quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Contagem Decrescente

A amizade é haver uma alma em dois corpos.
(Aristóteles)



Dentro de dois meses vamos comemorar o cinquentenário da nossa última passagem pelo Liceu do Funchal.
Trata-se de um acontecimento que, na minha opinião, deverá ser assinalado condignamente por todos aqueles que nesse momento tenham a possibilidade de o fazer.

São várias as razões que justificam essa comemoração:

• Foi uma etapa importante e determinante para as nossas vidas;
• Fazemos parte de um grupo e de uma geração que teve o privilégio de crescer e envelhecer juntos;
• Fazemos parte de um grupo e de uma geração que conhece profundamente o significado da palavra amizade;
• Fazemos parte de um grupo e de uma geração que tem obrigação de transmitir aos nossos vindouros (leia-se netos para alguns) sentimentos como o companheirismo, a alegria a solidariedade e a amizade. A comemoração deste acontecimento é um bom pretexto para isso.

Ao criar este Blogue, procurei dar o meu contributo, embora modesto, para recordar a nossa passagem pelo Liceu do Funchal.
Tive boas ajudas sem dúvida, nomeadamente em material fotográfico,o que permitiu ilustrar os bons momentos que vivemos na nossa juventude, particularmente no ano lectivo de 59-60.
Recordámos os nossos passeios, os nossos bailes, as nossas tardes dançantes, a nossa Récita, a nossa viagem aos Açores.
Recordámos os nossos amigos e a amizade que nos une.
Recordámos uma parte importante da nossa vida.Julgo que conseguimos criar um album de "Pequenas Memórias".
Vamo-nos encontrar no final de Novembro, para em conjunto festejarmos esta efeméride.
Até lá, só excepcionalmente voltarei a escrever neste Blogue. Isto não significa que outros, com certeza melhor do que eu, o possam fazer.
Este Blogue sempre esteve e está aberto a todos os "Setimanistas 59-60".
Façam-me chegar os vossos textos que eu publicarei.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Balada do Regresso

A primeira e rápida resposta ao repto que lancei, veio da Manuela Drumond.

Aqui fica a sua Balada:



Partimos, levámos saudades

da Madeira, do Funchal e do luar...

Regressamos com outras idades

para festejar e recordar


Meio século passou

rimos, morremos, vivemos

mas em nós sempre ficou

amizades que nunca esquecemos...



Olá querida Madeira

lindo Funchal

olá luar

Adeus Madeira

adeus Funchal

será que iremos voltar ?



Em nome dos "Setimanistas 59-60" obrigado pelo teu contributo.

Ficamos a aguardar outros.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Balada de Despedida

Adeus lindo Funchal
Adeus luar
Nossa Madeira
Vem ver-nos irmos embora
Que a alma chora
Ao te deixar


Adeus lindo Funchal
Adeus luar
Nossa Madeira
Que hoje é a despedida
E a partida
Nos faz chorar

Foi assim a nossa despedida do Liceu do Funchal há cinquenta anos.
A Luísa Spínola sempre atenta e fiel guardadora das nossas "Pequenas Memórias" fez-me chegar às mãos a letra da nossa Balada de despedida e que, emotivamente, tal como já referi, entoámos no final da nossa Récita.
Pensa-se que a letra é do nosso saudoso colega Jaime Raposo. Seja ou não do Raposo quem quer que tenha sido o autor desta Balada, soube de um modo simples, escrever e transmitir o sentimento de um "Setimanista" que em 1959/60 deixava a Madeira e o Lar paterno pela primeira vez, para vir para o Continente estudar.
Passaram cinquenta anos. Embora o Funchal continue a ser lindo e o luar da Madeira o mesmo, os hábitos, os comportamentos e a forma de viver modificou-se. Muitas das coisas que evocámos e recordámos neste blogue, não têm qualquer sentido para os "Setimanistas" de 2009/10.
Isso não impediu que as tivessemos recordado à nossa maneira e com o nosso humor, provavelmente ultrapassado.
Embora, correndo o risco de ser catalogado como saudosista e retrógrado, lanço daqui um repto aos "Setimanistas 59-60". Tal como o Raposo há cinquenta anos escreveu uma Balada de despedida, por que não escrever uma Balada para o nosso reencontro dentro de dois meses. Quem é o poeta voluntário?

