estudantes”, foi feita ao Mário Passos Freitas.
Deixem-me fazer uma inconfidência. Sempre associei o Mário à calma à ponderação e esta entrevista só o confirma.
Além disso, tem duas outras facetas que naquela época me provocavam alguma “inveja”. Era um bom desportista e um bom viajante.
Como viajante, recordo-me e estamos a falar de um tempo em que ainda não havia aeroporto na Madeira, que o Mário andou pela Europa, de comboio, sendo um verdadeiro precursor do “Inter-Rail”.
Como desportista, lembro-me que jogava e ainda joga, suponho eu, razoavelmente, ténis, um desporto não muito popular entre os madeirenses naquela altura.
Mas, para além disso, o Mário é um idealista. Vou fazer-lhe um desafio.
Gostaria que ele ilustrasse esta minha afirmação, deitando para trás a sua natural modéstia e contando-nos como me contou, estórias da sua “guerra” em África, onde em plena zona de combate em Angola (?) aproveitou para ensinar a ler e escrever a amigos e inimigos. Fico à espera dessas “Pequenas Memórias” do Mário.

Entrevista 4


Mário António Passos Freitas

- A Literatura e a Ciência, dois pilares sobre que assenta o mundo actual. Como procuras condicionar os teus progressos científicos com os indispensáveis conhecimentos literários?

Ciência e Literatura são complementos uma da outra. Na ciência sentimos a natureza, a vida. Aí, os de espírito prático encontram aquilo que desejam: a actividade constante, variada, imprevista. Sente-se que se faz alguma coisa.
Contudo, não posso desprezar a literatura, pois esta é um pouco de poesia sobre a ciência. É um meio de expressão de nós próprios.

- A telepatia é assunto que te preocupa. Não é verdade? Como encaras os progressos que os seus estudiosos têm conseguido?

Que me preocupe… vamos indo… Sou um “anjinho” no assunto e percebo tanto disso como tu. Acho-o contudo interessantíssimo, mas ao mesmo tempo estranho. Quanto aos progressos, está ainda nos alicerces.

- Ser um génio é um ideal de muitos homens. Alimentarás também tu esse ideal?

Seria óptimo sê-lo, mas com uma condição: que nem os outros nem eu déssemos por isso.

- Como explicar a necessidade que os nossos estudantes de Ciências têm de completar no estrangeiro a sua cultura?

A necessidade que sentem de progredir em campos que no seu país não se encontram suficientemente desenvolvidos. Por vezes, também é porque “o que é do vizinho é melhor do que aquilo que é nosso”.

- A chegada ao sétimo ano é um facto que não passa despercebido àqueles que a conseguem. Como a sentiste?

O chegar ao sétimo ano não despertou em mim nada de especial. A transição é demasiada lenta. Contudo, talvez, mais pela idade, começaram a surgir os problemas.

-Conheces muitos países. Com excepção do nosso, qual o que mais te impressionou?

Falar num país é falar na alma do seu povo… Já vi algo, mas “felizmente” muito mais me falta conhecer.
Respondo-te laconicamente: “respostas” precisas e concisas - o alemão.

- A Página é tua. Diz o que te aprouver no fim desta pequena entrevista.

Estou com pouca vontade de falar. Desculpa, deve ser do tempo.

Agradecido pela oportunidade que nos proporcionaste e faço votos para que o tempo melhore.

(1) Correia de Jesus

(1) Sucedeu ao Jaime Raposo como Director da "Página dos Estudantes"

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O Que Pensavam os Setimanistas 59-60

E O QUE PENSAM 50 ANOS DEPOIS

A entrevistada é a nossa Manuela Drumond.A entrevista de 2009 foi feita por mim.A Manuela sem o saber e sem suspeitar, respondeu às mesmas questões que lhe foram colocadas pela Página dos Estudantes há cinquenta anos.
Eis o resultado:


Entrevista 3- Manuela Drumond

- Que pensas da amizade entre nós?

Manuela Drumond em 1959:

-Penso que essa palavra é utilizada frequentemente no nosso vocabulário, mas que, infelizmente, o verdadeiro sentido da amizade anda ausente de muitos dos nossos colegas.

Manuela Drumond em 2009

-Acho que é óptimo existirem amizades assim. Não deve haver muitas mais do género.

- Como encaras a mulher na cultura?

M.D em 1959


-O espírito de observação, que na mulher pode ir até aos mais pequenos detalhes, destina-lhe um papel preponderante na investigação e na cultura.
Como sabes, a mulher já atingiu pontos culminantes, quer na literatura, quer nas artes, na ciência, etc. e isso leva-me a afirmar que o seu esforço não deve ser relegado, mas aceite para que, em perfeito paralelismo com a actividade masculina, nos conduza a um mundo melhor.

M.D. em 2009

-A mulher na cultura tem, cada vez mais, um papel preponderante. A luta pela igualdade dos sexos veio trazer à luz mulheres incríveis em todos os campos profissionais (política, ciência, etc.).

- És de opinião de que a vida profissional é incompatível com a formação de um lar?

