domingo, 5 de junho de 2011

….e a viagem continua















Crónica e fotos de Vasco Lemos Vieira

2- Burgos e San Sebastian – Donóstia
E fomos ao caminho com as malas cheias, sempre com coisas a mais.
Em cada esquina uma nova toilette, eles e elas, mudando de cores e conjugando tons com requinte e bom gosto.
Mas a beleza que os sorrisos sublinhavam era evidente. Será das minhas visões mas estas miúdas foram sempre do mais bonito que me lembro. Refiro às ilhéus claro…
É difícil esquecer a atracção de Salamanca e partir, mas há quase a certeza que vamos continuar a gostar e que a beleza não nos larga. A beleza e a vaidade agora assumida e que prendia nos tempos do Liceu.
Olhando a paisagem sentíamos que íamos para Norte e que há sempre um norte.
Burgos parece ser só a magnífica Catedral
Sempre me interroguei porque o Homem se virava ao céu com tanto fausto, procurando ir mais longe e estar perto, mas a beleza e a serenidade que transforma uma tosca pedra num pináculo lançado em mensagem significa sempre o mesmo, querer ir mais alto, levitar e meditar.
Aqui a Catedral é estonteantemente branca, limpa e aponta sempre mais alto.
Houve quem visse um grande lustre em levitação transensorial…
É bom entrar e sentir-se dominado pelo grande. E tudo é obra de homem à custa de homem e virado a Deus que devolve em solenidade e Paz.
Ah, mas e o tempo…era preciso continuar.
Há algum mistério no País Basco. Mistério clandestino que nos dá certa cumplicidade.
A concha de San Sebastian – Donóstia desta vez não era só um
ponto de passagem no regresso da mais rica Europa.
Vínhamos para ficar e ver, a baía e, com surpresa, uma linda e esbelta cidade.
Virados ao Norte, o Pôr-do-Sol fugia à esquerda mas era, é sempre, lindo ver o Sol guardar-se para voltar amanhã.
Ainda hoje não sei distinguir “raciones” de “porciones”e ”clara” de “canhã”, pois deixei isso aos sabedores e sobrava sempre para todos.
Hotel agradável, como quase todos, que com maior ou menor dificuldade nos guardava as malas com manobra que o amigo Augusto ajudava.
Preparava-se a festa para celebrar o aniversário. E houve esboço de reza a Iemanjá, e brindes e bolo de flores e areia. Diferente. A Vivinha gostou e fica para recordar as brincadeiras dos miúdos, fora de horas, junto ao Mar.
Quem disse que não tínhamos guia? Para onde “fugia” a Marta
Íamos todos.
E assim fomos e vimos os búzios e o Mar e passeámos por entre pacíficos tubarões.
Eu ouvi o grito “Avô,avô uma baleeeeia…”
Mais uma partida para outra catedral, esta guardada pela sua mascote, um cãozinho grande, muito grande e de pelo que são flores.


"Já lá estou antes de chegar e ainda ficarei depois de ter partido”(Diderot)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Por Terras de Espanha (fotos)











Por Terras de Espanha

O facto do blogue estar a hibernar não significa que os “Setimanistas” o imitem.
Entretanto, os Cubanos realizaram mais um animado e divertido jantar que serviu também para preparar a viagem ao Norte de Espanha.
O Cronista-Mor, dos “Setimanistas 59-60” que, ao contrário de Fernão Lopes, não se limita à nudez da verdade, mas cobre essa nudez com a formosura das palavras, encarregar-se-á de relatar, nesta e noutras crónicas que se seguirão de contar a bem sucedida viagem.
Deixemos pois a palavra, a escrita e as fotos para o nosso Cronista-Mor
Vasco Lemos Vieira:


Grupo de Setimanistas
59/60
Somos todos uns artistas
E já ninguém nos aguenta

A cantar e a dançar
E vendo a banda passar
Jurámos por companheira
Esta linda brincadeira

Em cada um, um Amigo
Em cada um Lealdade
59/60
Grupo de Fraternidade

A caminho de SanTiago
P’ra orar e a cantar
Vamos todos felizes
A festa continuar

(com a música da Grândola…Morena)

Rumo ao Norte, por Terras de Espanha

“ quando o viajar se convierte en placer”


