Inquérito de rua:
O que é para si o 31 de Outubro de 1959?
Resposta de um jornalista da RTP convencido que sabe muito de Televisão
•Foi a data em que Televisão foi vista em África pela primeira vez.O Serviço de Televisão Nigéria,iniciou as suas transmissões comerciais em WNTV Ibadan.
Resposta de um oficial General da Força Aérea sempre atento às tecnologias da guerra
•Foi a data em que foram utilizados pela primeira vez os caças americanos ICBM capazes de transportar uma ogiva nuclear.
Resposta de politólogo sem grande capacidade de síntese
•Foi o dia em que Lee Harvey Oswald entrou na Embaixada dos Estados Unidos em Moscovo e disse ao oficial Richard E. Snyder que desejava renunciar à sua cidadania americana. Snyder aceitou o passaporte de Oswald e uma nota escrita, mas disse a Oswald que a papelada ainda teria de ser concluída. Oswald não concluiu o processo e voltou para os Estados Unidos em 1962.
Resposta de um crítico literário que gosta mais de se ouvir do que escrever
.Foi o dia em que nasceu o escritor Neal Stephenson também conhecido por: N. Stephenson, Stevenson Neal, Neal Stephanson, Neal Stephenson, Neil Stephenson, Neil Stephenson, Neal R. Stephenson, Neal Town Stephenson, Нийл Стивънсън autor de The Diamond Age e de Snow Crash. Este último aliás é quanto a mim o pior livro de Neal Stephenson.
Resposta de uma criança que tem sempre uma enciclopédia na cabeça
.31 de outubro é o dia 304 do ano (305 se o ano é bissexto) no Calendário gregoriano. Faltam 61 dias até o final do ano.
Este dia é conhecido internacionalmente como Halloween, Também conhecido como All Hallow's EveE, como Dia da Reforma.
Halloween (também escrito Hallowe'en) é uma festa anual comemorada a 31 de Outubro. Esta festa tem raízes no Celtic Festival de Samhain e Christian dia santo de All Saints.
O dia é frequentemente festejado com as cores preto e laranja e está fortemente associado com símbolos como o Jack-o'-lantern.
Já era assim em 1959.
O dia 31 nesse ano foi num sábado, disse-me o meu avô que festejou o Halloween na Madeira vestido de capa e "smoking".
Resposta de um Setimanista de 1959-1960
. O dia 31 de Outubro de 1959 foi num sábado. Foi o dia em que os Setimanistas 59-60 vestiram pela primeira vez as suas capas.
Vejam como o uso das capas era importante naquela época na cidade do Funchal.
Leiam o artigo saído no Jornal da Madeira que a Setimanista Luísa Spínola descobriu e fez chegar ao escriba deste blogue.
" A nossa cidade saiu, por assim dizer, da letargia que normalmente a envolve, com o evocar das capas negras, dos nossos estudantes, cuja mocidade radiosa e esfuziante alegria, vieram animar as nossas ruas normalmente solitárias e os nossos salões regra geral fechados.
E a alegria é tanta, o ruído é tamanho que faz despertar no coração dos mais velhos a saudade dos tempos que também carregaram sobre seus ombros essas capas, embora com elas, nesses mesmos ombros, pese também a responsabilidade dum fim de curso – que pela vida fora é sempre recordado com nostalgia….e marque o início de uma nova vida."
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
O Que Pensavam os Setimanistas 59-60
Continuando o nosso percurso pela "Página dos Estudantes" namos recordar o que pensava a Guida Pita da Silva há cinquenta anos.
Entrevista 5
Margarida Pita da Silva
-Vamos começar por aquilo que se pergunta geralmente no fim:
que recordações vincadas te deixam os sete anos de vida liceal?
-Nunca mais poderei esquecer a alegria sã e a franca camaradagem das Festas dos Setimanistas de que fiz parte e, além disso, a satisfação imensa que tenho tido durante este ano por ver premiados os meus esforços nos estudos.
-O curso de Germânicas, ao que parece o preferido das raparigas, é também o teu curso. Como justificas a tua escolha?
-Escolho, de facto, Germânicas por ter uma propensão para a língua inglesa.
-Os exames de sétimo ano revestem-se sempre de características especiais. Como
as encaras desde já?
-Encaro-os com optimismo, por ter confiança em mim própria, o que é um factor de máxima importância nos resultados dos exames.
-O nome de Goethe não te diz nada acerca dos caracteres étnicos do povo
alemão?
-Sim, porque Goethe foi o maior escritor alemão e descreveu a raça alemã, especialmente no campo sentimental.
-Segundo o teu parecer, que consideramos abalisado, haverá alguma relação entre
a liberdade e a obediência?
-Pois, certamente. A própria ideia de obediência pressupõe quebra de liberdade, pois quem obedece submete a sua própria vontade a um princípio superior ou à autoridade.
-Como gostarias que fossem os teus professores?
-Não me julgo com espírito crítico suficiente abalisado para analisar os meus professores comparativamente ao que fossem.
-O aspecto superior e independente de alguns setimanistas em relação aos colegas
de anos inferiores tem alguma explicação?