M.D. em 1959

-Não. Nos tempos actuais, e em face dos complexos problemas que a vida nos apresenta, a mulher tem muitas vezes necessidade de exercer a sua actividade fora de casa, embora, com isso, não tenha de descurar o conforto do lar e do cuidado que deve ter com os filhos, se os houver.
É certo que ela terá de desdobrar-se, mas para uma boa orientadora essa tarefa, embora difícil, não será de todo impossível.

M.D. em 2009

-Não, de maneira nenhuma. Com diálogo e boa vontade as duas coisas não são incompatíveis.

- Qual achas mais produtiva, a educação moderna ou a educação do tempo dos nossos avós?

M.D. em 1959

Estás a brincar comigo, não? Qual achas mais produtivo, ficar em casa a bordar e a tocar piano ou instruir-se e tirar um curso, ter um emprego?
A primeira talvez fosse mais agradável mas não para mim.

2009

- Qual achas mais produtiva, a educação moderna ou a educação do tempo da tua juventude?

É uma pergunta difícil. Na minha juventude não havia tantos "eruditos", mas a educação familiar, embora mais rígida, formava caracteres com responsabilidade. Hoje em dia acho que nem todos os pais zelam pela educação dos filhos, pois acabam por ser demasiado permissivos.

- Ao tomares uma decisão de responsabilidade que lema te orienta?

M.D. em 1959

-Não faças aos outros o que não queres que te façam.

M.D. em 2009

-Fazer o melhor que puder e estar de acordo com a minha consciência.

1959

- Pensa utilizares-te do teu curso, ou apenas cultivares-te?

Por agora as minhas aspirações resumem-se em terminar o sétimo.
Conto seguidamente ingressar na Universidade, mas sobre isso de tirar o curso e utilizá-lo ou não, não te posso dizer nada de concreto, porque há sempre imprevistos que surgem e … eu não adivinho o futuro, não achas?


Nota final: Agradeço à Manuela Drumond a colaboração. Peço-lhe desculpa por não a ter avisado e recordado que já lhe tinham sido colocadas estas questões em 1959 e que se referiam à entrevista da Manuela que foi publicada na Página dos Estudantes.
Seja como for julgo que as respostas foram dadas com mais naturalidade.

sábado, 17 de outubro de 2009

O Que Pensavam os Setimanistas 59-60



Vamos recordar mais um amigo que nos deixou, através da entrevista dada há 50 anos à Página dos Estudantes
Entrevista 2 - João Carlos Sales Caldeira


- Que curso segues? Engenharia electrotécnica que estudarei no Técnico, em Lisboa.

- Como membro bastante activo da Comissão de Festas no 7º ano, qual das nossas realizações achaste mais difícil levar a efeito?
Agradeço, comovido, o “bastante activo”. Como membro da comissão fiz o que pude, mas sem dúvida que a Festa no Teatro, foi para nós das realizações mais trabalhosas e de maior responsabilidade.

- Como estudante de Ciências achas que o estudo das letras deve ser alheio à tua formação?
Para qualquer estudante de Ciências o estudo das letras é imprescindível na sua formação intelectual e moral.

- Qual a descoberta científica que na tua opinião teve mais interesse para a Humanidade?
É difícil dar uma opinião a esse respeito, mas talvez seja a radioactividade uma das coisas mais úteis.

-Qual deverá ser o lema de um homem de ciência?
Na minha opinião, há dois lemas:
a) Trabalho para os outros.
b) Trabalho para mim.
O primeiro é para aqueles que são realmente “homens de ciência”, que se dedicam ao estudo da ciência por amor à arte.
O segundo é frequente encontrar-se e respeita à maior parte. Eu mesmo tenho a impressão que o seguirei, questão de egoísmo, mas como é frequente encontrar-se, fico na regra e não na excepção.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O Que Pensavam os Setimanistas 59-60

Há cinquenta anos ainda não havia Televisão na Madeira. Duas Rádios- Posto Emissor do Funchal e a Estação de S.Martinho- dois Jornais diários, o Diário de Notícias e o Jornal da Madeira, um Semanário(?) Humorístico o Renhanhau dominavam toda a comunicação social do arquipélago.
Em quase todos os meios de comunicação, os Setimanistas 59-60 marcavam presença.
No Jornal da Madeira, através do Jaime Raposo Costa que era o Director da Página dos Estudantes, na Estação de S. Martinho, através do Óscar Portela Ribeiro que nos deliciava com o seu programa dos Domingos de Manhã e no Posto Emissor do Funchal, através do Olim Marote que era o Director da Meia Hora do Estudante.
Enfim já sabíamos, apesar da Censura que dominar os meios de comunicação social era importante. Fomos realmente percursores nestas matérias.
A propósito, transcrevo em homenagem ao nossos dois saudosos amigos, Emanuel Alexandre e Jaime Raposo uma entrevista feita pelo Director da Página dos Estudantes ao Setimanista:

PÁGINA DOS ESTUDANTES

Direcção – Jaime Raposo Costa


Entrevistando os Setimanistas

Alexandre Jardim

- Que entendes por camaradagem?
Camaradagem é aquele sentimento que nos leva a sofrer e a gozar consoante aqueles com quem nós lidamos quotidianamente.

