Por: Vasco Lemos Vieira
Tão cedo passa tudo quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
E cala. O mais é nada.
Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa
Olhei a lista de nomes na folha e não percebia a diferença. Estavam ordenados pelo nome mas por quê alguns estavam sublinhados a vermelho, vermelho vivo, agressivo mesmo?
Rapidamente concluí e lembrei-me, cara a cara, de todos.
Afinal foram os primeiros a descobrir o mistério da Vida e da Morte.
Como se diz no início do blogue partiram mais cedo do que desejaríamos.
Estão, como todos, na nossa memória mais rica: a ternura ingénua e sábia de tudo dos 18 anos.
Fizemos Amigos como penso que dificilmente voltámos a ter.
Preparámos o nosso futuro em equipa, com poucas guerras e rivalidades (sem “Guerras de Alecrim e Manjeronas”)
Estudámos, copiámos e quase todos passámos….
Respeitámos e gozámos, conforme a nossa justa justiça, os nossos professores.
Organizámos festas e brincadeiras a que despretensiosamente chamámos o “Programa de Festas” e que era o melhor de sempre….era o nosso.
Orgulhosos, todos vestíamos o traje de gala, a nossa capa e o “smoking” (que tinha múltiplas funções) e nunca mais fomos tão diferentes e iguais.
Praticámos desportos e até futebol ….
Namorámos e dançámos e cantámos e amámos….livres e cada um à sua maneira.
Encostávamo-nos à balaustrada do Adro da Sé (frente à “Indiana”), na “montra” da “Caixa Geral” ou na esquina do “Golden” .Íamos ao “Cais”, ao “Sunny Bar”, ao Apolo, ao Lido…….para ver e para que fôssemos vistos ….
Viajámos de “horário”, de carro (com 20 escudos o depósito estava cheio) e até no “Carvalho de Araújo”.
Fomos à “Neve”, ao Seixal, ao Porto da Cruz…demos a volta à Ilha.
Matinés dançantes no Savoy , no Miramar e já saíamos na sexta/sábado à noite.
Reparem se não é uma etapa que fica para sempre no melhor da nossa memória!
E agora pensem nos milhões de nanossegundos (1Ano=3,16×1016) ) que temos pela frente e que o tal vermelho, que tem de se espalhar, o faça lentamente.
Aceita o universo
Como to deram os deuses.
Se os deuses te quisessem dar outro
Ter-to-iam dado.
Se há outras matérias e outros mundos
Haja.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa
Por tudo eles estão presentes!
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Lindo texto...
ResponderEliminarQuem escreve assim tão bem, deve contribuir mais vezes para este blogue...
Quero ainda dedicar umas simples palavras, a todos aqueles que tão cedo nos deixaram.
Neste reencontro do passado
Estarão presentes a nosso lado.
Partiram, mas não do coração e da memória,
A Amizade é a arma da vitória.
Um pouco de si, a nós souberam deixar
E, por tudo, a Saudade vai ficar!