-A opinião é particular, mas penso que esse aspecto superior é motivado pelo exclusivo desejo de fazer vincar as suas opiniões, não olhando à razão quando este está do lado oposto.
Por vezes é, também a inconsciência da idade que provoca esses complexos. Alguns, até, alegam maior desenvolvimento intelectual, que nem sempre é proporcional ao ano que frequentam.
-As colunas da Página estão à tua disposição.
-Aproveito para fazer um apelo ao espírito de compreensão dos meus colegas, a fim de facilitarem a acção directiva daqueles que querem realizar alguma coisa que contribua para tornar inesquecível o sétimo ano 1959 -60.
-Muito obrigada e um curso brilhante. Correia de Jesus
Entrevista 5
Margarida Pita da Silva
-Vamos começar por aquilo que se pergunta geralmente no fim:
que recordações vincadas te deixam os sete anos de vida liceal?
-Nunca mais poderei esquecer a alegria sã e a franca camaradagem das Festas dos Setimanistas de que fiz parte e, além disso, a satisfação imensa que tenho tido durante este ano por ver premiados os meus esforços nos estudos.
-O curso de Germânicas, ao que parece o preferido das raparigas, é também o teu curso. Como justificas a tua escolha?
-Escolho, de facto, Germânicas por ter uma propensão para a língua inglesa.
-Os exames de sétimo ano revestem-se sempre de características especiais. Como
as encaras desde já?
-Encaro-os com optimismo, por ter confiança em mim própria, o que é um factor de máxima importância nos resultados dos exames.
-O nome de Goethe não te diz nada acerca dos caracteres étnicos do povo
alemão?
-Sim, porque Goethe foi o maior escritor alemão e descreveu a raça alemã, especialmente no campo sentimental.
-Segundo o teu parecer, que consideramos abalisado, haverá alguma relação entre
a liberdade e a obediência?
-Pois, certamente. A própria ideia de obediência pressupõe quebra de liberdade, pois quem obedece submete a sua própria vontade a um princípio superior ou à autoridade.
-Como gostarias que fossem os teus professores?
-Não me julgo com espírito crítico suficiente abalisado para analisar os meus professores comparativamente ao que fossem.
-O aspecto superior e independente de alguns setimanistas em relação aos colegas
de anos inferiores tem alguma explicação?
-A opinião é particular, mas penso que esse aspecto superior é motivado pelo exclusivo desejo de fazer vincar as suas opiniões, não olhando à razão quando este está do lado oposto.
Por vezes é, também a inconsciência da idade que provoca esses complexos. Alguns, até, alegam maior desenvolvimento intelectual, que nem sempre é proporcional ao ano que frequentam.
-As colunas da Página estão à tua disposição.
-Aproveito para fazer um apelo ao espírito de compreensão dos meus colegas, a fim de facilitarem a acção directiva daqueles que querem realizar alguma coisa que contribua para tornar inesquecível o sétimo ano 1959 -60.
-Muito obrigada e um curso brilhante. Correia de Jesus
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
O Que Pensavam os Setimanistas 59-60
A entrevista que hoje recordamos e que foi publicada há cinquenta anos na “Página dos Estudantes”, foi feita ao Mário Passos Freitas.
Deixem-me fazer uma inconfidência. Sempre associei o Mário à calma à ponderação e esta entrevista só o confirma.
Além disso, tem duas outras facetas que naquela época me provocavam alguma “inveja”. Era um bom desportista e um bom viajante.
Como viajante, recordo-me e estamos a falar de um tempo em que ainda não havia aeroporto na Madeira, que o Mário andou pela Europa, de comboio, sendo um verdadeiro precursor do “Inter-Rail”.
Como desportista, lembro-me que jogava e ainda joga, suponho eu, razoavelmente, ténis, um desporto não muito popular entre os madeirenses naquela altura.
Mas, para além disso, o Mário é um idealista. Vou fazer-lhe um desafio.
Gostaria que ele ilustrasse esta minha afirmação, deitando para trás a sua natural modéstia e contando-nos como me contou, estórias da sua “guerra” em África, onde em plena zona de combate em Angola (?) aproveitou para ensinar a ler e escrever a amigos e inimigos. Fico à espera dessas “Pequenas Memórias” do Mário.
Entrevista 4
Mário António Passos Freitas
- A Literatura e a Ciência, dois pilares sobre que assenta o mundo actual. Como procuras condicionar os teus progressos científicos com os indispensáveis conhecimentos literários?
Ciência e Literatura são complementos uma da outra. Na ciência sentimos a natureza, a vida. Aí, os de espírito prático encontram aquilo que desejam: a actividade constante, variada, imprevista. Sente-se que se faz alguma coisa.
Contudo, não posso desprezar a literatura, pois esta é um pouco de poesia sobre a ciência. É um meio de expressão de nós próprios.
- A telepatia é assunto que te preocupa. Não é verdade? Como encaras os progressos que os seus estudiosos têm conseguido?
Que me preocupe… vamos indo… Sou um “anjinho” no assunto e percebo tanto disso como tu. Acho-o contudo interessantíssimo, mas ao mesmo tempo estranho. Quanto aos progressos, está ainda nos alicerces.