- Em tua opinião qual é o grande mal dos estudantes madeirenses?
A meu ver, nós, os estudantes madeirenses, cometemos aquilo que exactamente não devíamos cometer.
-Porquê?
Porque somos levados por aquele complexo de superioridade que bastante nos caracteriza.

- Preferes fazer-te compreender ou que os outros tentem compreender-te?
Prefiro fazer-me compreender.

- Já alguma vez te encontraste perante o “to be or not to be”?
Em certos casos em que a vontade impera, sim.

- Que pensas da “Página dos Estudantes”?
Acho que está formidável. Com a tua superior orientação nada mais podia esperar, contudo em minha opinião tem o pequeno defeito de não apresentar nenhum artigo científico.

- Estamos tentando manter uma secção científica, mas o espaço nem sempre o permite.
Como analisas o futuro em função do teu curso?

Por enquanto, prefiro não construir castelos no ar.

sábado, 10 de outubro de 2009

Começam a aparecer os bolos

Tal qual. Começam a aparecer os bolos, falta o Champagne. A Luísa Spínola com o seu sentido de antecipação (linguagem futebolística) resolveu oferecer-nos um Bolo para a nossa Festa.
É claro que é um bolo virtual e não dispensa nem substitui o bolo real que ela, Luísa, nos oferecerá quando estivermos na Madeira nas nossas comemorações.Aí sim acompanhado de um Don Pérignon, ou de um Veuve Clicquot que é talvez um pouco mais aromático e encorpado brindaremos.
Aqui vai o bolo e a respectiva receita da autoria da Luísa Spínola que propõe o Volare como música ambiente:

“Bolo 50 velas”
Ingredientes:

50 anos de memórias frescas;
estórias a recordar q.b.;
alegria e boa disposição q.b.;
raspas de descaramento;
1 pitada de “feijoadinha”;
colheres de Esperança;
dose de Amizade;
gotas de sorrisos.

Modo de fazer:

Parte-se as memórias frescas aos pedaços. Adiciona-se estórias da nossa vida académica com alegria e boa disposição. Bate-se muito bem até espalhar risos e gargalhadas.
Acrescenta-se raspas de descaramento, e 1 pitada de “feijoadinha”(!?) envolvendo tudo bem…
Rega-se com colheres bem cheias de Esperança (novos encontros), e cobre-se com 1 dose generosa de Amizade.
Por último, vai ao forno quente durante cerca de 3 horas. Se não ficar “encruado”, poderemos saboreá-lo ao ritmo de Volare - voar até 59/60 …
Serve-se decorado com gotas de sorrisos.

Bom Apetite! Luísa Spínola


Para recordar…
Pienso que un sueno parecido no volvera mas
Y me pintaba las manos y la cara de azul
Y me improviso el viento rapido me llevo
Y me hizo a volar en el cielo infinito

Volare, oh oh
Cantare, oh oh oh oh
Nel blu dipinto de blu
Felice de stare lassù

Y volando, volando feliz
Yo me encuentro mas alto
Mas alto que el sol
Y mientras que el mundo
Se aleja despacio de mi
Una musica dulce
Se ha tocada solo para mi

Volare, oh oh
Cantare, oh oh oh oh
Nel blu dipinto de blu
Felice de stare lassù

A música ofereço eu.Como já publiquei neste blogue o Volare na sua versão original aqui vai a versão do Dean Martin.

A propósito ….

A propósito ….

Amigo Castro!

Eu também fiquei Encavacada, quando anunciaste o “fim” das “Pequenas Memórias”.
Ao sugerir-te a criação de um blogue, já lá vão 7 meses…, nasceu exactamente a 21 de Março, com a força da Primavera, não esperava que pudesse terminar assim de forma tão prematura!

Tem sido um sucesso, não em termos de colaboração, mas antes a nível de recordações, o que nos levou a reviver com saudade esse tempo inesquecível de 59/60. E tudo isto foi possível, graças aos teus talentos de “expert” em Informática e de escriba.
Em nome de todos, agradeço essa tua dedicação e empenho desde a primeira hora que abraçaste o projecto.

Neste momento, acho que não podemos esquecer todos aqueles ex-colegas ausentes, alguns no estrangeiro, e que por vários motivos não podem estar fisicamente presentes nos nossos festejos dos 50 Anos.
E é precisamente a pensar nestes nossos Amigos, que deveríamos dar continuidade, para que, pelo menos possam acompanhar-nos à distância. e “conviver” em espírito a esta grande Celebração de Amizade!

Luísa Spínola

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Estou EnCAVACADO

Estou EnCavacado com email aberto do meu amigo Vasco, apelando à continuidade do Blogue dos "Setimanistas59-60".
Estou EnCavacado por que o simpático mail do Vasco suscitou uma onda de solidariedade.
Estou EnCavacado por que agora fiquei convencido que (na próxima reencarnação) poderei muito bem ser Presidente da Republica de Portugal, pois além dos atributos que já possuo,(isto é sou português, nascido em Portugal, tenho mais de 35 anos)juntei agora mais um, sou capaz de escrever discursos que ninguém percebe.

