Continuando a emitir Música com 50 anos de vida a versão moderna da Emissora de S. Martinho
dedica este Rock a todos os Setimanistas 59/60 que participaram na Hora de Arte hoje encerrada
50 anos é uma vida. Vamos recordar o que bom decorreu durante este periodo, em que crescemos e envelhecemos juntos, sem esquecer aqueles que partiram mais cedo do que desejariamos. Fazemos parte de um grupo e de uma geração que conhece o significado das palavras, amizade, companheirismo e solidariedade. Com estes valores bem sedimentados deixámos o Liceu do Funchal no ano lectivo de 1959-1960
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Paz" (Moonrise no título original).
(Clicar para ampliar a fotografia)No Mundo
Em Portugal
Na Madeira

Férias de Páscoa nos Açores
Por Luísa Spínola
A propósito da recente Festa da Páscoa decidi recordar nestas ‘Pequenas Memórias’, aquela que foi uma das mais marcantes da despedida da nossa vida liceal - a viagem aos Açores.
Acompanharam-nos nesta digressão o Dr. Camacho e a Dra. Sílvia Ramos, que tiveram a “autoridade professoral” de domar este grupo de 34 jovens “malandros” (quase todos!) a querer “sair da casca”… Tivemos ainda a simpática companhia da nossa madrinha, Dalila Muller e sua mãe D. Dolores Câmara.
Assim, nas férias de Páscoa, dia 2 de Abril de 1960, partimos a bordo do velho “Carvalho Araújo”, rumo aos Açores, a fim de concretizar a tão almejada viagem de finalistas, tendo em vista um enriquecimento cultural e humano. Após alguns acidentes de percurso, colegas “mareados”, chegámos à primeira das nove ilhas a visitar – Santa Maria, - onde tivemos a mais calorosa recepção, não faltando banda de música! …
O diário “Açores” de 6 de Abril publicava a seguinte nota:
“Ontem, ao desembarcarem em Vila do Porto, os estudantes madeirenses tiveram recepção festiva, expressa em aplausos da população, em colgaduras nas janelas, e varandas e flores.No primeiro contacto com a Terra Açoriana esta embaixada de juventude sentiu a primeira expressão fraterna de ilhéus para ilhéus, que terá a mais sólida continuidade no decurso desta viagem há pouco iniciada.”
De facto, é para nós inesquecível a espontânea hospitalidade de Santa Maria, assim como a beleza impressionante de S. Miguel, a alegre cidade de Angra do Heroísmo na Terceira, os Capelinhos no Faial, a Caldeira de enxofre na Graciosa, e todo o carinho com que fomos recebidos pelas autoridades locais em todas as ilhas.
Na ilha Terceira, na Base das Lajes, tivemos o ensejo de provar pela primeira vez uma Coca-Cola! … E que satisfação ao ter experimentado esse “fruto proibido” na época em Portugal !
Tivemos também oportunidade de conviver, em ambiente de franca camaradagem, com outros jovens finalistas açorianos, entre eles o Mota Amaral de S. Miguel e Medeiros Ferreira da ilha Terceira. Constatámos ainda que as raparigas açorianas eram muito mais “recatadas” que nós as madeirenses… Gostávamos muito mais de dar um “pé de dança”…
Ao fim de quase duas semanas de “regabofe”, regressámos ao Funchal, trazendo na bagagem uma mala cheia de inolvidáveis recordações e de Saudade. E porque neste tempo partilhámos o mesmo espaço, as mesmas festas, as mesmas alegrias, as mesmas peripécias, ficara ainda mais sólido aquele sentimento tão grande e lindo como o Mar – a AMIZADE.
Em Portugal:
Enquanto isso, na Madeira:
E, talvez o acontecimento mais importante para nós, setimanistas:
Era assim a Madeira em 1959



Não sei quando começou, não sei onde é que começou, só sei que desde então, nunca deixou de acontecer.
Refiro-me aos nossos jantares, realizados aqui em Lisboa.
Periodicamente, diria, quase mensalmente, lá estão os "setimanistas 59-60", à volta de uma mesa, discutindo os problemas do mundo, do país, da Madeira e por vezes da nossa rua.
Temos sempre solução para toda as dificuldades que são enunciadas.
Há um organizador para cada jantar.
O último, foi na passada 3ª feira e foi da responsabilidade do João Luís Menezes.
Escolheu o Restaurante D.Feijão. Pela primeira vez repetimos um restaurante, mas o organizador está desculpado, pois desconhecia que isso ia suceder.
Responderam à chamada 15 "setimanistas" . Faltaram alguns dos fiéis.
O próximo jantar realiza-se a 5 de Maio. Aqui fica a notícia.
Entretanto,por que o DJ da casa do Granwehr, vai passar a Semana Santa a Sevilha, suspende por uma semana, esta maravilhosa Tarde Dançante.
Uma vez por trimestre o nosso amigo Granwehr, lá organizava uma tarde dançante na sua casa na Estrada Monumental.
Julgo que era um bom pretexto para estar junto da sua amada, pois tímido como era, não encontrava outro meio para fazer a abordagem.
Como e muito bem lembra a Luisa, lá íamos (os que eram convidados) carregados com o gira-discos (na altura chamávamos "pick-up") e os discos de vinil, com as nossas músicas preferidas na época.
Aí escutámos e dançámos ao som do Marino Marini, do Paul Anka, do Elvis Presley etc.