- Ser um génio é um ideal de muitos homens. Alimentarás também tu esse ideal?
Seria óptimo sê-lo, mas com uma condição: que nem os outros nem eu déssemos por isso.
- Como explicar a necessidade que os nossos estudantes de Ciências têm de completar no estrangeiro a sua cultura?
A necessidade que sentem de progredir em campos que no seu país não se encontram suficientemente desenvolvidos. Por vezes, também é porque “o que é do vizinho é melhor do que aquilo que é nosso”.
- A chegada ao sétimo ano é um facto que não passa despercebido àqueles que a conseguem. Como a sentiste?
O chegar ao sétimo ano não despertou em mim nada de especial. A transição é demasiada lenta. Contudo, talvez, mais pela idade, começaram a surgir os problemas.
-Conheces muitos países. Com excepção do nosso, qual o que mais te impressionou?
Falar num país é falar na alma do seu povo… Já vi algo, mas “felizmente” muito mais me falta conhecer.
Respondo-te laconicamente: “respostas” precisas e concisas - o alemão.
- A Página é tua. Diz o que te aprouver no fim desta pequena entrevista.
Estou com pouca vontade de falar. Desculpa, deve ser do tempo.
Agradecido pela oportunidade que nos proporcionaste e faço votos para que o tempo melhore.
(1) Correia de Jesus
(1) Sucedeu ao Jaime Raposo como Director da "Página dos Estudantes"
Deixem-me fazer uma inconfidência. Sempre associei o Mário à calma à ponderação e esta entrevista só o confirma.
Além disso, tem duas outras facetas que naquela época me provocavam alguma “inveja”. Era um bom desportista e um bom viajante.
Como viajante, recordo-me e estamos a falar de um tempo em que ainda não havia aeroporto na Madeira, que o Mário andou pela Europa, de comboio, sendo um verdadeiro precursor do “Inter-Rail”.
Como desportista, lembro-me que jogava e ainda joga, suponho eu, razoavelmente, ténis, um desporto não muito popular entre os madeirenses naquela altura.
Mas, para além disso, o Mário é um idealista. Vou fazer-lhe um desafio.
Gostaria que ele ilustrasse esta minha afirmação, deitando para trás a sua natural modéstia e contando-nos como me contou, estórias da sua “guerra” em África, onde em plena zona de combate em Angola (?) aproveitou para ensinar a ler e escrever a amigos e inimigos. Fico à espera dessas “Pequenas Memórias” do Mário.
Entrevista 4
Mário António Passos Freitas
- A Literatura e a Ciência, dois pilares sobre que assenta o mundo actual. Como procuras condicionar os teus progressos científicos com os indispensáveis conhecimentos literários?
Ciência e Literatura são complementos uma da outra. Na ciência sentimos a natureza, a vida. Aí, os de espírito prático encontram aquilo que desejam: a actividade constante, variada, imprevista. Sente-se que se faz alguma coisa.
Contudo, não posso desprezar a literatura, pois esta é um pouco de poesia sobre a ciência. É um meio de expressão de nós próprios.
- A telepatia é assunto que te preocupa. Não é verdade? Como encaras os progressos que os seus estudiosos têm conseguido?
Que me preocupe… vamos indo… Sou um “anjinho” no assunto e percebo tanto disso como tu. Acho-o contudo interessantíssimo, mas ao mesmo tempo estranho. Quanto aos progressos, está ainda nos alicerces.
- Ser um génio é um ideal de muitos homens. Alimentarás também tu esse ideal?
Seria óptimo sê-lo, mas com uma condição: que nem os outros nem eu déssemos por isso.
- Como explicar a necessidade que os nossos estudantes de Ciências têm de completar no estrangeiro a sua cultura?
A necessidade que sentem de progredir em campos que no seu país não se encontram suficientemente desenvolvidos. Por vezes, também é porque “o que é do vizinho é melhor do que aquilo que é nosso”.
- A chegada ao sétimo ano é um facto que não passa despercebido àqueles que a conseguem. Como a sentiste?
O chegar ao sétimo ano não despertou em mim nada de especial. A transição é demasiada lenta. Contudo, talvez, mais pela idade, começaram a surgir os problemas.
-Conheces muitos países. Com excepção do nosso, qual o que mais te impressionou?
Falar num país é falar na alma do seu povo… Já vi algo, mas “felizmente” muito mais me falta conhecer.
Respondo-te laconicamente: “respostas” precisas e concisas - o alemão.
- A Página é tua. Diz o que te aprouver no fim desta pequena entrevista.
Estou com pouca vontade de falar. Desculpa, deve ser do tempo.
Agradecido pela oportunidade que nos proporcionaste e faço votos para que o tempo melhore.
(1) Correia de Jesus
(1) Sucedeu ao Jaime Raposo como Director da "Página dos Estudantes"
terça-feira, 20 de outubro de 2009
O Que Pensavam os Setimanistas 59-60
E O QUE PENSAM 50 ANOS DEPOIS
A entrevistada é a nossa Manuela Drumond.A entrevista de 2009 foi feita por mim.A Manuela sem o saber e sem suspeitar, respondeu às mesmas questões que lhe foram colocadas pela Página dos Estudantes há cinquenta anos.