Mesmo sem a ajuda dos "Gatos Fedorentos" esmiucei o que escrevi e em nenhum sítio vejo que o Blogue não continuaria activo. O meu único "pecado" foi dizer que passaria a escrever só excepcionalmente, mas que outros poderiam continuar a fazer.

Pronto, retiro o excepcionalmente e ponho com menos frequência, mantenho que outros podem escrever sempre e quando quiserem que eu publicarei.
Aqui vai a prova que o Blogue continua activo.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

E TUDO O PASSADO LEVOU…

Com 50 anos de idade, mas pleno de actualidade no contexto da nossa efeméride, aqui vai um texto do nosso saudoso amigo Jaime Raposo e que foi publicado na Página dos Estudantes do Jornal da Madeira



Entrámos meninos irrequietos, saímos jovens feitos… deixando atrás a esteira brilhante das ilusões de crianças.

Tudo foi passando e jaz esquecido no cemitério das recordações, ainda que a saudade desses outros tempos faça ressuscitar em nós o desejo de voltar ao passado.

Ainda são queridos os quadros da meninice…da retoiça, dos primeiros anos… Ainda brilha em nós a chama das últimas desilusões…

Mas tudo ficou no passado, tesouro pródigo de recordações, que nos mostram que o tempo também passou por nós.

E subindo lentamente os degraus desta vida, chegamos ao limiar de um novo pórtico.

A visão da larga escadaria, agora vencida, faz-nos chorar essa mocidade que o tempo tragou, na ânsia de vencer as ilusões.

E os nossos olhos já cansados derramam nas primeiras rugas a saudade. A saudade que traz a certeza de que o passado não volta e que nem sempre o soubemos aproveitar para nos construirmos.

Agora já é um pouco tarde… tentemos porém construir com a experiência o que a irreflexão da mocidade não permitiu levantar. Aos castelos de sonho sucedeu a certeza de que o futuro é difícil e que o passado nem sempre nos preparou.

Resta-nos contudo o poder sonhar com esses tempos em que fomos meninos, e que agora saudosos vemos reviver nos novos que olham o tempo com desdém e que ainda não conhecem a existência do futuro.

Nós somos uma geração que passa e leva gravada nos corações os sulcos da saudade que outros tempos abriram.

Jaime Raposo Costa

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Contagem Decrescente

A amizade é haver uma alma em dois corpos.
(Aristóteles)



Dentro de dois meses vamos comemorar o cinquentenário da nossa última passagem pelo Liceu do Funchal.
Trata-se de um acontecimento que, na minha opinião, deverá ser assinalado condignamente por todos aqueles que nesse momento tenham a possibilidade de o fazer.

São várias as razões que justificam essa comemoração:

• Foi uma etapa importante e determinante para as nossas vidas;
• Fazemos parte de um grupo e de uma geração que teve o privilégio de crescer e envelhecer juntos;
• Fazemos parte de um grupo e de uma geração que conhece profundamente o significado da palavra amizade;
• Fazemos parte de um grupo e de uma geração que tem obrigação de transmitir aos nossos vindouros (leia-se netos para alguns) sentimentos como o companheirismo, a alegria a solidariedade e a amizade. A comemoração deste acontecimento é um bom pretexto para isso.

Ao criar este Blogue, procurei dar o meu contributo, embora modesto, para recordar a nossa passagem pelo Liceu do Funchal.
Tive boas ajudas sem dúvida, nomeadamente em material fotográfico,o que permitiu ilustrar os bons momentos que vivemos na nossa juventude, particularmente no ano lectivo de 59-60.
Recordámos os nossos passeios, os nossos bailes, as nossas tardes dançantes, a nossa Récita, a nossa viagem aos Açores.
Recordámos os nossos amigos e a amizade que nos une.
Recordámos uma parte importante da nossa vida.Julgo que conseguimos criar um album de "Pequenas Memórias".
Vamo-nos encontrar no final de Novembro, para em conjunto festejarmos esta efeméride.
Até lá, só excepcionalmente voltarei a escrever neste Blogue. Isto não significa que outros, com certeza melhor do que eu, o possam fazer.
Este Blogue sempre esteve e está aberto a todos os "Setimanistas 59-60".
Façam-me chegar os vossos textos que eu publicarei.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Balada do Regresso

A primeira e rápida resposta ao repto que lancei, veio da Manuela Drumond.

Aqui fica a sua Balada:



Partimos, levámos saudades

da Madeira, do Funchal e do luar...

Regressamos com outras idades

para festejar e recordar


Meio século passou

rimos, morremos, vivemos

mas em nós sempre ficou

amizades que nunca esquecemos...



Olá querida Madeira

lindo Funchal

olá luar

Adeus Madeira

adeus Funchal

será que iremos voltar ?



Em nome dos "Setimanistas 59-60" obrigado pelo teu contributo.

