Com 50 anos de idade, mas pleno de actualidade no contexto da nossa efeméride, aqui vai um texto do nosso saudoso amigo Jaime Raposo e que foi publicado na Página dos Estudantes do Jornal da Madeira
Entrámos meninos irrequietos, saímos jovens feitos… deixando atrás a esteira brilhante das ilusões de crianças.
Tudo foi passando e jaz esquecido no cemitério das recordações, ainda que a saudade desses outros tempos faça ressuscitar em nós o desejo de voltar ao passado.
Ainda são queridos os quadros da meninice…da retoiça, dos primeiros anos… Ainda brilha em nós a chama das últimas desilusões…
Mas tudo ficou no passado, tesouro pródigo de recordações, que nos mostram que o tempo também passou por nós.
E subindo lentamente os degraus desta vida, chegamos ao limiar de um novo pórtico.
A visão da larga escadaria, agora vencida, faz-nos chorar essa mocidade que o tempo tragou, na ânsia de vencer as ilusões.
E os nossos olhos já cansados derramam nas primeiras rugas a saudade. A saudade que traz a certeza de que o passado não volta e que nem sempre o soubemos aproveitar para nos construirmos.
Agora já é um pouco tarde… tentemos porém construir com a experiência o que a irreflexão da mocidade não permitiu levantar. Aos castelos de sonho sucedeu a certeza de que o futuro é difícil e que o passado nem sempre nos preparou.
Resta-nos contudo o poder sonhar com esses tempos em que fomos meninos, e que agora saudosos vemos reviver nos novos que olham o tempo com desdém e que ainda não conhecem a existência do futuro.
Nós somos uma geração que passa e leva gravada nos corações os sulcos da saudade que outros tempos abriram.
Jaime Raposo Costa
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