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Os "Setimanistas 59-60" têm Nome




"Conheces os nomes que te deram, não conheces o nome que tens"
Livro das Evidências


Assim transcreve José Saramago no seu Livro "Todos os Nomes"

São estes os Nomes dos "Setimanistas 59-60" que, há 50 Anos deixaram o Liceu do Funchal.
São estes os Nomes dos "Setimanistas 59-60" a razão de ser deste Blogue.
São estes os Nomes dos "Setimanistas 59-60" que em 28 de Novembro de 2009, se encontrarão para comemorar essa efeméride.

Ana Maria Hempel Nunes
Ana Maria Pinguinha Canha
Helena Maria Vieira Telo de Menezes
Isabel Margarida Vasconcelos de Couto Cardoso
Judite Camacho da Silva Santos
Margarida Maria Macedo Pita da Silva
Margarida Maria Oliveira Mendes
Maria Angela Andrade Martins
Maria do Carmo Homem Costa de Almeida
Maria do Carmo Marques de Sena Lino
Maria Cecília Neves Castanheta
Maria Dina de Freitas
Maria das Dores Faria Nepomuceno
Maria Elda Teixeira
Maria Elisabete Azevedo
Maria da Graça Mota Moniz de Sousa
Maria Helena Bettencourt Antunes
Maria Humbertina Mota de Freitas
Maria José Gomes Camacho
Maria Lourdes Fernandes Loja
Maria Luisa Albuquerque Spínola
Maria da Luz Rodrigues Quintal
Maria Manuela Drumond Araújo de Abreu
Maria Margarida Correia Leal
Marta Maria de Barros Pinto da Silva
Susana Olívia Machado de Gouveia
Violeta Carmelita Teixeira dos Santos
Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim
Álvaro Machado Fernandes Gouveia
António Alberto da Silva Jesus
António Figueira Nunes Pereira
Avelino de Sousa Coelho
António Gorjão Jardim de Azevedo
Emanuel Alexandre Jardim
Emanuel Martins Jervis Pereira de Freitas
Emanuel do Nascimento dos Santos Rodrigues
Fernando Azevedo Lemos Gomes
Fernando Egídio Ramos de Freitas
Fernando Emanuel de Freitas
Fernando João Sousa Oliveira
Fernando José Fonseca de Barros
Fernando Rui Gomes Camacho
Francisco Luis da Câmara Santa Clara Gomes
Francisco Plácido Alves Gouveia
Gil Tibúrcio de Freitas
Helder Artur Correia da Silva
Jaime Raposo Costa
João Carlos Ferraz Sardinha
João Carlos Rodrigues de Sales Caldeira
João Luís de Sousa Menezes
João Manuel Olim Marote
João Silvério Castro Fernandes
João Silvino Fernandes
João Tomás Ramos de Freitas
Josef Anton Mendes Granwehr
José Augusto Castro Correia
José Flávio Vieira Nóbrega
José Luis Andrade Martins
José Manuel Figueira Gonçalves
José Manuel Macedo Azeredo Pais
José Manuel Sousa Vasconcelos
Justino Augusto Baptista Abreu dos Santos
Luis Alberto Andrade Canning Clode
Manuel Schön Gomes da Silva
Mário António Passos Freitas Pereira
Nuno Manuel Sousa Menezes
Nuno Pinto Coelho Homem da Costa
Orlando Cabral Barreto
Óscar Dayrell Marrecas Portela Ribeiro
Remígio do Nascimento de Freitas
Rui Barros e Sousa Olim
Rui Manuel Gouveia Pinto da Silva
Vasco António Lemos Vieira

Nem todos estarão fisicamente presentes, estou certo, uns por razões pessoais, outros, por que a vida foi mais rápida do que seria o seu e o nosso desejo.
Ana Canha, Elisabete Azevedo, Emanuel Alexandre, Fernando Oliveira, Tibúrcio de Freitas, Helder Silva, Jaime Raposo, Fernando Camacho, João Sales Caldeira, João Olim Marote, João Ramos de Freitas, José Manuel Gonçalves, José Azeredo Pais, Remígio de Freitas, pertencem ao segundo Grupo. Foram os primeiros a partir, mas não foram nem serão esquecidos nestas comemorações.