Ficamos a aguardar outros.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Balada de Despedida

Adeus lindo Funchal
Adeus luar
Nossa Madeira
Vem ver-nos irmos embora
Que a alma chora
Ao te deixar


Adeus lindo Funchal
Adeus luar
Nossa Madeira
Que hoje é a despedida
E a partida
Nos faz chorar

Foi assim a nossa despedida do Liceu do Funchal há cinquenta anos.
A Luísa Spínola sempre atenta e fiel guardadora das nossas "Pequenas Memórias" fez-me chegar às mãos a letra da nossa Balada de despedida e que, emotivamente, tal como já referi, entoámos no final da nossa Récita.
Pensa-se que a letra é do nosso saudoso colega Jaime Raposo. Seja ou não do Raposo quem quer que tenha sido o autor desta Balada, soube de um modo simples, escrever e transmitir o sentimento de um "Setimanista" que em 1959/60 deixava a Madeira e o Lar paterno pela primeira vez, para vir para o Continente estudar.
Passaram cinquenta anos. Embora o Funchal continue a ser lindo e o luar da Madeira o mesmo, os hábitos, os comportamentos e a forma de viver modificou-se. Muitas das coisas que evocámos e recordámos neste blogue, não têm qualquer sentido para os "Setimanistas" de 2009/10.
Isso não impediu que as tivessemos recordado à nossa maneira e com o nosso humor, provavelmente ultrapassado.
Embora, correndo o risco de ser catalogado como saudosista e retrógrado, lanço daqui um repto aos "Setimanistas 59-60". Tal como o Raposo há cinquenta anos escreveu uma Balada de despedida, por que não escrever uma Balada para o nosso reencontro dentro de dois meses. Quem é o poeta voluntário?

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Os "Setimanistas 59-60" têm Nome




"Conheces os nomes que te deram, não conheces o nome que tens"
Livro das Evidências


Assim transcreve José Saramago no seu Livro "Todos os Nomes"

São estes os Nomes dos "Setimanistas 59-60" que, há 50 Anos deixaram o Liceu do Funchal.
São estes os Nomes dos "Setimanistas 59-60" a razão de ser deste Blogue.
São estes os Nomes dos "Setimanistas 59-60" que em 28 de Novembro de 2009, se encontrarão para comemorar essa efeméride.

Ana Maria Hempel Nunes
Ana Maria Pinguinha Canha
Helena Maria Vieira Telo de Menezes
Isabel Margarida Vasconcelos de Couto Cardoso
Judite Camacho da Silva Santos
Margarida Maria Macedo Pita da Silva
Margarida Maria Oliveira Mendes
Maria Angela Andrade Martins
Maria do Carmo Homem Costa de Almeida
Maria do Carmo Marques de Sena Lino
Maria Cecília Neves Castanheta
Maria Dina de Freitas
Maria das Dores Faria Nepomuceno
Maria Elda Teixeira
Maria Elisabete Azevedo
Maria da Graça Mota Moniz de Sousa
Maria Helena Bettencourt Antunes
Maria Humbertina Mota de Freitas
Maria José Gomes Camacho
Maria Lourdes Fernandes Loja
Maria Luisa Albuquerque Spínola
Maria da Luz Rodrigues Quintal
Maria Manuela Drumond Araújo de Abreu
Maria Margarida Correia Leal
Marta Maria de Barros Pinto da Silva
Susana Olívia Machado de Gouveia
Violeta Carmelita Teixeira dos Santos
Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim
Álvaro Machado Fernandes Gouveia
António Alberto da Silva Jesus
António Figueira Nunes Pereira
Avelino de Sousa Coelho
António Gorjão Jardim de Azevedo
Emanuel Alexandre Jardim
Emanuel Martins Jervis Pereira de Freitas
Emanuel do Nascimento dos Santos Rodrigues
Fernando Azevedo Lemos Gomes
Fernando Egídio Ramos de Freitas
Fernando Emanuel de Freitas
Fernando João Sousa Oliveira
Fernando José Fonseca de Barros
Fernando Rui Gomes Camacho
Francisco Luis da Câmara Santa Clara Gomes
Francisco Plácido Alves Gouveia
Gil Tibúrcio de Freitas
Helder Artur Correia da Silva
Jaime Raposo Costa
João Carlos Ferraz Sardinha
João Carlos Rodrigues de Sales Caldeira
João Luís de Sousa Menezes
João Manuel Olim Marote
João Silvério Castro Fernandes
João Silvino Fernandes
João Tomás Ramos de Freitas
Josef Anton Mendes Granwehr
José Augusto Castro Correia
José Flávio Vieira Nóbrega
José Luis Andrade Martins
José Manuel Figueira Gonçalves
José Manuel Macedo Azeredo Pais
José Manuel Sousa Vasconcelos
Justino Augusto Baptista Abreu dos Santos
Luis Alberto Andrade Canning Clode
Manuel Schön Gomes da Silva
Mário António Passos Freitas Pereira
Nuno Manuel Sousa Menezes
Nuno Pinto Coelho Homem da Costa
Orlando Cabral Barreto
Óscar Dayrell Marrecas Portela Ribeiro
Remígio do Nascimento de Freitas
Rui Barros e Sousa Olim
Rui Manuel Gouveia Pinto da Silva
Vasco António Lemos Vieira

Nem todos estarão fisicamente presentes, estou certo, uns por razões pessoais, outros, por que a vida foi mais rápida do que seria o seu e o nosso desejo.
Ana Canha, Elisabete Azevedo, Emanuel Alexandre, Fernando Oliveira, Tibúrcio de Freitas, Helder Silva, Jaime Raposo, Fernando Camacho, João Sales Caldeira, João Olim Marote, João Ramos de Freitas, José Manuel Gonçalves, José Azeredo Pais, Remígio de Freitas, pertencem ao segundo Grupo. Foram os primeiros a partir, mas não foram nem serão esquecidos nestas comemorações.