Eis o resultado:
Entrevista 3- Manuela Drumond
- Que pensas da amizade entre nós?
Manuela Drumond em 1959:
-Penso que essa palavra é utilizada frequentemente no nosso vocabulário, mas que, infelizmente, o verdadeiro sentido da amizade anda ausente de muitos dos nossos colegas.
Manuela Drumond em 2009
-Acho que é óptimo existirem amizades assim. Não deve haver muitas mais do género.
- Como encaras a mulher na cultura?
M.D em 1959
-O espírito de observação, que na mulher pode ir até aos mais pequenos detalhes, destina-lhe um papel preponderante na investigação e na cultura.
Como sabes, a mulher já atingiu pontos culminantes, quer na literatura, quer nas artes, na ciência, etc. e isso leva-me a afirmar que o seu esforço não deve ser relegado, mas aceite para que, em perfeito paralelismo com a actividade masculina, nos conduza a um mundo melhor.
M.D. em 2009
-A mulher na cultura tem, cada vez mais, um papel preponderante. A luta pela igualdade dos sexos veio trazer à luz mulheres incríveis em todos os campos profissionais (política, ciência, etc.).
- És de opinião de que a vida profissional é incompatível com a formação de um lar?
M.D. em 1959
-Não. Nos tempos actuais, e em face dos complexos problemas que a vida nos apresenta, a mulher tem muitas vezes necessidade de exercer a sua actividade fora de casa, embora, com isso, não tenha de descurar o conforto do lar e do cuidado que deve ter com os filhos, se os houver.
É certo que ela terá de desdobrar-se, mas para uma boa orientadora essa tarefa, embora difícil, não será de todo impossível.
M.D. em 2009
-Não, de maneira nenhuma. Com diálogo e boa vontade as duas coisas não são incompatíveis.
- Qual achas mais produtiva, a educação moderna ou a educação do tempo dos nossos avós?
M.D. em 1959
Estás a brincar comigo, não? Qual achas mais produtivo, ficar em casa a bordar e a tocar piano ou instruir-se e tirar um curso, ter um emprego?
A primeira talvez fosse mais agradável mas não para mim.
2009
- Qual achas mais produtiva, a educação moderna ou a educação do tempo da tua juventude?
É uma pergunta difícil. Na minha juventude não havia tantos "eruditos", mas a educação familiar, embora mais rígida, formava caracteres com responsabilidade. Hoje em dia acho que nem todos os pais zelam pela educação dos filhos, pois acabam por ser demasiado permissivos.
- Ao tomares uma decisão de responsabilidade que lema te orienta?
M.D. em 1959
-Não faças aos outros o que não queres que te façam.
M.D. em 2009
-Fazer o melhor que puder e estar de acordo com a minha consciência.
1959
- Pensa utilizares-te do teu curso, ou apenas cultivares-te?
Por agora as minhas aspirações resumem-se em terminar o sétimo.
Conto seguidamente ingressar na Universidade, mas sobre isso de tirar o curso e utilizá-lo ou não, não te posso dizer nada de concreto, porque há sempre imprevistos que surgem e … eu não adivinho o futuro, não achas?
Nota final: Agradeço à Manuela Drumond a colaboração. Peço-lhe desculpa por não a ter avisado e recordado que já lhe tinham sido colocadas estas questões em 1959 e que se referiam à entrevista da Manuela que foi publicada na Página dos Estudantes.
Seja como for julgo que as respostas foram dadas com mais naturalidade.
A entrevistada é a nossa Manuela Drumond.A entrevista de 2009 foi feita por mim.A Manuela sem o saber e sem suspeitar, respondeu às mesmas questões que lhe foram colocadas pela Página dos Estudantes há cinquenta anos.
Eis o resultado:
Entrevista 3- Manuela Drumond
- Que pensas da amizade entre nós?
Manuela Drumond em 1959:
-Penso que essa palavra é utilizada frequentemente no nosso vocabulário, mas que, infelizmente, o verdadeiro sentido da amizade anda ausente de muitos dos nossos colegas.
Manuela Drumond em 2009
-Acho que é óptimo existirem amizades assim. Não deve haver muitas mais do género.
- Como encaras a mulher na cultura?
M.D em 1959
-O espírito de observação, que na mulher pode ir até aos mais pequenos detalhes, destina-lhe um papel preponderante na investigação e na cultura.
Como sabes, a mulher já atingiu pontos culminantes, quer na literatura, quer nas artes, na ciência, etc. e isso leva-me a afirmar que o seu esforço não deve ser relegado, mas aceite para que, em perfeito paralelismo com a actividade masculina, nos conduza a um mundo melhor.
M.D. em 2009
-A mulher na cultura tem, cada vez mais, um papel preponderante. A luta pela igualdade dos sexos veio trazer à luz mulheres incríveis em todos os campos profissionais (política, ciência, etc.).