Ao grupo de "Setimanistas 59-60" que fazem parte da "lista oficial" seria injusto não acrescentar os nomes do J. M. Pimenta e da Ângela Pereira de Sousa, mais tarde Ângela Oliveira que connosco sempre conviveram e que, por razões burocráticas ou conjunturais, não foram mencionados naquele grupo. Afectivamente e efectivamente, pertencem e estarão connosco na primeira linha das comemorações dos 50 anos.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Balada

Balada, reza o Programa da Récita, mas na realidade deveríamos acrescentar Balada da Despedida.
Era uma despedida antecipada bem sei, mas naquele momento e naquela época significava que dentro em pouco iríamos deixar a Madeira, iríamos deixar o Liceu do Funchal, iríamos deixar alguns dos nossos amigos, iríamos deixar as nossas famílias.
À boa maneira de Coimbra, esta despedida era sublinhada pelo som pungente da guitarra e por uma voz quente e nostálgica de um dos "Setimanistas".
Assim aconteceu na nossa Récita.
A Voz do Francisco Plácido fez-se ouvir acompanhada pela Guitarra dedilhada pelo João Carlos Sardinha.
A foto a seguir reproduzida, grava esse momento inesquecível na vida de um "Setimanista", momento esse que se veio repetir, pelo menos para aqueles que frequentaram ou terminaram os seus Cursos em Coimbra.

.

Não temos registado nem o som, nem o bater dos corações dos "Setimanistas" neste final de Récita, mas estou convicto que sendo a nostalgia um sentimento universal e intemporal, as Baladas que seguem, darão uma ideia daquilo que ia na alma dos "Setimanistas 59-60".




quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O Julgamento do Caloiro


A 2ª Parte da Récita está concluida. Os "Setimanistas" já fizeram o intervalo. Preparam-se agora, envergando as suas capas, para iniciarem o Julgamento do Caloiro.

O escriba, não sabe que volta a dar a este Julgamento do Caloiro. Só se recorda que, de vela na mão, como se pode ver na imagem acima, a cada voz de comando do exubrante advogado de acusação gritava a plenos pulmões A MOKA É ETERNA.
O escriba,decide transitoriamente disfarçar-se de escritor produzindo os textos seguintes:

Julgamento do Caloiro em 1959

Cenário macabro.
Ambiente escurecido, objectos de tortura, castiçais armados sobre caveiras.
Juízes (doutores) jurados, advogados, carrasco (tudo do género masculino) Mulher não participa.
Réu (caloiro) com o rosto embuçado e sentado.
Servia de banco do réu um penico.
O julgamento vai começar. Sente-se o “défice democrático”, o caloiro não tem advogado de defesa.
Juiz ordena:
Levante-se o réu e faça um discurso subordinado ao tema
“Qual nasceu primeiro, o ovo ou a galinha”;
O caloiro treme, balbucia umas frases sem nexo e sem piada.
O juiz dá-lhe uma segunda hipótese e exige que o caloiro faça uma caracterização do papel higiénico.
Os jurados concluem que aquilo era a caracterização do guardanapo de papel, pelo que o caloiro tem de voltar atrás.
O juiz solicita ao caloiro, cortesmente que conte uma anedota. Como ninguém se riu, antes se entreolharam como que a dizer: "onde está a graça?" o caloiro é obrigado a fazer 100 flexões.
O Juiz exibe um fósforo e pergunta o que aquilo é, ao que o caloiro, já meio de pé atrás, diz: "é um fósforo". Os jurados decidem: O caloiro passa à categoria de ignorante e como prémio (não há castigos, mas prémios) tem de ir medir o Ginásio do Liceu com o fósforo. Já a meio do Ginásio, o carrasco pergunta ao caloiro quantos tinha já medido?
O caloiro falha por um fósforo.
Os jurados exigem a sua repetição.
O Julgamento termina.
O caloiro é condenado a pagar uma rodada de cerveja para todos.