Ao grupo de "Setimanistas 59-60" que fazem parte da "lista oficial" seria injusto não acrescentar os nomes do J. M. Pimenta e da Ângela Pereira de Sousa, mais tarde Ângela Oliveira que connosco sempre conviveram e que, por razões burocráticas ou conjunturais, não foram mencionados naquele grupo. Afectivamente e efectivamente, pertencem e estarão connosco na primeira linha das comemorações dos 50 anos.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Balada

Balada, reza o Programa da Récita, mas na realidade deveríamos acrescentar Balada da Despedida.
Era uma despedida antecipada bem sei, mas naquele momento e naquela época significava que dentro em pouco iríamos deixar a Madeira, iríamos deixar o Liceu do Funchal, iríamos deixar alguns dos nossos amigos, iríamos deixar as nossas famílias.
À boa maneira de Coimbra, esta despedida era sublinhada pelo som pungente da guitarra e por uma voz quente e nostálgica de um dos "Setimanistas".
Assim aconteceu na nossa Récita.
A Voz do Francisco Plácido fez-se ouvir acompanhada pela Guitarra dedilhada pelo João Carlos Sardinha.
A foto a seguir reproduzida, grava esse momento inesquecível na vida de um "Setimanista", momento esse que se veio repetir, pelo menos para aqueles que frequentaram ou terminaram os seus Cursos em Coimbra.

.

Não temos registado nem o som, nem o bater dos corações dos "Setimanistas" neste final de Récita, mas estou convicto que sendo a nostalgia um sentimento universal e intemporal, as Baladas que seguem, darão uma ideia daquilo que ia na alma dos "Setimanistas 59-60".




quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O Julgamento do Caloiro


A 2ª Parte da Récita está concluida. Os "Setimanistas" já fizeram o intervalo. Preparam-se agora, envergando as suas capas, para iniciarem o Julgamento do Caloiro.

O escriba, não sabe que volta a dar a este Julgamento do Caloiro. Só se recorda que, de vela na mão, como se pode ver na imagem acima, a cada voz de comando do exubrante advogado de acusação gritava a plenos pulmões A MOKA É ETERNA.
O escriba,decide transitoriamente disfarçar-se de escritor produzindo os textos seguintes:

Julgamento do Caloiro em 1959

Cenário macabro.
Ambiente escurecido, objectos de tortura, castiçais armados sobre caveiras.
Juízes (doutores) jurados, advogados, carrasco (tudo do género masculino) Mulher não participa.
Réu (caloiro) com o rosto embuçado e sentado.
Servia de banco do réu um penico.
O julgamento vai começar. Sente-se o “défice democrático”, o caloiro não tem advogado de defesa.
Juiz ordena:
Levante-se o réu e faça um discurso subordinado ao tema
“Qual nasceu primeiro, o ovo ou a galinha”;
O caloiro treme, balbucia umas frases sem nexo e sem piada.
O juiz dá-lhe uma segunda hipótese e exige que o caloiro faça uma caracterização do papel higiénico.
Os jurados concluem que aquilo era a caracterização do guardanapo de papel, pelo que o caloiro tem de voltar atrás.
O juiz solicita ao caloiro, cortesmente que conte uma anedota. Como ninguém se riu, antes se entreolharam como que a dizer: "onde está a graça?" o caloiro é obrigado a fazer 100 flexões.
O Juiz exibe um fósforo e pergunta o que aquilo é, ao que o caloiro, já meio de pé atrás, diz: "é um fósforo". Os jurados decidem: O caloiro passa à categoria de ignorante e como prémio (não há castigos, mas prémios) tem de ir medir o Ginásio do Liceu com o fósforo. Já a meio do Ginásio, o carrasco pergunta ao caloiro quantos tinha já medido?
O caloiro falha por um fósforo.
Os jurados exigem a sua repetição.
O Julgamento termina.
O caloiro é condenado a pagar uma rodada de cerveja para todos.



