terça-feira, 28 de julho de 2009

Intervalo para encontrar a Violeta

As comemorações dos 50 anos de Liceu exige que façamos os esforços necessários para encontrar, todos os que pertenceram ao grupo dos "Setimanistas 59/60" e convidá-los a participar.
Das poucas pessoas de quem não temos (ou pelo menos eu não tenho) qualquer pista é a Violeta.
Quis o acaso que, graças à Net, encontrasse uns poemas escrito por esta nossa antiga colega e algumas pistas do seu paradeiro.
Na expectativa que estas pistas ajudem ao contacto com a Violeta, transcrevo o que encontrei e aguardo que alguém continue esta "investigação" até contactarmos com a Violeta.

VIOLETA TEIXEIRA


DESOLADO, DEBRUÇA-SE O POETA


Desolado, debruça-se o poeta
Sobre os regatos
Do ontem e do hoje,


Mas, debalde, se observa.
Sujas se tornam, logo, as águas.


Assume, num silêncio demasiado
Branco, aquele desconcerto, mas


De súbito, consente que
O devorem
As línguas ígneas e vorazes
Do ressentimento.



TOMOU A DOSE DE ÁCIDO QUE LHE BASTASSE


Tomou a dose de ácido que lhe bastasse.
Pousou a cabeça na almofada, excessiva, do pranto,
E figurou-se morta a última célula viva, que lhe
Restasse, à última hora da madrugada. Falhou-se o desígnio.
Despertou às nove horas da manhã, vomitando náuseas
Da vida e de cansaço, com sulcos fundos, cavados nas
Faces lívidas, e lágrimas ácidas de logro.


Coloque-se a máscara, finja-se a vida
Que se não vive, adie-se o desenlace
Para o dia seguinte, se o houver, disse, com desânimo:
O do silêncio do não ser.


Lavou os rostos, olhando-se no espelho, na véspera
Estilhaçado de rasas raivas, e desatou aos gritos, pela casa:
"Que morte, sem charme teria sido, na cama ou
No camarim! Gauche idée! Uma actriz só
Se suicida, pisando o palco. Diante de uma plateia."



OS VENTOS VERDES


Os ventos verdes
Do Atlântico
Ramalham-me a libido
E os pensamentos,


Porque as suas crinas,
Húmidas, exalam
Essências excitantes,
De seivas
Marítimas,


E notícias de mim,
De paragens longínquas,
Esquecidas, das
Viagens
Que não fiz.



Violeta Teixeira

(Funchal, 1942)


(in «Partos de Pandora»,
Magno Edições, 2001)

*

Violeta Carmelita Teixeira dos Santos nasceu a 6 de Fevereiro de 1942, na cidade do Funchal (Madeira). Licenciada em Filologia Romântica pela Universidade de Letras de Lisboa, é professora na Escola Secundária de Francisco Rodrigues Lobo, em Leiria, onde reside há cerca de trinta anos. É co-autora de manuais escolares de Português A, para os 10º., 11º., e 12º., anos e participou na colectânea "Juntos por Timor Loro Sae" (1999). Publicou: Falo-vos de Silêncio, Magno, 1999; Lânguidas Fúrias, Magno, 2000; Afluentes Lunares, Magno, 2001 (1º Prémio Literário Afonso Lopes Vieira); Partos de Pandora, Magno, 2002; Resinas de Abulia, Magno, 2003.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Mistificação Árabe

Lembro-me deste número. Era um "sketch" que em minha opinião não tinha grande piada e a ter alguma, só teve na estreia, pelo efeito surpresa .
Em resumo, um "setimanista árabe" solicitava um espectador para colaborar neste número e depois de um diálogo sem qualquer sentido e de alguns salamaleques sobre um tapete árabe, o nosso voluntário era ludibriado e mesmo enxovalhado pois voltava para o seu lugar, catalogado como camelo.
O "setimanista Árabe", foi o Álvaro Machado Fernandes Gouveia, mais conhecido pelo Alvarinho. Este sim tinha mais piada que o "sketch". O seu humor era fino e inteligente.
Tive oportunidade, mais tarde de conviver de perto com o Alvarinho ou mais precisamente como ele próprio na altura se nomeava Álvaro, Alvarinho Fadista de Fados. Nessa altura, "tesos" como qualquer estudante que se preza, não deixávamos, sempre que chegava "dinheiro novo" da mesada, de ir comer um bitoque ao "Cachorrinho" (Tasca na Av Álvares Cabral em Lisboa) ou, nas noites de sábado, ouvir fados na Cesária. Enfim, bons velhos tempos - "Pobretes mas Alegretes".