1-Salamanca





Não sei explicar mas à partida sente-se que tudo vai correr bem.
Mais, sente-se que nos aproxima um regresso à emoção da partida para uma excursão “à neve”. Tudo volta a acontecer na escolha dos lugares, nos sorrisos e na alegria de sair, partir e descobrir.
E sem saber bem a propósito de quê e porquê relembramos alguns professores desse tempo e que nos guardavam (?) durante a viagem. E são quase sempre os mesmos os que nos marcaram, por bem e por mal. O Camachinho e a Margarida Morna estão sempre presentes. Serão um símbolo que com outros recordamos.
Partimos Serra acima. O “horário” era uma confortável carrinha de 20 lugares e ao “comando” o sr. Augusto prometia ser simpático como foi.
E as conversas e as cerejas apareciam.
Uma paragem “técnica” e o amigo Augusto queria ajudar os cabelos brancos que querem continuar sem ajuda.
Passámos sem Guarda e logo alguém exibiu o “portinhol”.
Antes das pedras rosadas e bordadas de Salamanca a estrada deixava para trás as giestas em flor. Tudo era apreciado e um pequeno campo de papoilas que contrastava o amarelo era notado.
Uns já viram e como que queriam fazer de cicerones, outros aguardavam.
As belezas da pedra arrumada e talhada ao Céu em majestade começava. Seria assim por quase todo o percurso.
Salamanca por entre História descobria-se e ninguém pode esquecer o entardecer nas fachadas e arcos da sua “ Plaza Mayor”. As conchas e os pátios ficavam para uma próxima vez.
O tempo vai sempre perseguindo o desejo de parar para olhar e ver.
Tempo que nos falta e queremos ter tempo para ter tempo
e, assim guardamos o tempo que não nos guarda a nós.
Mas aqui o tempo é maior, tem “tiempo”.


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terça-feira, 8 de março de 2011

E para que conste ...

Encontrá-mo-nos (nós os "Setimanistas" Cubanos)uma vez mais à volta da mesa, tentando resolver os problemas do país, da Europa, do Mundo e .....do Sporting.
A fonte de inspiração foi um magnífico jantar de degustação (como agora se diz)organizado pelo António Nunes Pereira.
Local do "crime": Restaurante O Torricado, na Praça de Touros do Campo Pequeno.

O Torricado é uma grossa fatia de pão caseiro torrada em lume de vides e depois esfregada com alho e azeite. É uma criação culinária que glorifica o ex-libris ribatejano - o Campino - e o trabalhador rural alentejano - o Ganhão.

Para fazer inveja aos gastrónomos e para que conste em memória futura, aqui fica registado o que degustámos:

Para Começar
• Pão de trigo de Mafra, broa de milho e pão de centeio com manteiga, mousse de queijo fresco, mousse de sardinhas com pimentinhos e pasta de azeitonas dos ganhões alentejanos.
Entradas
• Carapaus de escabeche à moda antiga
• A bola transmontana...
. Salada montanheira algarvia com alfaces e vinagreta de oregãos
• Ovos mexidos com farinheira e feijão verde acoentrado
• Tomates recheados de bacalhau de cebolada
Pratos Principais
• Arroz malandrinho de polvo feito no momento
• Bacorinho assado no espeto à medieval com batata doce no forno, estufadinho das miudezas com feijão encarnado e batata a murro lagareira e puré de maça.
Sobremesas
• Pudim de Mel e Azeite
• Pudim de Maracujá
• Pão-de-ló de citrinos com compota de laranja sanguínea
• Rabanadas caramelizadas com chocolate branco

sábado, 29 de janeiro de 2011

Bem Orientados fomos ao Museu do Oriente



Os “Setimanistas 59-60” , com o passar dos anos em vez de envelhecerem ficam sábios. Desta vez juntando o útil ao agradável, combinaram o seu habitual jantar no Museu do Oriente, onde nas noites de quinta-feira, são promovidas visitas guiadas às exposições permanentes, seguida de jantar no restaurante.
Assim fizemos.
Durante uma hora fomos conduzidos por uma guia (na minha opinião "fraquinha" para o nível do Museu) às exposições:
Presença Portuguesa na Ásia,


e Deuses da Ásia
.



A Presença Portuguesa na Ásia versa a construção da nossa utopia oriental que vem desde o século XV, baseada no comércio, na missionação e no encontro de culturas.
A exposição Deuses da Ásia procura dar a conhecer certos aspectos da arte religiosa asiática, sobretudo ao nível popular.
Aqui estão representadas as grandes religiões do continente: o hinduísmo, o budismo, o taoísmo, o shintô.

