segunda-feira, 1 de junho de 2009

Isto é uma espécie de HISTÓRIA aos QUADRADINHOS (6)



Cena IV
(Entram Dona Nize e Dom Fuas)
Dona Nize: Fagundes, encaminha a Dom Fuas, que meu tio está acordado

Semicúpio: (Dentro) Não ouvem? Pois lá vai a porta pela porta fora. (Entra Semicúpio com uma quarta às costas, e ao mesmo tempo sai Dom Lancerote em fralda de camisa, e Dom Tibúrcio embrulhado em um lençol, com uma candeia de garavato na mão).

Semicúpio: Fogo!fogo!

Dom Lancerote: Dizes bem; Clóris, acendeste algum Alecrim?

Dona Clóris: Eu, senhor, não... foi... porque sempre...

Dom Lancerote: Cala-te, que eu porei o Alecrim com dono; há mais mofino homem! Lá vai o suor de tantos anos.

Semicúpio: Ai com tanto ai! Senhores, aonde é o fogo?

Dom Lancerote: Vejam, vossas mercês, bem por essas casas aonde será.

Semicúpio: Entremos, senhores, antes que se ateie o incêndio.

Dom Gilvaz e Dom Fuas: Vamos.

Dom Fuas: Já se apagou, Deus louvado.

Dom Lancerote: Aonde foi? (O fogo)

Semicúpio: Foi no almofariz, que estava ao pé da isca.

Sevadilha: Pois eu não fui que a petisquei.

Cantam Dom Lancerote, Sevadilha, Semicúpio, Dona Clóris e Dona Nize a seguinte:
Dom Lancerote:
Tu, moça, tu tonta

Sentido no fogo,

Senão tu verás.

Sevadilha:

Debalde é o seu rogo,

Que fogo sem fumo

Não é bom sinal.

Semicúpio:

Que linda pilhage,

Que fogo selvage,

Que lambe voraz!

Dona Clóris:

Não sente quem ama.

Dona Nize:

Não temo esta chama.

Ambas:

Que é fogo de amor.

Dom Lancerote:

Cuidado no fogo.

Sevadilha:

Debalde é o seu rogo.

Dom Lancerote e Sevadilha:

Que fogo sem fumo

Não é bom sinal.

Dom Lancerote:

Sentido, cuidado.

Semicúpio:

Que fogo selvage.

Todos exceto Dom Lancerote:

Que é fogo de amor.

Todos:

Cuidado, pois, cuidado,

Que algum furor vendado

Fulmina tanto ardor.

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