O escriba, volta a subverter o Programa Musical da Récita, embora mantendo o espírito do mesmo, ou como dizem os juristas o espírito da lei e o número de "Mistificação Árabe" desta Reposição da Récita passa a ser o seguinte:

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Postal da Broadway










Broadway, que significa via larga em inglês, é uma avenida da cidade de Nova Iorque. A Broadway é muito famosa pelos seus teatros que exibem superproduções de musicais, que muitas vezes ficam em cartaz durante vários anos. Atravessa a Times Square e é ponto de referência para 43 teatros existentes Broadway.
A avenida também aparece em diversos filmes com destaque para o filme King Kong por exibir, principalmente o teatro Broadway.

A Broadway e a sua música, sempre causou um fascínio a todos os jovens (e menos jovens) de todas as gerações.

Foi pois com naturalidade que os Setimanistas 59-60 dedicaram um dos seus números musicais à Broadway e que tenham escolhido para ilustrar esse número uma das suas músicas mais representativas.
Não me recordo quem é que a cantou. Estou convencido que foi a Maria da Luz. Mas quem quer que seja que a tenha cantado fê-lo bem e contribuiu para o grande sucesso da Récita e desta reposição.








quinta-feira, 16 de julho de 2009

O Escriba meteu água

Vinha eu todo contente com quatro bilhetes comprados para o Cool Jazz de Cascais, onde no próximo domingo, no Jardim da Parada, se exibe a fabulosa (na minha opinião) cantora Afro-Espanhola Buika e eis que toca o meu telélé.
Do outro lado a famosa cantora de outros tempos (também na minha opinião)e da nossa Récita, Manuela Drumond.
Modesta e delicada como de costume, dizia que estava de acordo com tudo o que eu tinha escrito acerca da canção Ouça, excepto numa coisa. Na fotografia era ela, mas fazendo de Alentejana. Como é que uma Alentejana poderia ter cantado "Ouça", ou por outras palavras, como é que o Ouça poderia ter sido cantado por uma Alentejana?
E não é que a nossa Manuela Drumond tinha razão?!
O escriba meteu água confundiu a Manuela Drumond Alentejana com a Manuela Drumond Brasileira. Isto é consequência do excesso de trabalho que o autor deste Blogue tem.
Com as desculpas à visada (é assim que os directores de jornais rectificam as notícias falsas) aqui vai a verdadeira fotografia.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

E O Programa Musical da Récita continua


Ultrapassada que está a introdução abusiva no nosso programa de um número que nunca existiu, vamos retomar no sítio certo, a apresentação do nosso espectáculo.

Senhoras e Senhores ouçam Ouça.

Não , não é um pleonasmo. É assim mesmo, trata-se da canção OUÇA, cantada (sim desta vez sabe-se quem cantou) por Manuela Drumond e mais tarde divulgada mundialmente por Maysa Matarazzo (ou será que foi ao contrário?). Bom não importa. O que é importante é que para nós "Setimanistas" a Manuela Drumond (uma das belas do meu tempo) era mais bonita, mais elegante e com certeza que cantava melhor do que a Maysa Matarazzo. Além disso, a nossa Manuela Drumond, ao contrário dessa tal Maysa, nunca se meteu nos copos e não tem um temperamento instável . A nossa Manuela Drumond nunca fez escândalos em hotéis e aviões em diversos países como a Maysa. Supõe-se mesmo que o efeito de anfetaminas somado à ingestão de álcool, teria provocado o acidente de carro, na Ponte Rio-Niterói, que matou a Maysa Matarazzo, quando conduzia em alta velocidade, indo para sua casa de praia em Maricá.
A nossa Manuela Drumond nem conduz.

Infelizmente a versão que a seguir se apresenta é da Maysa Matarazzo, pois não tenho gravada a versão da Manuela Drumond, mas a fotografia que aqui apresento, é da nossa Manuela Drumond.


domingo, 12 de julho de 2009

Subversão no Programa da Récita



O quadro que faltou à Récita


Por:Vasco Lemos Vieira

Corriam os preparativos para a Récita. Os ensaios da Peça já avançados com alegria, alecrim e manjerona.
Quanto ao “Acto de variedades” havia, se me lembro, um certo atraso. Especulava-se sem saber ainda bem o que se passava na criativa imaginação do director artístico e homem de mil ofícios, o Armindo Abreu, cantor, pianista, guarda-redes da equipa do Liceu (?), relator desportivo e…director musical da nossa Récita.
Foi então que à revelia dos organizadores “chefes” resolvemos tentar a nossa sorte.
Antes ou depois de um ensaio do teatro, foi à noite, isso lembro-me bem, conseguimos que nos facultassem um anfiteatro e com as luzes acesas, no 1º piso, por cima da aula de Canto Coral dos rapazes.
O grupo girava à volta dos “amigos das tardes dançantes do Granwehr” .
Todos julgavam saber dançar , lançar um olhar, elas à Natalie Wood eles à James Dean e, isso bastava.
Não havia nem músicos, nem ensaiadores de dança, nem ainda música escolhida nem nome …nem quase nada.
Então o que queríamos engendrar?