O Julgamento do Caloiro em 2009

Cenário minimalista.
Ambiente cheirando a cerveja.
Chão coberto de Ketchup e mostarda.
Eles e Elas sem qualquer hierarquia, sentados em cadeiras em volta dos caloiros (um casal) que vão ser julgados.
Os caloiros estão sentados sobre uma grade de cervejas.
O julgamento vai começar. Sente-se a “asfixia democrática”, os caloiros não têm advogados de defesa.
A caloira grita:
-Tamadar1fanico.
O caloiro grita:
-S´tou ká kuma larica.
Eles e Elas respondem:
-Kala-te…Kala-te.
O caloiro diz:
-Kero Komer qq coisa.
Eles e Elas têm akele golpe de asa k se impõe e gritam em uníssono:
-Kome…Kome…Kome
Um Ele mais excitado grita:
- Kome…Kome … Kome a Garina
Uma Ela mais entusiasmada grita:
-Essa ideia é do DEMO! Eu apoio pá!
Uma outra diz:
- Kome …Kome…Kome o Chavalo.
Um Ele diz:
-Men! É óbvio k apoio a ideia. É uma ideia bué de fixe.
Outra ainda, dirigindo-se à caloira:
-Sua sortuda pistoleira.
Outro dirigindo-se ao caloiro:
-Olha k sou teu padrinho.
O casal rebola no chão coberto de ketchup e mostarda.
Eles e Elas gritam:
-Kome…Kome…Kome
Eles e Elas decidem que a performance dos caloiros foi má.
O caloiro é obrigado a beber 10 shots.
A caloira é obrigada a beber 10 shots.
Eles e Elas brindam com 10 shots cada.
Caem todos no chão, coberto de ketchup e mostarda. Estão em coma alcoólico.
O Julgamento termina.
Os caloiros são condenados a pagar os shots.

domingo, 6 de setembro de 2009

Samba Fantastic ou Sambistas Fantásticos?

Regressado da "movida" Madrilena, com os ouvidos cheios de Zarzuelas e Flamencos, o escriba teve que consultar uma vez mais o Programa da Récita e confirmar que o número musical que falta para completar a 2ª Parte, não é nenhuma dessas espanholices, mas sim um Brasileirissimo Samba, intitulado Fantastic .
Que os Setimanistas cantaram e dançaram o Samba, não restam dúvidas, basta olhar para o ritmo desta fotografia:


Agora que o Samba se intitulasse Fantastic, como reza o programa, é que é mesmo duvidoso.
Consultei especialistas, curiosos, cantores, estudiosos da música brasileira. Todos desconhecem um Samba com este título.
Com certeza Fantasticos foram os nossos Setimanistas na sua interpretação e Fantastica é a Escola de Samba da Mangueira:



e Fantástico é este Samba com que encerramos a 2ª Parte da nossa Récita.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Tu vuo fa la americano

Deixemos o nosso Bailinho a ser dançado e divulgado pelo mais mediático dos nossos "Setimanistas" encerremos o número do Pequeno Álbum Musical de Portugal, consultemos o Programa da Récita e vejamos o que se segue.

TU VUO FA LA AMERICANO

Os Setimanistas 59-60 estavam mesmo actualizados.
Renato Carosone (Nápoles, 3 de janeiro de 1920 – Roma, 20 de maio de 2001)que era um cantor, pianista e compositor italiano, dos mais reconhecidos da música daquele país na segunda metade do século XX havia acabado de compôr e tocar aquela música.

Ouça-mo-lo:



Cantemos:

Puorte o cazone cu 'nu stemma arreto,
'na cuppulella ca' visiera alzata.
Passe scampanianno pe' Tuleto
comme a 'nu guappo pe' te fa guardà.

Tu vuo' fa' l' americano,
mmericano, mmericano,
siente a me, chi t' ho fa fa.
Tu vuoi vivere alla moda
ma se bevi whisky and soda
po' te sente 'e disturbà.

Tu abballe 'o Rock and Rol,
tu giochi a basebal,
ma 'e solde pe' Camel
chi te li dà,
la borsetta di mammà?

Tu vuo' fa' l' americano,
americano, americano,
ma si nato in Italy,
siente a me, non ce sta' niente a ffa
okay, napolitan.
Tu vuo' fa' l' american,
tu vuò' fa' l' american.

Comme te po' capì chi te vò bene
si tu le parle 'mmiezzo americano.
Quando se fa l 'ammore sotto 'a luna
come te vene 'n capa e di:"I love you".

Tu vuo' fa' l' americano,
mmericano, mmericano,
siente a me, chi t' ho fa fa.
Tu vuoi vivere alla moda
ma se bevi whisky and soda
po' te sente 'e disturbà.

Tu abballe 'o Rock and Rol,
tu giochi a basebal,
ma 'e solde pe' Camel
chi te li dà,
la borsetta di mammà?

Tu vuo' fa' l' americano,
mmericano, mmericano,
ma si nato in Italy,
siente a mme non ce sta' niente a ffa
okay, napolitan.
Tu vuo' fa' l' american,
tu vuo' fa' l' american.

Tu vuo' fa' l' americano,
mmericano, mmericano,
siente a me, chi t' ho fa fa.
Tu vuoi vivere alla moda
ma se bevi whisky and soda
po' te sente 'e disturbà.

Tu abballe 'o Rock and Rol,
tu giochi a basebal,
ma 'e solde pe' Camel
chi te li dà,
la borsetta di mammà?

Tu vuo' fa' l' americano,
mmericano, mmericano,
ma si nato in Italy,
siente a mme non ce sta' niente a ffa
okay, napolitan.
Tu vuo' fa' l' american,
tu vuo' fa' l' american.

Whisky and soda e Rock and Rol.
Whisky and soda e Rock and Rol.
Whisky and soda e Rock and Rol.

