




Crónica e fotos de Vasco Lemos Vieira
2- Burgos e San Sebastian – Donóstia
E fomos ao caminho com as malas cheias, sempre com coisas a mais.
Em cada esquina uma nova toilette, eles e elas, mudando de cores e conjugando tons com requinte e bom gosto.
Mas a beleza que os sorrisos sublinhavam era evidente. Será das minhas visões mas estas miúdas foram sempre do mais bonito que me lembro. Refiro às ilhéus claro…
É difícil esquecer a atracção de Salamanca e partir, mas há quase a certeza que vamos continuar a gostar e que a beleza não nos larga. A beleza e a vaidade agora assumida e que prendia nos tempos do Liceu.
Olhando a paisagem sentíamos que íamos para Norte e que há sempre um norte.
Burgos parece ser só a magnífica Catedral
Sempre me interroguei porque o Homem se virava ao céu com tanto fausto, procurando ir mais longe e estar perto, mas a beleza e a serenidade que transforma uma tosca pedra num pináculo lançado em mensagem significa sempre o mesmo, querer ir mais alto, levitar e meditar.
Aqui a Catedral é estonteantemente branca, limpa e aponta sempre mais alto.
Houve quem visse um grande lustre em levitação transensorial…
É bom entrar e sentir-se dominado pelo grande. E tudo é obra de homem à custa de homem e virado a Deus que devolve em solenidade e Paz.
Ah, mas e o tempo…era preciso continuar.
Há algum mistério no País Basco. Mistério clandestino que nos dá certa cumplicidade.
A concha de San Sebastian – Donóstia desta vez não era só um
ponto de passagem no regresso da mais rica Europa.
Vínhamos para ficar e ver, a baía e, com surpresa, uma linda e esbelta cidade.
Virados ao Norte, o Pôr-do-Sol fugia à esquerda mas era, é sempre, lindo ver o Sol guardar-se para voltar amanhã.
Ainda hoje não sei distinguir “raciones” de “porciones”e ”clara” de “canhã”, pois deixei isso aos sabedores e sobrava sempre para todos.
Hotel agradável, como quase todos, que com maior ou menor dificuldade nos guardava as malas com manobra que o amigo Augusto ajudava.
Preparava-se a festa para celebrar o aniversário. E houve esboço de reza a Iemanjá, e brindes e bolo de flores e areia. Diferente. A Vivinha gostou e fica para recordar as brincadeiras dos miúdos, fora de horas, junto ao Mar.
Quem disse que não tínhamos guia? Para onde “fugia” a Marta
Íamos todos.
E assim fomos e vimos os búzios e o Mar e passeámos por entre pacíficos tubarões.
Eu ouvi o grito “Avô,avô uma baleeeeia…”
Mais uma partida para outra catedral, esta guardada pela sua mascote, um cãozinho grande, muito grande e de pelo que são flores.
"Já lá estou antes de chegar e ainda ficarei depois de ter partido”(Diderot)















