domingo, 6 de dezembro de 2009

Comemoração dos 50 Anos

“Avô infinito é grande? E duas vezes infinito é muito grande! E infinito menos infinito é zero!
E quando tivermos infinitos anos?”

Vasco, 5 anos





E a resposta é simples. Descobri agora passados dois anos e depois de viver em poucos dias cinquenta.
Há vivências que se diz que acontecem mas nada acontece por acontecer.
Uma celebração, um jantar até requintado e bem regado? E depois nada.
Então vamos descerrar um marco, uma placa com letras… A placa é bonita e direi mesmo diferente pois tem cor e vida.

Mas a diferença foi na chegada ao Liceu: ”Estás na mesma …e tu também …há quanto tempo….lembro-me deste…. Quem é aquele o nome???....fortes e sentidos abraços …comoção também….e as notas do período e as dos exames e a campainha soava à mesma.
Começa a concretizar-se o tema: a memória rica de passado e de afectos.
Mas havia algo diferente.
E naquele percurso que às 08h e 27m era tão comprido, num instante, passou a ser curto até à Igreja do Colégio. Diferente na sua forma e a cor interior convida a sentir imponência. Todos juntos a um lado. Talvez para o lado do Liceu? Não, foi para estarmos mais perto.
O Coro batia também diferente e o momento de todos voltarmos a estar juntos chegou. Saudade e medo mas serenidade também.

Mas havia algo diferente.


Fomos à fotografia nada se repetia. Nada? O espaço e o tempo estavam perdidos, nós não!
Tudo estava previsto em pormenores que tocavam a qualquer menos atento ao detalhe.
O local, na Quinta Vigia de memórias vigiadas pela mãe no passeio de ir ver os pavões e o mar.
O jantar com o tal requinte e até qualidade. A gravata com fato de antigamente ir à missa e agora ir a qualquer cerimónia mais especial.
De repente um vórtice de tempo empurra a memória e dançar a Petite Fleur ou Marina era fazer luz no passado.
E o dia de todas as emoções estava vivido.
Continuava a concretizar-se o tema: a memória rica de passado e de afectos.


Mas havia algo diferente.


Almoço no Santo da Serra e uns minutos depois entra a Banda e estávamos num colégio infantil onde todos se deliciavam com a brejeirice apetecida das letras das músicas e a banda que nos via a todos, mas todos, passar.
Continuava a concretizar-se o tema: a memória rica de passado e de afectos.
Mas havia algo diferente.
E o momento da exposição acontecia numa viagem guiada no tempo. As emoções cresceram.
Embora nos procurássemos, identificávamos os outros: Olha o…olha ela …estás aqui…não me encontro…mas estava. E os temas de forma organizada passavam e tivemos tempo para parar o tempo.
E as fotos dos miúdos, todos lindos, como as de há cinquenta anos, eram comparadas com as de agora modeladas com mais cinquenta anos.Pareceu-me sempre o projecto mais ambicioso e difícil de realizar. Mas foi quanto a mim o mais conseguido. Desde o Tema “ Tempo de Memórias e Afectos” à forma como foi concebida a sua concretização…e os afectos explodiam…….
Uma saudação ao trabalho da Ângela, da Luísa, do Pimenta do Vasconcelos e do Castro.


Mas havia algo diferente.


Depois “regressámos” ao Teatro. Entrar e olhar à volta e recordar. A sensibilidade de incluir o concerto no programa era a mesma que tinha construído o programa de 59/60.
Mas havia algo diferente
O fim das comemorações aproximava-se. No dia seguinte éramos recebidos pela “fada madrinha” que sempre nos acompanhava com o tal requinte que fez a diferença.
Começámos a falar nos próximos eventos…talvez um cruzeiro para celebrar um ano da festa dos cinquenta. Quem sabe?
Por fim percebi a diferença.
Somos diferentes porque na miríade de sermos fomos nós, estas mesmas pessoas e não outras os Setimanistas 59/60 .
E aconteceu que na fusão de sensibilidades e pensamentos, educação e afectos, respeito e irreverência e amor e saudade se gerou um grupo que os outros dizem que é diferente que “são os melhores”.
E pensando no futuro como gostaria de poder explicar ao meu neto que a diferença será que ele estará no infinito e eu apenas terei chegado sessenta anos antes.


Vasco

2 comentários:

  1. Epa, o Vasco tem talento para a escrita!!Infinito! ;D Tudo se passou como ele narra. Posso dizer, porque lá estive, que ele transmite aqui muito bem o espírito do momento. De todos os momentos vividos e revividos por este grupo, o tal grupo melhor que todos os outros.
    Infinitos abraços e uma amizade até ao infinito,
    do Nuno e do ' Apêndice' dele.

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  2. Nada acontece por acaso!
    Vocês são os melhores!
    Os amigos de verdade são aqueles que dançam com você nos momentos de felicidade e que caminham ao seu lado quando tudo escurece.
    Nós não fazemos amigos ,nós os reconhecemos.
    Amigo Vasco, o que acabei de ler é lindo. Mas só quem viveu este fim de semana pode entender-te.Um beijo vivinha

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