Tu vuo' fa' l' americano,
mmericano, mmericano,
ma si nato in Italy,
siente a mme non ce sta' niente a fa
okay, napolitan.
Tu vuo' fa' l' american,
tu vuo' fa' l' american.

Whisky and soda e Rock and Rol.
Whisky and soda e Rock and Rol.
Whisky and soda e Rock and Rol....

Não me lembro quem foi o nosso Renato Carosone, mas não tenho quaisquer dúvidas que esteve à altura deste grandioso momento musical

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Pequeno Álbum Musical de Portugal (3)

Chegou o grande momento deste Pequeno Álbum Musical de Portugal.
Os nossos "Setimanistas" deixaram para o fim, neste percurso musical que fizeram,o Bailinho da Madeira.
O escriba deste Blogue, com a sua alma Madeirense (curiosa e pedagógica), procurou saber as origens deste Bailinho. Surpresa das surpresas(pelo menos para mim)o bailinho da Madeira, tal como o conhecemos hoje, foi apresentado pela primeira vez em 1938.
E eu a pensar que já existia quando a Madeira foi descoberta?! O que a Récita me tem ensinado!!
Vejamos o que diz a fonte destes meus conhecimentos:

Artur Andrade na edição do Diário de Notícias da Madeira de 22 de Setembro de 1990 explica como foi criado e divulgado o famoso Bailinho da Madeira.

Ora vejam:

O nosso bailinho…
Artur Andrade*

"Deixa passar"
Esta nossa brincadeira"

"Claro que todos vocês conhecem estes versos e a música a eles inerentes... (Haverá em qualquer parte do mundo um madeirense que não os conheça?)
Pois meus queridos! Na quarta-feira desta semana fez cinquenta e dois anos que o Funchal ouviu pela primeira vez esta melodia tão nossa identificadora: O bailinho da Madeira.
Vou contar tudinho porque, eu - então com a idade da maioria de vocês - estava lá...
Foi numa segunda-feira, 18 de Setembro de 1938... Nesse fim-de-semana realizara-se uma denominada "Festa da Vindima", com o fim de angariar donativos a benefício da Escola de Artes e Ofícios - que tinha sido vítima de um incêndio - instituição mais tarde substituída pelo actual Colégio dos Salesianos.
De várias freguesias vieram ranchos trazendo produtos da terra que foram vendidos a favor da dita instituição. Pela mesma altura realizou-se no Campo Almirante Reis um concurso com grupos folclóricos... Estou a vê-los...
Numa tribuna, armada no local, estavam presentes o governador civil e outras entidades. Num outro estrado exibiam-se os grupos folclóricos. Mas curiosamente, a melodia - hoje famosa em "todo o mundo" - é tocada e dançada não no estrado mas sim quando se dirigem junto à tribuna para cumprimentar as autoridades. Passou-se assim...
Chegada a vez do grupo do Arco da Calheta, este com o chamado “Feiticeiro da Calheta” - com a sua viola de arame - à frente, avança cantando o seguinte estribilho:
" Deixa passar
Esta nossa brincadeira
Que nós vamos cumprimentar
O governo da Madeira"
Seguem-se quadras - que a memória não lembra - tudo letra e música do já falado "Feiticeiro da Calheta".
De tarde, e pela noite adiante, o rancho vencedor e outros percorriam a cidade cantando ao som da música do actual bailinho da Madeira:
" Deixa passar
O senhor da capa preta
Quem ganhou o primeiro prémio
Foi o rancho da Calheta"
Depressa a melodia se torna popular.
Uma orquestra madeirense, __ Tony Amaral - tendo o nosso Max como vocalista e que durante alguns tempos actuaram no Continente, fazem um arranjo com sabor e influência da nossa música folclórica, tornando-a conhecida em todo o Portugal.
Hoje, deve ser a música portuguesa de raiz popular mais conhecida, não só no nosso país como fora dele ... Exemplo, é o facto de ter sido gravada pela sinfónica de Londres.

Nota:
Do «Feiticeiro da Calheta" - o verdadeiro autor do "Bailinho da Madeira" - falecido na década de setenta - quem dele se lembra?...
O jornalista do Diário de Notícias, na época, dizia tratar-se do "Feiticeiro do Norte" mas ,este é um outro - a nosso ver com mais valor - poeta popular do Arco de São Jorge falecido na década de cinquenta
."




* Artur Andrade foi Professor, músico e homem da imprensa, nasceu em 1927, em S. Vicente, e morreu em 1992.Nos anos 70 com António Aragão (historiador) realizou recolhas de música tradicional. Trabalho editado em 1982, 2LP intitulado “Cantares e música da Madeira” e alguns CDs em 1996 editados pela DRAC.




Avancem os Setimanistas para cantar e dançar o Bailinho da Madeira:







Eles (e Elas) cantaram, saltaram, gritaram...foi uma Festa. Depois deste Bailinho todos os "Setimanistas" foram dançar outros Bailinhos. Todos???...Não. Todos menos um. Houve um "Setimanista" que entusiasmado com o sucesso do Bailinho, fez disso profissão, como se pode inferir do quadro seguinte: