terça-feira, 28 de julho de 2009
Intervalo para encontrar a Violeta
Das poucas pessoas de quem não temos (ou pelo menos eu não tenho) qualquer pista é a Violeta.
Quis o acaso que, graças à Net, encontrasse uns poemas escrito por esta nossa antiga colega e algumas pistas do seu paradeiro.
Na expectativa que estas pistas ajudem ao contacto com a Violeta, transcrevo o que encontrei e aguardo que alguém continue esta "investigação" até contactarmos com a Violeta.
VIOLETA TEIXEIRA
DESOLADO, DEBRUÇA-SE O POETA
Desolado, debruça-se o poeta
Sobre os regatos
Do ontem e do hoje,
Mas, debalde, se observa.
Sujas se tornam, logo, as águas.
Assume, num silêncio demasiado
Branco, aquele desconcerto, mas
De súbito, consente que
O devorem
As línguas ígneas e vorazes
Do ressentimento.
TOMOU A DOSE DE ÁCIDO QUE LHE BASTASSE
Tomou a dose de ácido que lhe bastasse.
Pousou a cabeça na almofada, excessiva, do pranto,
E figurou-se morta a última célula viva, que lhe
Restasse, à última hora da madrugada. Falhou-se o desígnio.
Despertou às nove horas da manhã, vomitando náuseas
Da vida e de cansaço, com sulcos fundos, cavados nas
Faces lívidas, e lágrimas ácidas de logro.
Coloque-se a máscara, finja-se a vida
Que se não vive, adie-se o desenlace
Para o dia seguinte, se o houver, disse, com desânimo:
O do silêncio do não ser.
Lavou os rostos, olhando-se no espelho, na véspera
Estilhaçado de rasas raivas, e desatou aos gritos, pela casa:
"Que morte, sem charme teria sido, na cama ou
No camarim! Gauche idée! Uma actriz só
Se suicida, pisando o palco. Diante de uma plateia."
OS VENTOS VERDES
Os ventos verdes
Do Atlântico
Ramalham-me a libido
E os pensamentos,
Porque as suas crinas,
Húmidas, exalam
Essências excitantes,
De seivas
Marítimas,
E notícias de mim,
De paragens longínquas,
Esquecidas, das
Viagens
Que não fiz.
Violeta Teixeira
(Funchal, 1942)
(in «Partos de Pandora»,
Magno Edições, 2001)
*
Violeta Carmelita Teixeira dos Santos nasceu a 6 de Fevereiro de 1942, na cidade do Funchal (Madeira). Licenciada em Filologia Romântica pela Universidade de Letras de Lisboa, é professora na Escola Secundária de Francisco Rodrigues Lobo, em Leiria, onde reside há cerca de trinta anos. É co-autora de manuais escolares de Português A, para os 10º., 11º., e 12º., anos e participou na colectânea "Juntos por Timor Loro Sae" (1999). Publicou: Falo-vos de Silêncio, Magno, 1999; Lânguidas Fúrias, Magno, 2000; Afluentes Lunares, Magno, 2001 (1º Prémio Literário Afonso Lopes Vieira); Partos de Pandora, Magno, 2002; Resinas de Abulia, Magno, 2003.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Mistificação Árabe
Em resumo, um "setimanista árabe" solicitava um espectador para colaborar neste número e depois de um diálogo sem qualquer sentido e de alguns salamaleques sobre um tapete árabe, o nosso voluntário era ludibriado e mesmo enxovalhado pois voltava para o seu lugar, catalogado como camelo.
O "setimanista Árabe", foi o Álvaro Machado Fernandes Gouveia, mais conhecido pelo Alvarinho. Este sim tinha mais piada que o "sketch". O seu humor era fino e inteligente.
Tive oportunidade, mais tarde de conviver de perto com o Alvarinho ou mais precisamente como ele próprio na altura se nomeava Álvaro, Alvarinho Fadista de Fados. Nessa altura, "tesos" como qualquer estudante que se preza, não deixávamos, sempre que chegava "dinheiro novo" da mesada, de ir comer um bitoque ao "Cachorrinho" (Tasca na Av Álvares Cabral em Lisboa) ou, nas noites de sábado, ouvir fados na Cesária. Enfim, bons velhos tempos - "Pobretes mas Alegretes".
O escriba, volta a subverter o Programa Musical da Récita, embora mantendo o espírito do mesmo, ou como dizem os juristas o espírito da lei e o número de "Mistificação Árabe" desta Reposição da Récita passa a ser o seguinte:
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Postal da Broadway