Pois bem a ideia base era mais ou menos esta.
Estava o “Rock and Roll” na moda e um tal Bill Haley's Comets com "Rock Around the Clock"

Havia que agarrar o ritmo, usar meias e fatos coloridos e, cada um para seu lado, dançar. Era tudo!

Como vêem a primeira versão da “Fame” foi a nossa e, outras coisas parecidas que se seguiram, sempre à base do nosso imaginado número de dança, foram meras cópias.

Foram duas`(?) as tentativas de ensaiar . À segunda havia um gravador e muita muita confusão, sugestões que se atropelavam e….foi divertido.
Estou a rever a cena final com todos com alguma frustração pois o número não foi “aprovado” ou melhor nem apresentado.

P.S.
Não sei se está a acontecer convosco mas, a memória teimosamente foge-me e, só nos vejo todos com 17 anos e com tanto para…dançar.



Nota do escriba:
Se bem me recordo este número saiu mais ou menos assim, mas para pior:

Atenção Perigo Entrou um Hacker no nosso Blogue


Estava o escriba muito disciplinadamente a tentar reproduzir,por vezes a reinventar, mas sempre sem adulterar, o Programa da Récita, eis que é surpreendido pela entrada de um pirata informático que subverte toda a Programação,impingindo um quadro que segundo ele faltou à Récita.
Este "hacker" que assina como contra-regra, há-de ser apanhado, desmascarado e castigado.Utilizaremos para isso os procedimentos e a velocidade da justiça portuguesa.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Romaria de S. João

O Programador da nossa Récita pensou... pensou...pensou... e concluiu inteligentemente, vamos aproveitar o ritmo do Bim Bam Bim (que o escriba adulterou transformando o Bim em Boom) e enfiamos a rapaziada na Romaria de S. João.
As festas de S. João (pelo menos em 1959) eram muito populares na Madeira. Lembro-me das fogueiras que se acendiam ao tocar dos Avé-Marias, recordo-me do atum salpresado que é um dos pratos tradicionais da Madeira, também conhecido por atum de São João.
Aqui vai uma sugestão de receita:
Três ou quatro dias antes do São João, escolhe-se uma posta de atum gordo, de preferência de ventrecha (barriga) e faz-se uns golpes. De seguida tempera-se com sal grosso, alho cortado às rodelas e os oregãos . Algumas horas antes de confeccionar a refeição, deita-se o atum de molho em água fria. Depois o atum é cozido durante uma hora, juntamente com o feijão e a cebola. À parte, coze-se as batatas, as semilhas, as abóboras e as maçarocas. O atum é servido com os legumes cozidos e temperados com azeite e vinagre.
Uma delícia.
Desculpem este devaneio do escriba, mas é a sua alma gastronómica a ditar mais alto.

Voltemos à Romaria de S. João da nossa Récita.
Isto cá para nós que ninguém nos ouve nem lê. Romaria de S. João verdadeiramente popular é a do Porto, onde misturado com o povo aparece o Pinto da Costa (o Papa do Norte) e todos os outros políticos de várias cores e matizes.
Vejam ou recordem o que é o S. João no Porto:



Mas para a Récita aqui vai uma versão especial. Se a versão original não foi esta, foi mais ou menos.



Não há dúvida os Setimanistas 59-60 eram muito imaginativos.

domingo, 5 de julho de 2009

Quando o BIM se Lê BOOM

O escriba do Blogue, regressou de férias ou melhor, da praia e com pouca vontade de escrever. Mas a récita não pode ficar interrompida, o público agita-se e reclama, o escriba olha para o Programa e vê que depois de La Comparsita , vem uma canção intitulada "Bim, Bam, Bim" . - O que é isto? :
- Uma canção pimba?
- Uma canção infantil?
- Um hino "gay"?
O escriba contorce-se preocupado, pesquisa... Nada, Pergunta...Rien de tout.
Ninguém se lembra, ninguém o ajuda...
Mas o espectáculo não pode acabar. O escriba tem um verdadeiro momento de inspiração. Parece mesmo um consagrado argumentista. Interroga-se e responde.
Transforma-se o Bim Bam Bim em Bim Bam Boom. O espectáculo está salvo. Aqui vai a solução.










Não se aceitam RECLAMAÇÕES.