- És de opinião de que a vida profissional é incompatível com a formação de um lar?
M.D. em 1959
-Não. Nos tempos actuais, e em face dos complexos problemas que a vida nos apresenta, a mulher tem muitas vezes necessidade de exercer a sua actividade fora de casa, embora, com isso, não tenha de descurar o conforto do lar e do cuidado que deve ter com os filhos, se os houver.
É certo que ela terá de desdobrar-se, mas para uma boa orientadora essa tarefa, embora difícil, não será de todo impossível.
M.D. em 2009
-Não, de maneira nenhuma. Com diálogo e boa vontade as duas coisas não são incompatíveis.
- Qual achas mais produtiva, a educação moderna ou a educação do tempo dos nossos avós?
M.D. em 1959
Estás a brincar comigo, não? Qual achas mais produtivo, ficar em casa a bordar e a tocar piano ou instruir-se e tirar um curso, ter um emprego?
A primeira talvez fosse mais agradável mas não para mim.
2009
- Qual achas mais produtiva, a educação moderna ou a educação do tempo da tua juventude?
É uma pergunta difícil. Na minha juventude não havia tantos "eruditos", mas a educação familiar, embora mais rígida, formava caracteres com responsabilidade. Hoje em dia acho que nem todos os pais zelam pela educação dos filhos, pois acabam por ser demasiado permissivos.
- Ao tomares uma decisão de responsabilidade que lema te orienta?
M.D. em 1959
-Não faças aos outros o que não queres que te façam.
M.D. em 2009
-Fazer o melhor que puder e estar de acordo com a minha consciência.
1959
- Pensa utilizares-te do teu curso, ou apenas cultivares-te?
Por agora as minhas aspirações resumem-se em terminar o sétimo.
Conto seguidamente ingressar na Universidade, mas sobre isso de tirar o curso e utilizá-lo ou não, não te posso dizer nada de concreto, porque há sempre imprevistos que surgem e … eu não adivinho o futuro, não achas?
Nota final: Agradeço à Manuela Drumond a colaboração. Peço-lhe desculpa por não a ter avisado e recordado que já lhe tinham sido colocadas estas questões em 1959 e que se referiam à entrevista da Manuela que foi publicada na Página dos Estudantes.
Seja como for julgo que as respostas foram dadas com mais naturalidade.
sábado, 17 de outubro de 2009
O Que Pensavam os Setimanistas 59-60

Vamos recordar mais um amigo que nos deixou, através da entrevista dada há 50 anos à Página dos Estudantes
Entrevista 2 - João Carlos Sales Caldeira
- Que curso segues? Engenharia electrotécnica que estudarei no Técnico, em Lisboa.
- Como membro bastante activo da Comissão de Festas no 7º ano, qual das nossas realizações achaste mais difícil levar a efeito?
Agradeço, comovido, o “bastante activo”. Como membro da comissão fiz o que pude, mas sem dúvida que a Festa no Teatro, foi para nós das realizações mais trabalhosas e de maior responsabilidade.
- Como estudante de Ciências achas que o estudo das letras deve ser alheio à tua formação?
Para qualquer estudante de Ciências o estudo das letras é imprescindível na sua formação intelectual e moral.
- Qual a descoberta científica que na tua opinião teve mais interesse para a Humanidade?
É difícil dar uma opinião a esse respeito, mas talvez seja a radioactividade uma das coisas mais úteis.
-Qual deverá ser o lema de um homem de ciência?
Na minha opinião, há dois lemas:
a) Trabalho para os outros.
b) Trabalho para mim.
O primeiro é para aqueles que são realmente “homens de ciência”, que se dedicam ao estudo da ciência por amor à arte.
O segundo é frequente encontrar-se e respeita à maior parte. Eu mesmo tenho a impressão que o seguirei, questão de egoísmo, mas como é frequente encontrar-se, fico na regra e não na excepção.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
O Que Pensavam os Setimanistas 59-60
Há cinquenta anos ainda não havia Televisão na Madeira. Duas Rádios- Posto Emissor do Funchal e a Estação de S.Martinho- dois Jornais diários, o Diário de Notícias e o Jornal da Madeira, um Semanário(?) Humorístico o Renhanhau dominavam toda a comunicação social do arquipélago.
Em quase todos os meios de comunicação, os Setimanistas 59-60 marcavam presença.
No Jornal da Madeira, através do Jaime Raposo Costa que era o Director da Página dos Estudantes, na Estação de S. Martinho, através do Óscar Portela Ribeiro que nos deliciava com o seu programa dos Domingos de Manhã e no Posto Emissor do Funchal, através do Olim Marote que era o Director da Meia Hora do Estudante.
Enfim já sabíamos, apesar da Censura que dominar os meios de comunicação social era importante. Fomos realmente percursores nestas matérias.
A propósito, transcrevo em homenagem ao nossos dois saudosos amigos, Emanuel Alexandre e Jaime Raposo uma entrevista feita pelo Director da Página dos Estudantes ao Setimanista:
PÁGINA DOS ESTUDANTES
Direcção – Jaime Raposo Costa
Entrevistando os Setimanistas
Alexandre Jardim
- Que entendes por camaradagem?