O Julgamento do Caloiro em 2009

Cenário minimalista.
Ambiente cheirando a cerveja.
Chão coberto de Ketchup e mostarda.
Eles e Elas sem qualquer hierarquia, sentados em cadeiras em volta dos caloiros (um casal) que vão ser julgados.
Os caloiros estão sentados sobre uma grade de cervejas.
O julgamento vai começar. Sente-se a “asfixia democrática”, os caloiros não têm advogados de defesa.
A caloira grita:
-Tamadar1fanico.
O caloiro grita:
-S´tou ká kuma larica.
Eles e Elas respondem:
-Kala-te…Kala-te.
O caloiro diz:
-Kero Komer qq coisa.
Eles e Elas têm akele golpe de asa k se impõe e gritam em uníssono:
-Kome…Kome…Kome
Um Ele mais excitado grita:
- Kome…Kome … Kome a Garina
Uma Ela mais entusiasmada grita:
-Essa ideia é do DEMO! Eu apoio pá!
Uma outra diz:
- Kome …Kome…Kome o Chavalo.
Um Ele diz:
-Men! É óbvio k apoio a ideia. É uma ideia bué de fixe.
Outra ainda, dirigindo-se à caloira:
-Sua sortuda pistoleira.
Outro dirigindo-se ao caloiro:
-Olha k sou teu padrinho.
O casal rebola no chão coberto de ketchup e mostarda.
Eles e Elas gritam:
-Kome…Kome…Kome
Eles e Elas decidem que a performance dos caloiros foi má.
O caloiro é obrigado a beber 10 shots.
A caloira é obrigada a beber 10 shots.
Eles e Elas brindam com 10 shots cada.
Caem todos no chão, coberto de ketchup e mostarda. Estão em coma alcoólico.
O Julgamento termina.
Os caloiros são condenados a pagar os shots.

domingo, 6 de setembro de 2009

Samba Fantastic ou Sambistas Fantásticos?

Regressado da "movida" Madrilena, com os ouvidos cheios de Zarzuelas e Flamencos, o escriba teve que consultar uma vez mais o Programa da Récita e confirmar que o número musical que falta para completar a 2ª Parte, não é nenhuma dessas espanholices, mas sim um Brasileirissimo Samba, intitulado Fantastic .
Que os Setimanistas cantaram e dançaram o Samba, não restam dúvidas, basta olhar para o ritmo desta fotografia:


Agora que o Samba se intitulasse Fantastic, como reza o programa, é que é mesmo duvidoso.
Consultei especialistas, curiosos, cantores, estudiosos da música brasileira. Todos desconhecem um Samba com este título.
Com certeza Fantasticos foram os nossos Setimanistas na sua interpretação e Fantastica é a Escola de Samba da Mangueira:



e Fantástico é este Samba com que encerramos a 2ª Parte da nossa Récita.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Tu vuo fa la americano

Deixemos o nosso Bailinho a ser dançado e divulgado pelo mais mediático dos nossos "Setimanistas" encerremos o número do Pequeno Álbum Musical de Portugal, consultemos o Programa da Récita e vejamos o que se segue.

TU VUO FA LA AMERICANO

Os Setimanistas 59-60 estavam mesmo actualizados.
Renato Carosone (Nápoles, 3 de janeiro de 1920 – Roma, 20 de maio de 2001)que era um cantor, pianista e compositor italiano, dos mais reconhecidos da música daquele país na segunda metade do século XX havia acabado de compôr e tocar aquela música.

Ouça-mo-lo:



Cantemos:

Puorte o cazone cu 'nu stemma arreto,
'na cuppulella ca' visiera alzata.
Passe scampanianno pe' Tuleto
comme a 'nu guappo pe' te fa guardà.