A avenida também aparece em diversos filmes com destaque para o filme King Kong por exibir, principalmente o teatro Broadway.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
O Escriba meteu água
Do outro lado a famosa cantora de outros tempos (também na minha opinião)e da nossa Récita, Manuela Drumond.
Modesta e delicada como de costume, dizia que estava de acordo com tudo o que eu tinha escrito acerca da canção Ouça, excepto numa coisa. Na fotografia era ela, mas fazendo de Alentejana. Como é que uma Alentejana poderia ter cantado "Ouça", ou por outras palavras, como é que o Ouça poderia ter sido cantado por uma Alentejana?
E não é que a nossa Manuela Drumond tinha razão?!
O escriba meteu água confundiu a Manuela Drumond Alentejana com a Manuela Drumond Brasileira. Isto é consequência do excesso de trabalho que o autor deste Blogue tem.
Com as desculpas à visada (é assim que os directores de jornais rectificam as notícias falsas) aqui vai a verdadeira fotografia.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
E O Programa Musical da Récita continua

domingo, 12 de julho de 2009
Subversão no Programa da Récita
O quadro que faltou à Récita
Por:Vasco Lemos Vieira
Corriam os preparativos para a Récita. Os ensaios da Peça já avançados com alegria, alecrim e manjerona.
Quanto ao “Acto de variedades” havia, se me lembro, um certo atraso. Especulava-se sem saber ainda bem o que se passava na criativa imaginação do director artístico e homem de mil ofícios, o Armindo Abreu, cantor, pianista, guarda-redes da equipa do Liceu (?), relator desportivo e…director musical da nossa Récita.
Foi então que à revelia dos organizadores “chefes” resolvemos tentar a nossa sorte.
Antes ou depois de um ensaio do teatro, foi à noite, isso lembro-me bem, conseguimos que nos facultassem um anfiteatro e com as luzes acesas, no 1º piso, por cima da aula de Canto Coral dos rapazes.
O grupo girava à volta dos “amigos das tardes dançantes do Granwehr” .
Todos julgavam saber dançar , lançar um olhar, elas à Natalie Wood eles à James Dean e, isso bastava.
Não havia nem músicos, nem ensaiadores de dança, nem ainda música escolhida nem nome …nem quase nada.
Então o que queríamos engendrar?
Pois bem a ideia base era mais ou menos esta.
Estava o “Rock and Roll” na moda e um tal Bill Haley's Comets com "Rock Around the Clock"
Havia que agarrar o ritmo, usar meias e fatos coloridos e, cada um para seu lado, dançar. Era tudo!
Como vêem a primeira versão da “Fame” foi a nossa e, outras coisas parecidas que se seguiram, sempre à base do nosso imaginado número de dança, foram meras cópias.
Foram duas`(?) as tentativas de ensaiar . À segunda havia um gravador e muita muita confusão, sugestões que se atropelavam e….foi divertido.
Estou a rever a cena final com todos com alguma frustração pois o número não foi “aprovado” ou melhor nem apresentado.
P.S.
Não sei se está a acontecer convosco mas, a memória teimosamente foge-me e, só nos vejo todos com 17 anos e com tanto para…dançar.
Nota do escriba:
Se bem me recordo este número saiu mais ou menos assim, mas para pior:
Atenção Perigo Entrou um Hacker no nosso Blogue

Estava o escriba muito disciplinadamente a tentar reproduzir,por vezes a reinventar, mas sempre sem adulterar, o Programa da Récita, eis que é surpreendido pela entrada de um pirata informático que subverte toda a Programação,impingindo um quadro que segundo ele faltou à Récita.
Este "hacker" que assina como contra-regra, há-de ser apanhado, desmascarado e castigado.Utilizaremos para isso os procedimentos e a velocidade da justiça portuguesa.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Romaria de S. João
As festas de S. João (pelo menos em 1959) eram muito populares na Madeira. Lembro-me das fogueiras que se acendiam ao tocar dos Avé-Marias, recordo-me do atum salpresado que é um dos pratos tradicionais da Madeira, também conhecido por atum de São João.
Aqui vai uma sugestão de receita:
Três ou quatro dias antes do São João, escolhe-se uma posta de atum gordo, de preferência de ventrecha (barriga) e faz-se uns golpes. De seguida tempera-se com sal grosso, alho cortado às rodelas e os oregãos . Algumas horas antes de confeccionar a refeição, deita-se o atum de molho em água fria. Depois o atum é cozido durante uma hora, juntamente com o feijão e a cebola. À parte, coze-se as batatas, as semilhas, as abóboras e as maçarocas. O atum é servido com os legumes cozidos e temperados com azeite e vinagre.
Uma delícia.
Desculpem este devaneio do escriba, mas é a sua alma gastronómica a ditar mais alto.
Voltemos à Romaria de S. João da nossa Récita.
Isto cá para nós que ninguém nos ouve nem lê. Romaria de S. João verdadeiramente popular é a do Porto, onde misturado com o povo aparece o Pinto da Costa (o Papa do Norte) e todos os outros políticos de várias cores e matizes.
Vejam ou recordem o que é o S. João no Porto:
Mas para a Récita aqui vai uma versão especial. Se a versão original não foi esta, foi mais ou menos.
Não há dúvida os Setimanistas 59-60 eram muito imaginativos.
domingo, 5 de julho de 2009
Quando o BIM se Lê BOOM
- Uma canção pimba?
- Uma canção infantil?
- Um hino "gay"?
O escriba contorce-se preocupado, pesquisa... Nada, Pergunta...Rien de tout.
Ninguém se lembra, ninguém o ajuda...
Mas o espectáculo não pode acabar. O escriba tem um verdadeiro momento de inspiração. Parece mesmo um consagrado argumentista. Interroga-se e responde.
Transforma-se o Bim Bam Bim em Bim Bam Boom. O espectáculo está salvo. Aqui vai a solução.
Não se aceitam RECLAMAÇÕES.