Camaradagem é aquele sentimento que nos leva a sofrer e a gozar consoante aqueles com quem nós lidamos quotidianamente.
- Em tua opinião qual é o grande mal dos estudantes madeirenses?
A meu ver, nós, os estudantes madeirenses, cometemos aquilo que exactamente não devíamos cometer.
-Porquê?
Porque somos levados por aquele complexo de superioridade que bastante nos caracteriza.
- Preferes fazer-te compreender ou que os outros tentem compreender-te?
Prefiro fazer-me compreender.
- Já alguma vez te encontraste perante o “to be or not to be”?
Em certos casos em que a vontade impera, sim.
- Que pensas da “Página dos Estudantes”?
Acho que está formidável. Com a tua superior orientação nada mais podia esperar, contudo em minha opinião tem o pequeno defeito de não apresentar nenhum artigo científico.
- Estamos tentando manter uma secção científica, mas o espaço nem sempre o permite.
Como analisas o futuro em função do teu curso?
Por enquanto, prefiro não construir castelos no ar.
Em quase todos os meios de comunicação, os Setimanistas 59-60 marcavam presença.
No Jornal da Madeira, através do Jaime Raposo Costa que era o Director da Página dos Estudantes, na Estação de S. Martinho, através do Óscar Portela Ribeiro que nos deliciava com o seu programa dos Domingos de Manhã e no Posto Emissor do Funchal, através do Olim Marote que era o Director da Meia Hora do Estudante.
Enfim já sabíamos, apesar da Censura que dominar os meios de comunicação social era importante. Fomos realmente percursores nestas matérias.
A propósito, transcrevo em homenagem ao nossos dois saudosos amigos, Emanuel Alexandre e Jaime Raposo uma entrevista feita pelo Director da Página dos Estudantes ao Setimanista:
PÁGINA DOS ESTUDANTES
Direcção – Jaime Raposo Costa
Entrevistando os Setimanistas
Alexandre Jardim
- Que entendes por camaradagem?
Camaradagem é aquele sentimento que nos leva a sofrer e a gozar consoante aqueles com quem nós lidamos quotidianamente.
- Em tua opinião qual é o grande mal dos estudantes madeirenses?
A meu ver, nós, os estudantes madeirenses, cometemos aquilo que exactamente não devíamos cometer.
-Porquê?
Porque somos levados por aquele complexo de superioridade que bastante nos caracteriza.
- Preferes fazer-te compreender ou que os outros tentem compreender-te?
Prefiro fazer-me compreender.
- Já alguma vez te encontraste perante o “to be or not to be”?
Em certos casos em que a vontade impera, sim.
- Que pensas da “Página dos Estudantes”?
Acho que está formidável. Com a tua superior orientação nada mais podia esperar, contudo em minha opinião tem o pequeno defeito de não apresentar nenhum artigo científico.
- Estamos tentando manter uma secção científica, mas o espaço nem sempre o permite.
Como analisas o futuro em função do teu curso?
Por enquanto, prefiro não construir castelos no ar.
sábado, 10 de outubro de 2009
Começam a aparecer os bolos
Tal qual. Começam a aparecer os bolos, falta o Champagne. A Luísa Spínola com o seu sentido de antecipação (linguagem futebolística) resolveu oferecer-nos um Bolo para a nossa Festa.
É claro que é um bolo virtual e não dispensa nem substitui o bolo real que ela, Luísa, nos oferecerá quando estivermos na Madeira nas nossas comemorações.Aí sim acompanhado de um Don Pérignon, ou de um Veuve Clicquot que é talvez um pouco mais aromático e encorpado brindaremos.
Aqui vai o bolo e a respectiva receita da autoria da Luísa Spínola que propõe o Volare como música ambiente:
“Bolo 50 velas”
Ingredientes:
50 anos de memórias frescas;
estórias a recordar q.b.;
alegria e boa disposição q.b.;
raspas de descaramento;
1 pitada de “feijoadinha”;
colheres de Esperança;
dose de Amizade;
gotas de sorrisos.
Modo de fazer:
Parte-se as memórias frescas aos pedaços. Adiciona-se estórias da nossa vida académica com alegria e boa disposição. Bate-se muito bem até espalhar risos e gargalhadas.
Acrescenta-se raspas de descaramento, e 1 pitada de “feijoadinha”(!?) envolvendo tudo bem…
Rega-se com colheres bem cheias de Esperança (novos encontros), e cobre-se com 1 dose generosa de Amizade.
Por último, vai ao forno quente durante cerca de 3 horas. Se não ficar “encruado”, poderemos saboreá-lo ao ritmo de Volare - voar até 59/60 …
Serve-se decorado com gotas de sorrisos.
