
Cena IV
(Entram Dona Nize e Dom Fuas)
Dona Nize: Fagundes, encaminha a Dom Fuas, que meu tio está acordado
Semicúpio: (Dentro) Não ouvem? Pois lá vai a porta pela porta fora. (Entra Semicúpio com uma quarta às costas, e ao mesmo tempo sai Dom Lancerote em fralda de camisa, e Dom Tibúrcio embrulhado em um lençol, com uma candeia de garavato na mão).
Semicúpio: Fogo!fogo!
Dom Lancerote: Dizes bem; Clóris, acendeste algum Alecrim?
Dona Clóris: Eu, senhor, não... foi... porque sempre...
Dom Lancerote: Cala-te, que eu porei o Alecrim com dono; há mais mofino homem! Lá vai o suor de tantos anos.
Semicúpio: Ai com tanto ai! Senhores, aonde é o fogo?
Dom Lancerote: Vejam, vossas mercês, bem por essas casas aonde será.
Semicúpio: Entremos, senhores, antes que se ateie o incêndio.
Dom Gilvaz e Dom Fuas: Vamos.
Dom Fuas: Já se apagou, Deus louvado.
Dom Lancerote: Aonde foi? (O fogo)
Semicúpio: Foi no almofariz, que estava ao pé da isca.
Sevadilha: Pois eu não fui que a petisquei.

Cantam Dom Lancerote, Sevadilha, Semicúpio, Dona Clóris e Dona Nize a seguinte:
Dom Lancerote:
Tu, moça, tu tonta
Sentido no fogo,
Senão tu verás.
Sevadilha:
Debalde é o seu rogo,
Que fogo sem fumo
Não é bom sinal.
Semicúpio:
Que linda pilhage,
Que fogo selvage,
Que lambe voraz!
Dona Clóris:
Não sente quem ama.
Dona Nize:
Não temo esta chama.
Ambas:
Que é fogo de amor.
Dom Lancerote:
Cuidado no fogo.
Sevadilha:
Debalde é o seu rogo.
Dom Lancerote e Sevadilha:
Que fogo sem fumo
Não é bom sinal.
Dom Lancerote:
Sentido, cuidado.
Semicúpio:
Que fogo selvage.
Todos exceto Dom Lancerote:
Que é fogo de amor.
Todos:
Cuidado, pois, cuidado,
Que algum furor vendado
Fulmina tanto ardor.
Sem comentários:
Enviar um comentário