Aí inventámos as expressões "está fininho" e "estás a encruar". Aí nasceram e morreram as primeiras paixões platónicas.
durante os próximos dias reviveremos a música das tardes dançantes do Granwehr.
Hoje não tenho tempo nem inspiração para escrever, no entanto apetece-me comunicar.
"Amizade
Muitas pessoas irão entrar e sair da sua vida
mas somente verdadeiros amigos deixarão pegadas no seu
coração.
Para lidar consigo mesmo, use a cabeça,
para lidar como os outros, use o coração,
raiva é a única palavra de perigo.
Se alguém te traiu uma vez, a culpa é dele;
Se alguém te trai duas vezes, a culpa é sua.
Quem perde dinheiro, perde muito,
Quem perde um amigo, perde mais.
Quem perde a fé, perde tudo.
Jovens bonitos são acidentes da natureza:
Velhos bonitos são obras de arte.
Aprenda também com o erro dos outros,
você não vive tempo suficiente para cometer
todos os erros.
Amigos você e eu...
Você trouxe outro amigo...
Agora somos três...
Nós começamos um grupo...
Nosso círculo de amigos...
E como um círculo,
não tem começo nem fim...
Ontem é história:
Amanhã é mistério,
Hoje uma dádiva,
É por isso que é chamado presente..."
Fabiano Lustosa
Lembram-se?!
Na década de 50, a nossa rotina citadina era quebrada, sempre que nevava no Pico do Areeiro.
Naquele tempo (25 AAJ)* o Pico do Areeiro ficava longe e era necessário um dia completo para "irmos à neve".
Alugava-se uma camionete (ou seja um horário) e com partida do Liceu, lá iamos agasalhados a caminho do Poiso.
A camioneta aí parava e toca a fazer o resto do percurso a pé, obviamente após termos aquecido com uma ou duas ponchas (consoante as posses) na Venda do Poiso.
Atirávamos neve (julgo que era granizo) uns aos outros, tirávamos umas fotografias do grupo e lá regressávamos à camionete.
O regresso era sempre mais barulhento, mas as canções não variavam muito. Eram as mesmas da ida: "Ai Borda Rica Filha Borda Borda" e "Se Um elefante incomoda muita gente.." nos intervalos lá vinha uns F..R...ÁS.
Isto acontecia uma ou duas vezes por ano.
Ora digam lá que a Juventude Madeirense não se divertia nos anos 50!!!
*Tradução: AAJ=Antes do Alberto João
Também faz parte das nossas Pequenas Memórias e dos Bons Momentos dessa época.
Durante a nossa vida:
Conhecemos pessoas que vem e que ficam,
Outras que, vem e passam.
Existem aquelas que,
Vem, ficam e depois de algum tempo se vão.
Mas existem aquelas que vem e se vão com uma enorme vontade de ficar...
No Liceu do Funchal, há cinquenta anos, tudo estava hierarquizado e arrumadinho no seu lugar. O Reitor mandava na Escola, o vice-reitor velava pela disciplina, os professores ensinavam, os estudantes aprendiam e .... os contínuos, ah.... os contínuos, esses, mandavam, velavam pela disciplina e ainda ensinavam algumas coisas, do muito que tinham aprendido ao longo da vida.
Nunca entendi por que é que eram classificados como PESSOAL MENOR, mas sempre aceitei que chamássemos ao professor de Matemática o Camachinho, à professora de História, a Ana Leal, ao professor de Ciências, o Canedo, ao professor de todas as disciplinas, o Horácio Bento, contrapondo ao modo cerimonioso e respeitador, que, qualquer que fosse a circunstância e ocasião, ao referirmo-nos aos contínuos, fazíamos anteceder os seus nomes por um redondo e sonoro Senhor.
Eram eles: o Senhor Cró, que mandava nos Laboratórios, o Senhor Nóbrega,que mandava na Biblioteca, a Dona (ou seria Senhora Dona?) Conceição, que mandava no recreio das raparigas, o Senhor Mário, lá mandava no recreio do primeiro ciclo e o Senhor Plácido que mandava em todo o Pessoal Menor. Em linguagem Matemática diria que o Senhor Plácido era Máximo dos Mínimos.
Embora pertencendo à equipa do Pessoal Menor, mas recusando o tratamento senhorial, havia mais um, o Jorge. O Jorge que, teoricamente, mandaria no recreio dos mais velhos, na prática não mandava em nada, não se importava que o tratássemos por tu e, muito menos, que o tratássemos pela alcunha "O Pele e Osso". Para nós, o Jorge, embora pertencendo à equipa do Pessoal Menor, era de facto o Maior. Ele emprestava-nos dinheiro, ele emprestava a bola para jogarmos futebol, ele comprava e vendia os nossos livros usados, ele mesmo, qual Mecenas, financiou e suportou a equipa de futebol B do Liceu. Única condição, o equipamento ser azul e amarelo, as cores do seu clube de coração, o União da Madeira.
O Jorge, faleceu em 1960.
O José Saramago não se importará com certeza que roubemos o título para fazermos este blog.
Venham daí as nossas PEQUENAS MEMÓRIAS, dos tempos em que, juntos no Liceu, construímos esta velha amizade que importa conservar.
O Liceu Jaime Moniz, situado em plena cidade do Funchal, no bairro de Santa Maria, começou a funcionar a 8 de Outubro de 1942.
O edifício e as áreas circundantes foram projectados pelo arquitecto Edmundo Tavares tendo os cálculos e a direcção técnica ficado a cargo do Engenheiro Abel Vieira.