Bom Apetite! Luísa Spínola
Para recordar…
Pienso que un sueno parecido no volvera mas
Y me pintaba las manos y la cara de azul
Y me improviso el viento rapido me llevo
Y me hizo a volar en el cielo infinito
Volare, oh oh
Cantare, oh oh oh oh
Nel blu dipinto de blu
Felice de stare lassù
Y volando, volando feliz
Yo me encuentro mas alto
Mas alto que el sol
Y mientras que el mundo
Se aleja despacio de mi
Una musica dulce
Se ha tocada solo para mi
Volare, oh oh
Cantare, oh oh oh oh
Nel blu dipinto de blu
Felice de stare lassù
A música ofereço eu.Como já publiquei neste blogue o Volare na sua versão original aqui vai a versão do Dean Martin.
É claro que é um bolo virtual e não dispensa nem substitui o bolo real que ela, Luísa, nos oferecerá quando estivermos na Madeira nas nossas comemorações.Aí sim acompanhado de um Don Pérignon, ou de um Veuve Clicquot que é talvez um pouco mais aromático e encorpado brindaremos.
Aqui vai o bolo e a respectiva receita da autoria da Luísa Spínola que propõe o Volare como música ambiente:
“Bolo 50 velas”
Ingredientes:
50 anos de memórias frescas;
estórias a recordar q.b.;
alegria e boa disposição q.b.;
raspas de descaramento;
1 pitada de “feijoadinha”;
colheres de Esperança;
dose de Amizade;
gotas de sorrisos.
Modo de fazer:
Parte-se as memórias frescas aos pedaços. Adiciona-se estórias da nossa vida académica com alegria e boa disposição. Bate-se muito bem até espalhar risos e gargalhadas.
Acrescenta-se raspas de descaramento, e 1 pitada de “feijoadinha”(!?) envolvendo tudo bem…
Rega-se com colheres bem cheias de Esperança (novos encontros), e cobre-se com 1 dose generosa de Amizade.
Por último, vai ao forno quente durante cerca de 3 horas. Se não ficar “encruado”, poderemos saboreá-lo ao ritmo de Volare - voar até 59/60 …
Serve-se decorado com gotas de sorrisos.
Bom Apetite! Luísa Spínola
Para recordar…
Pienso que un sueno parecido no volvera mas
Y me pintaba las manos y la cara de azul
Y me improviso el viento rapido me llevo
Y me hizo a volar en el cielo infinito
Volare, oh oh
Cantare, oh oh oh oh
Nel blu dipinto de blu
Felice de stare lassù
Y volando, volando feliz
Yo me encuentro mas alto
Mas alto que el sol
Y mientras que el mundo
Se aleja despacio de mi
Una musica dulce
Se ha tocada solo para mi
Volare, oh oh
Cantare, oh oh oh oh
Nel blu dipinto de blu
Felice de stare lassù
A música ofereço eu.Como já publiquei neste blogue o Volare na sua versão original aqui vai a versão do Dean Martin.
A propósito ….
A propósito ….
Amigo Castro!
Eu também fiquei Encavacada, quando anunciaste o “fim” das “Pequenas Memórias”.
Ao sugerir-te a criação de um blogue, já lá vão 7 meses…, nasceu exactamente a 21 de Março, com a força da Primavera, não esperava que pudesse terminar assim de forma tão prematura!
Tem sido um sucesso, não em termos de colaboração, mas antes a nível de recordações, o que nos levou a reviver com saudade esse tempo inesquecível de 59/60. E tudo isto foi possível, graças aos teus talentos de “expert” em Informática e de escriba.
Em nome de todos, agradeço essa tua dedicação e empenho desde a primeira hora que abraçaste o projecto.
Neste momento, acho que não podemos esquecer todos aqueles ex-colegas ausentes, alguns no estrangeiro, e que por vários motivos não podem estar fisicamente presentes nos nossos festejos dos 50 Anos.
E é precisamente a pensar nestes nossos Amigos, que deveríamos dar continuidade, para que, pelo menos possam acompanhar-nos à distância. e “conviver” em espírito a esta grande Celebração de Amizade!
Luísa Spínola
Amigo Castro!
Eu também fiquei Encavacada, quando anunciaste o “fim” das “Pequenas Memórias”.
Ao sugerir-te a criação de um blogue, já lá vão 7 meses…, nasceu exactamente a 21 de Março, com a força da Primavera, não esperava que pudesse terminar assim de forma tão prematura!
Tem sido um sucesso, não em termos de colaboração, mas antes a nível de recordações, o que nos levou a reviver com saudade esse tempo inesquecível de 59/60. E tudo isto foi possível, graças aos teus talentos de “expert” em Informática e de escriba.
Em nome de todos, agradeço essa tua dedicação e empenho desde a primeira hora que abraçaste o projecto.
Neste momento, acho que não podemos esquecer todos aqueles ex-colegas ausentes, alguns no estrangeiro, e que por vários motivos não podem estar fisicamente presentes nos nossos festejos dos 50 Anos.
E é precisamente a pensar nestes nossos Amigos, que deveríamos dar continuidade, para que, pelo menos possam acompanhar-nos à distância. e “conviver” em espírito a esta grande Celebração de Amizade!
Luísa Spínola
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Estou EnCAVACADO
Estou EnCavacado com email aberto do meu amigo Vasco, apelando à continuidade do Blogue dos "Setimanistas59-60".
Estou EnCavacado por que o simpático mail do Vasco suscitou uma onda de solidariedade.