Tu vuo' fa' l' americano,
mmericano, mmericano,
siente a me, chi t' ho fa fa.
Tu vuoi vivere alla moda
ma se bevi whisky and soda
po' te sente 'e disturbà.

Tu abballe 'o Rock and Rol,
tu giochi a basebal,
ma 'e solde pe' Camel
chi te li dà,
la borsetta di mammà?

Tu vuo' fa' l' americano,
americano, americano,
ma si nato in Italy,
siente a me, non ce sta' niente a ffa
okay, napolitan.
Tu vuo' fa' l' american,
tu vuò' fa' l' american.

Comme te po' capì chi te vò bene
si tu le parle 'mmiezzo americano.
Quando se fa l 'ammore sotto 'a luna
come te vene 'n capa e di:"I love you".

Tu vuo' fa' l' americano,
mmericano, mmericano,
siente a me, chi t' ho fa fa.
Tu vuoi vivere alla moda
ma se bevi whisky and soda
po' te sente 'e disturbà.

Tu abballe 'o Rock and Rol,
tu giochi a basebal,
ma 'e solde pe' Camel
chi te li dà,
la borsetta di mammà?

Tu vuo' fa' l' americano,
mmericano, mmericano,
ma si nato in Italy,
siente a mme non ce sta' niente a ffa
okay, napolitan.
Tu vuo' fa' l' american,
tu vuo' fa' l' american.

Tu vuo' fa' l' americano,
mmericano, mmericano,
siente a me, chi t' ho fa fa.
Tu vuoi vivere alla moda
ma se bevi whisky and soda
po' te sente 'e disturbà.

Tu abballe 'o Rock and Rol,
tu giochi a basebal,
ma 'e solde pe' Camel
chi te li dà,
la borsetta di mammà?

Tu vuo' fa' l' americano,
mmericano, mmericano,
ma si nato in Italy,
siente a mme non ce sta' niente a ffa
okay, napolitan.
Tu vuo' fa' l' american,
tu vuo' fa' l' american.

Whisky and soda e Rock and Rol.
Whisky and soda e Rock and Rol.
Whisky and soda e Rock and Rol.

Tu vuo' fa' l' americano,
mmericano, mmericano,
ma si nato in Italy,
siente a mme non ce sta' niente a fa
okay, napolitan.
Tu vuo' fa' l' american,
tu vuo' fa' l' american.

Whisky and soda e Rock and Rol.
Whisky and soda e Rock and Rol.
Whisky and soda e Rock and Rol....

Não me lembro quem foi o nosso Renato Carosone, mas não tenho quaisquer dúvidas que esteve à altura deste grandioso momento musical

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Pequeno Álbum Musical de Portugal (3)

Chegou o grande momento deste Pequeno Álbum Musical de Portugal.
Os nossos "Setimanistas" deixaram para o fim, neste percurso musical que fizeram,o Bailinho da Madeira.
O escriba deste Blogue, com a sua alma Madeirense (curiosa e pedagógica), procurou saber as origens deste Bailinho. Surpresa das surpresas(pelo menos para mim)o bailinho da Madeira, tal como o conhecemos hoje, foi apresentado pela primeira vez em 1938.
E eu a pensar que já existia quando a Madeira foi descoberta?! O que a Récita me tem ensinado!!
Vejamos o que diz a fonte destes meus conhecimentos:

Artur Andrade na edição do Diário de Notícias da Madeira de 22 de Setembro de 1990 explica como foi criado e divulgado o famoso Bailinho da Madeira.