Terminada a visita, rumamos ao último piso do Museu onde, no restaurante, um jantar bufete aguardava.
O restaurante é um espaço elegante, com uma decoração minimalista, de linhas direitas e modernas em tons de preto e branco.
A imagem de marca da sala é a soberba vista para a outra margem do Rio Tejo.




Conclusão:
Quem foi gostou;
Aos “Setimanistas” que não participaram nesta visita e neste jantar, recomenda-se.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Mais um jantar





E para não perder os bons hábitos, lá nos reunimos como de costume à volta da mesa (os "Setimanistas" Cubanos).
O jantar decorreu no CIF, no Restelo no dia 26 de Novembro.
Responderam à chamada quinze "Setimanistas" e uma "Penetra".
Ausentes que justificaram a falta:
O Repetente (Padre Jardim Gonçalves);
João Luís Menezes;
Rui Olim
Fernando Freitas;

Os restantes tiveram falta a vermelho.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Passeio de Ouro







Por Vasco Lemos Vieira


Tudo organizado, faltava que o tempo fugisse à previsão. À saída de Lisboa tudo indicava o contrário. E o desconforto da Estação do Oriente evidenciava isso mesmo.
O Alfa trazia a primeira surpresa. Na carruagem vinham muitos dos participantes na aventura que seria conhecer o Douro à chuva.
Logo a chover neste fim-de-semana! É assim a vida, por vezes, muitas vezes queremos chuva e temos Sol.
A viagem foi feita à chuva e as conversas também. Mas a vontade de ir mostrava que fizesse o tempo que fizesse ia ser um encontro em que as amizades de meninos voltariam a valer.
Precisamos de recordar e continuar.
Porto cinzento claro, será que o tempo muda?
Primeiro encontro, e bem improvisado, com filetes de polvo no Aleixo. Fala-se dos que “faltam” e saúda-se os que estão.
Cruzam-se logo “aventuras” do Funchal a Lisboa, ao Porto e a Coimbra, meninas e moças que navegaram e conquistaram.
E eu pensava e via-as à saída do Liceu, e como continuavam agora bonitas.
Convencido que era o fotógrafo de serviço, estatuto ganho por algumas reportagens recentes, dispunha-me a gravar algumas chapas, que agora são pixels e logo se apagam se ficarem desalinhados ou sem cor. A concorrência era feroz pois quase todos exibiam a sua caixinha.
Só que a minha era maior, cabia lá mais gente…. Mas a pressão de não mostrar algumas das fotos era muita pois onde eu via uma boa fotografia elas vêem o tempo e culpam-me por estar tão perto. E é divertido quando me aprovam alguma.
E veio a Música. A Casa é diferente na forma e impõe diferente beleza, mas endireita-se no interior e foi um espectáculo magnífico ver e ouvir “ O violoncelo transfigurado”.
À saída chovia.
Mas tal qual merecíamos a manhã mostrava, entre algumas nuvens, o Sol.
E assim a maior surpresa passou a ser o “Pirata Azul” Esse mesmo, o que atravessava o mar da Travessa entre a Madeira e Porto Santo, levando os passageiros quase ao desespero, estava reformado e agora, mesmo contra a corrente navegava tranquilo nas águas espelhadas do Rio.
A viagem decorria conforme programada e excedia em tudo o que esperava.
O Douro ziguezagueava para nos mostrar as suas margens. O Porto é mesmo sentido visto do seu Rio. As margens são sempre diferentes e bonitas. A água varia a cor de azul a castanho ou verde de continuarmos a passear as nossas recordações.
Cheira o aroma dos vinhos.
E dois dias fugiram entre paisagens, brindes, sorrisos e...planos para a próxima viagem.
Agora quem baloiçava era o comboio que nos trazia de volta. Deve valer a pena a viagem e os balanços mas com o Sol.
E o “Pirata Azul” continuará a fazer as ondas que o perseguem.
Vasco

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Cruzeiro no Douro (último número)

Enfiados num desconfortável comboio inter-regional, lá fomos em direcção ao Porto.

Nestas fatigantes quatro horas de viagem,uns dormiam,
outros liam,
alguns disfarçados de fazendeiros, discutiam animadamente a sua agricultura e a sua pecuária virtual.

A viagem está terminada.