Estou EnCavacado por que agora fiquei convencido que (na próxima reencarnação) poderei muito bem ser Presidente da Republica de Portugal, pois além dos atributos que já possuo,(isto é sou português, nascido em Portugal, tenho mais de 35 anos)juntei agora mais um, sou capaz de escrever discursos que ninguém percebe.
Mesmo sem a ajuda dos "Gatos Fedorentos" esmiucei o que escrevi e em nenhum sítio vejo que o Blogue não continuaria activo. O meu único "pecado" foi dizer que passaria a escrever só excepcionalmente, mas que outros poderiam continuar a fazer.
Pronto, retiro o excepcionalmente e ponho com menos frequência, mantenho que outros podem escrever sempre e quando quiserem que eu publicarei.
Aqui vai a prova que o Blogue continua activo.
Estou EnCavacado por que o simpático mail do Vasco suscitou uma onda de solidariedade.
Estou EnCavacado por que agora fiquei convencido que (na próxima reencarnação) poderei muito bem ser Presidente da Republica de Portugal, pois além dos atributos que já possuo,(isto é sou português, nascido em Portugal, tenho mais de 35 anos)juntei agora mais um, sou capaz de escrever discursos que ninguém percebe.
Mesmo sem a ajuda dos "Gatos Fedorentos" esmiucei o que escrevi e em nenhum sítio vejo que o Blogue não continuaria activo. O meu único "pecado" foi dizer que passaria a escrever só excepcionalmente, mas que outros poderiam continuar a fazer.
Pronto, retiro o excepcionalmente e ponho com menos frequência, mantenho que outros podem escrever sempre e quando quiserem que eu publicarei.
Aqui vai a prova que o Blogue continua activo.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
E TUDO O PASSADO LEVOU…
Com 50 anos de idade, mas pleno de actualidade no contexto da nossa efeméride, aqui vai um texto do nosso saudoso amigo Jaime Raposo e que foi publicado na Página dos Estudantes do Jornal da Madeira
Entrámos meninos irrequietos, saímos jovens feitos… deixando atrás a esteira brilhante das ilusões de crianças.
Tudo foi passando e jaz esquecido no cemitério das recordações, ainda que a saudade desses outros tempos faça ressuscitar em nós o desejo de voltar ao passado.
Ainda são queridos os quadros da meninice…da retoiça, dos primeiros anos… Ainda brilha em nós a chama das últimas desilusões…
Mas tudo ficou no passado, tesouro pródigo de recordações, que nos mostram que o tempo também passou por nós.
E subindo lentamente os degraus desta vida, chegamos ao limiar de um novo pórtico.
A visão da larga escadaria, agora vencida, faz-nos chorar essa mocidade que o tempo tragou, na ânsia de vencer as ilusões.
E os nossos olhos já cansados derramam nas primeiras rugas a saudade. A saudade que traz a certeza de que o passado não volta e que nem sempre o soubemos aproveitar para nos construirmos.
Agora já é um pouco tarde… tentemos porém construir com a experiência o que a irreflexão da mocidade não permitiu levantar. Aos castelos de sonho sucedeu a certeza de que o futuro é difícil e que o passado nem sempre nos preparou.
Resta-nos contudo o poder sonhar com esses tempos em que fomos meninos, e que agora saudosos vemos reviver nos novos que olham o tempo com desdém e que ainda não conhecem a existência do futuro.
Nós somos uma geração que passa e leva gravada nos corações os sulcos da saudade que outros tempos abriram.
Jaime Raposo Costa
Entrámos meninos irrequietos, saímos jovens feitos… deixando atrás a esteira brilhante das ilusões de crianças.
Tudo foi passando e jaz esquecido no cemitério das recordações, ainda que a saudade desses outros tempos faça ressuscitar em nós o desejo de voltar ao passado.
Ainda são queridos os quadros da meninice…da retoiça, dos primeiros anos… Ainda brilha em nós a chama das últimas desilusões…
Mas tudo ficou no passado, tesouro pródigo de recordações, que nos mostram que o tempo também passou por nós.
E subindo lentamente os degraus desta vida, chegamos ao limiar de um novo pórtico.
A visão da larga escadaria, agora vencida, faz-nos chorar essa mocidade que o tempo tragou, na ânsia de vencer as ilusões.
E os nossos olhos já cansados derramam nas primeiras rugas a saudade. A saudade que traz a certeza de que o passado não volta e que nem sempre o soubemos aproveitar para nos construirmos.
Agora já é um pouco tarde… tentemos porém construir com a experiência o que a irreflexão da mocidade não permitiu levantar. Aos castelos de sonho sucedeu a certeza de que o futuro é difícil e que o passado nem sempre nos preparou.
Resta-nos contudo o poder sonhar com esses tempos em que fomos meninos, e que agora saudosos vemos reviver nos novos que olham o tempo com desdém e que ainda não conhecem a existência do futuro.
Nós somos uma geração que passa e leva gravada nos corações os sulcos da saudade que outros tempos abriram.
Jaime Raposo Costa
Subscrever:
Mensagens (Atom)