Ora vejam:

O nosso bailinho…
Artur Andrade*

"Deixa passar"
Esta nossa brincadeira"

"Claro que todos vocês conhecem estes versos e a música a eles inerentes... (Haverá em qualquer parte do mundo um madeirense que não os conheça?)
Pois meus queridos! Na quarta-feira desta semana fez cinquenta e dois anos que o Funchal ouviu pela primeira vez esta melodia tão nossa identificadora: O bailinho da Madeira.
Vou contar tudinho porque, eu - então com a idade da maioria de vocês - estava lá...
Foi numa segunda-feira, 18 de Setembro de 1938... Nesse fim-de-semana realizara-se uma denominada "Festa da Vindima", com o fim de angariar donativos a benefício da Escola de Artes e Ofícios - que tinha sido vítima de um incêndio - instituição mais tarde substituída pelo actual Colégio dos Salesianos.
De várias freguesias vieram ranchos trazendo produtos da terra que foram vendidos a favor da dita instituição. Pela mesma altura realizou-se no Campo Almirante Reis um concurso com grupos folclóricos... Estou a vê-los...
Numa tribuna, armada no local, estavam presentes o governador civil e outras entidades. Num outro estrado exibiam-se os grupos folclóricos. Mas curiosamente, a melodia - hoje famosa em "todo o mundo" - é tocada e dançada não no estrado mas sim quando se dirigem junto à tribuna para cumprimentar as autoridades. Passou-se assim...
Chegada a vez do grupo do Arco da Calheta, este com o chamado “Feiticeiro da Calheta” - com a sua viola de arame - à frente, avança cantando o seguinte estribilho:
" Deixa passar
Esta nossa brincadeira
Que nós vamos cumprimentar
O governo da Madeira"
Seguem-se quadras - que a memória não lembra - tudo letra e música do já falado "Feiticeiro da Calheta".
De tarde, e pela noite adiante, o rancho vencedor e outros percorriam a cidade cantando ao som da música do actual bailinho da Madeira:
" Deixa passar
O senhor da capa preta
Quem ganhou o primeiro prémio
Foi o rancho da Calheta"
Depressa a melodia se torna popular.
Uma orquestra madeirense, __ Tony Amaral - tendo o nosso Max como vocalista e que durante alguns tempos actuaram no Continente, fazem um arranjo com sabor e influência da nossa música folclórica, tornando-a conhecida em todo o Portugal.
Hoje, deve ser a música portuguesa de raiz popular mais conhecida, não só no nosso país como fora dele ... Exemplo, é o facto de ter sido gravada pela sinfónica de Londres.

Nota:
Do «Feiticeiro da Calheta" - o verdadeiro autor do "Bailinho da Madeira" - falecido na década de setenta - quem dele se lembra?...
O jornalista do Diário de Notícias, na época, dizia tratar-se do "Feiticeiro do Norte" mas ,este é um outro - a nosso ver com mais valor - poeta popular do Arco de São Jorge falecido na década de cinquenta
."




* Artur Andrade foi Professor, músico e homem da imprensa, nasceu em 1927, em S. Vicente, e morreu em 1992.Nos anos 70 com António Aragão (historiador) realizou recolhas de música tradicional. Trabalho editado em 1982, 2LP intitulado “Cantares e música da Madeira” e alguns CDs em 1996 editados pela DRAC.




Avancem os Setimanistas para cantar e dançar o Bailinho da Madeira:







Eles (e Elas) cantaram, saltaram, gritaram...foi uma Festa. Depois deste Bailinho todos os "Setimanistas" foram dançar outros Bailinhos. Todos???...Não. Todos menos um. Houve um "Setimanista" que entusiasmado com o sucesso do Bailinho, fez disso profissão, como se pode inferir do quadro seguinte:

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Pequeno Álbum Musical de Portugal (2)

O nosso Programa da Récita é rigoroso. Continuamos a descer o rectângulo, (há 50 anos era designado por Portugal Continental) e continuamos a divulgar o seu folclore.

Os nossos "Setimanistas" cantam e dançam. São versáteis, venha o Fandango, venha o Corridinho, venha uma canção Alentejana, lá estão eles em todas como se prova pelas fotos que se seguem:










E acontece Fandango:




Vamos mais para o Sul:




E acontece Corridinho:





Bolas...Saltei o Alentejo. Aqui vai:




E acontece esta linda Canção. Oiçam e vejam as fotos que ilustram:









Uf... Por hoje chega.O folclore do rectângulo está coberto. Falta a Madeira.


Continua no próximo número