Para trás ficou o Rio Douro, os seus vinhedos, as suas barragens e respectivas eclusas.
Disso tudo demos conta nestas notas que escrevemos.
Mas não poderemos terminar esta "reportagem" sem uma referência às pontes do Rio Douro e que são verdadeiras obras de arte e algumas delas representam o que melhor se faz na engenharia portuguesa.
Avistámos ou atravessámos as seguintes pontes:




A Ponte de Arrábida é uma ponte em arco sobre o Rio Douro que liga Porto (pela zona da Arrábida) a Vila Nova de Gaia .
No tempo da sua construção em 1963, a ponte tinha o maior arco em betão armado de qualquer ponte no mundo.



Esta ponte, assim chamada em honra de Maria Pia de Sabóia, é uma obra de grande beleza arquitectónica, projectada pelo Eng.º Théophile Seyrig e edificada, entre 5 de Janeiro de 1876 e 4 de Novembro de 1877, pela empresa Eiffel Constructions Métalliques. Foi a primeira ponte ferroviária a unir as duas margens do rio Douro.


A Ponte do Freixo é uma ponte rodoviária que liga Vila Nova de Gaia ao Porto, sobre o rio Douro, em Portugal.
Das pontes que ligam o Porto a Vila Nova de Gaia, a Ponte do Freixo é a que está mais a montante do rio Douro. Projecto de autoria do Prof. António Reis, a Ponte do Freixo foi construída na tentativa de minimizar os congestionamentos ao trânsito automóvel vividos nas Pontes da Arrábida e de Dom Luís I, particularmente notórios desde finais da década de 1980.




Baptizada em honra do Infante D. Henrique, nascido no Porto, é a mais recente e, segundo muitos, a mais esbelta ponte que liga Porto e Gaia. Foi construída para substituir o tabuleiro superior da Ponte Luís I, entretanto convertida para uso da "Linha Amarela" (Hospital de São João/D.João II) do Metro do Porto



A Ponte Luís I é uma ponte construída com estrutura metálica, entre os anos 1880 e 1887, ligando as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia (margem norte e sul respectivamente) separadas pelo rio Douro, em Portugal.

A ponte foi inaugurada em 1887, e, devido à ausência do Rei Dom Luís I na inauguração, a população do Porto decidiu, em resposta ao acto desrespeitoso, retirar o "Dom" do respectivo nome. Logo a ponte chamar-se-á "Luís I" e não "Dom Luís I", como erradamente a designam.



Fazendo jus ao seu nome, a ponte foi inaugurada no dia de São João, em 24 de Junho de 1991.
Tal como a Ponte da Arrábida, à data da sua inauguração, também a Ponte de São João com o seu vão central constituiu um recorde mundial neste tipo de pontes, neste caso, para caminho-de-ferro.

E já que estamos nas referências pós-cruzeiro, não posso deixar de recordar as anedotas não publicáveis contadas pela Vivinha, pela Rita e pelo Pimenta.
Só repito a única de que se pode classificar como sendo uma adivinha de salão da autoria do Pimenta.

- Sabes quantos pardais pode um escocês esconder debaixo do seu "kilt" ?
- ??????????
- Depende do tamanho do poleiro.


FIM

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Cruzeiro do Douro (8)

Eis-nos chegados a Barca D´Alva que faz fronteira com Espanha.


Em 1887, Barca d'Alva foi palco da conclusão da Linha do Douro. Com a ligação feita à estação de Boadilla através de La Fregeneda, a Linha do Douro transformou-se numa linha internacional, sendo a ligação mais directa entre o Porto e o resto da Europa.

Porém, em 1985, o troço Boadilla-Fregeneda-Fronteira do Águeda foi encerrado. Barca d'Alva e o Douro perdiam a sua ligação internacional, e em 1988 era a vez do último comboio apitar em Barca d'Alva, com o encerramento do troço Pocinho-Barca d'Alva. Actualmente, todo o conjunto da estação está abandonado.

Como tivemos oportunidade de verificar, Barca D´Alva hoje é um lugar morto. Morta está também a linha férrea que liga ao Pocinho.
Não resisti e fui "roubar" à net estes slides que reproduzo aqui, para que tenhamos presente que Portugal é um país sem interior.
Este é o troço e a paisagem que nos privaram de conhecer.
Como quem não tem cão, caça com gato, lá fizemos o percurso Barca D´Alva-Pocinho no nosso Pirata Azul, durante o qual preparámos o estômago com um lanche(?), constituido por caldo verde, chouriço, enchidos, queijos e vinho.
Assim se lancha no Norte de Portugal.

Bem lanchados, cá estamos na Estação do Pocinho



Aguardando o comboio



A viagem está prestes a terminar.


Continua