As comemorações dos 50 anos de Liceu exige que façamos os esforços necessários para encontrar, todos os que pertenceram ao grupo dos "Setimanistas 59/60" e convidá-los a participar.
Das poucas pessoas de quem não temos (ou pelo menos eu não tenho) qualquer pista é a Violeta.
Quis o acaso que, graças à Net, encontrasse uns poemas escrito por esta nossa antiga colega e algumas pistas do seu paradeiro.
Na expectativa que estas pistas ajudem ao contacto com a Violeta, transcrevo o que encontrei e aguardo que alguém continue esta "investigação" até contactarmos com a Violeta.
VIOLETA TEIXEIRA
DESOLADO, DEBRUÇA-SE O POETA
Desolado, debruça-se o poeta
Sobre os regatos
Do ontem e do hoje,
Mas, debalde, se observa.
Sujas se tornam, logo, as águas.
Assume, num silêncio demasiado
Branco, aquele desconcerto, mas
De súbito, consente que
O devorem
As línguas ígneas e vorazes
Do ressentimento.
TOMOU A DOSE DE ÁCIDO QUE LHE BASTASSE
Tomou a dose de ácido que lhe bastasse.
Pousou a cabeça na almofada, excessiva, do pranto,
E figurou-se morta a última célula viva, que lhe
Restasse, à última hora da madrugada. Falhou-se o desígnio.
Despertou às nove horas da manhã, vomitando náuseas
Da vida e de cansaço, com sulcos fundos, cavados nas
Faces lívidas, e lágrimas ácidas de logro.
Coloque-se a máscara, finja-se a vida
Que se não vive, adie-se o desenlace
Para o dia seguinte, se o houver, disse, com desânimo:
O do silêncio do não ser.
Lavou os rostos, olhando-se no espelho, na véspera
Estilhaçado de rasas raivas, e desatou aos gritos, pela casa:
"Que morte, sem charme teria sido, na cama ou
No camarim! Gauche idée! Uma actriz só
Se suicida, pisando o palco. Diante de uma plateia."
OS VENTOS VERDES
Os ventos verdes
Do Atlântico
Ramalham-me a libido
E os pensamentos,
Porque as suas crinas,
Húmidas, exalam
Essências excitantes,
De seivas
Marítimas,
E notícias de mim,
De paragens longínquas,
Esquecidas, das
Viagens
Que não fiz.
Violeta Teixeira
(Funchal, 1942)
(in «Partos de Pandora»,
Magno Edições, 2001)
*
Violeta Carmelita Teixeira dos Santos nasceu a 6 de Fevereiro de 1942, na cidade do Funchal (Madeira). Licenciada em Filologia Romântica pela Universidade de Letras de Lisboa, é professora na Escola Secundária de Francisco Rodrigues Lobo, em Leiria, onde reside há cerca de trinta anos. É co-autora de manuais escolares de Português A, para os 10º., 11º., e 12º., anos e participou na colectânea "Juntos por Timor Loro Sae" (1999). Publicou: Falo-vos de Silêncio, Magno, 1999; Lânguidas Fúrias, Magno, 2000; Afluentes Lunares, Magno, 2001 (1º Prémio Literário Afonso Lopes Vieira); Partos de Pandora, Magno, 2002; Resinas de Abulia, Magno, 2003.
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um beijo antonio rocha nova palheiro
ResponderEliminarum beijinho do antonio rocha nova palheiro
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