sábado, 18 de junho de 2011

Jantámos no Trigo Latino



Pois é. Lá fomos jantar ao Trigo Latino, restaurante situado no Largo do Terreiro do Trigo que fica situado na confluência das freguesias de Santo Estêvão, S. Miguel e Sé. O nome do largo deriva do edifício do Terreiro do Trigo que no século XVIII era o celeiro destinado ao abastecimento em cereais dos moradores de Lisboa.
Desta feita a organização do jantar coube ao Silvino que teve o arrojo de nos levar a um restaurante com uma proposta de cozinha cheia opções e combinações com qualificado trabalho culinário e que foge da cozinha clássica.
Como felizmente os nossos “Setimanistas”não são todos iguais, houve uns que, mesmo antes de provar gostaram, outros que começaram por desconfiar da ementa proposta (ou imposta) na ardósia fixada na parede mas que acabaram por tecer loas ao repasto e alguns (uma minoria) que não se renderam nem à simpatia nem ao trabalho laborioso do jovem “Chef” Bruno Modesto Correia que nos veio cumprimentar à mesa.
Como faltaram os fotógrafos habituais e oficiais dos nossos jantares (Orlando ou Vasco), resta-me publicar umas fotos do Restaurante e aguardar cheio de apetite o próximo encontro que só se realizará em Setembro.




Até lá boas férias (?)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Santiago de Compostela e Ria Arousa






Texto e fotos de Vasco Lemos Vieira

Continuamos a nossa Peregrinação. Caminhamos por gosto e temos fé. Envolve-nos uma conspiração de que começa a ser altura de pensarmos no próximo encontro. E é como dizia o amigo Augusto “Agora preciso da Dona Marta”
Há muito que nos une, nos ligou pedra a pedra, lugar a lugar, praça a praça, de belo em belo, mas muito pessoa a pessoa. Arrancamos ao tempo o que fomos e projectamos num percurso de Luz o nosso Universo. Uma das estrelas da nossa constelação está a microsegundos luz, é Liceu.
“Obradoiro”, pórtico da glória e Parador Real. Mas estas Torres esguias penetram e fogem-nos e, com musgo e flores singelas, levam-nos ao alto, ao tal infinito e como são duas, são duas vezes mais.


Já pensei o mesmo ao olhar a torre da nossa Sé que nos marca o tempo há já algum tempo.
Temos só uma torre mas temos mais Mar….
Não serão as mais bonitas mas são as mais infinitamente esbeltas.
Ninguém vai esquecer a balaustrada sobre a praça ou o chá no Parador, olhando no templo o Tempo.


E a Ria Arousa seria a última paragem.




Daqui levamos o azul, azul do Mar que contagiava e a alegria que navegava connosco. Brindes e festa.

Agora, ria a ria, rumo



ao Porto que sentido desta vez não era o começo mas apenas o principio de um projecto de novo passeio.
Obrigado amigos pela vossa companhia!

sábado, 11 de junho de 2011

León, Astorga e Lugo









Texto e fotos de Vasco Lemos Vieira

Começámos a descer e o céu a escurecer. Era como que a marcar a sorte de termos tido bom tempo. Os Picos mostravam como muitas vezes temos de aproveitar as oportunidades que na vida fazemos acontecer. Os trovões ouviram-se talvez a saudar a nossa chegada a Oviedo. Bonita e discreta, faz parte do caminho para Santiago.
Do Reino de Castela e Leão ao “Reino do Corte Inglês”, assim se cruza a história e na verdade tudo tem o seu lugar e nem só de fotos são os “recuerdos”.
León pronta a se deixar ver. Amanhã a chuva passa.
Por hoje caminhamos para a Plaza Mayor, pequena e como todas bonita.
Mas na memória ficará aquela praia, aqueles picos, os riachos … e enquanto recordávamos, fomos ao jantar.
Santa Maria a catedral. Tudo esmagava de Luz que saía da pedra e entrava multicor pelos vitrais.




Vale a pena recordar o que é demasiadamente belo para esquecer:
“El Sueño de la Lu
z”.
Ficar ali sem saber se pensar, se sonhar ou se só olhar e deixar-se estar.
Entre os vitrais trocavam-se olhares esmagados de belo.

( http://www.catedraldeleon.org/proyectocultural/ )

Lindo lugar para começar a celebrar os anos. A Teresa

era a festejada e penso que estar ali era especial para todos e ainda mais para ela.


Sentei-me e olhei e vi e já tinha visto e gostarei de ver outra vez.
O conjunto de frescos do sec XI na Basílica resistem ao tempo.
Desconhecia Astorga mas agora reconheço-a na profusão de figuras que se atropelam na impressionante fachada da sua Catedral. Cada torre com pedra de cor diferente e em contraste, com tudo arrumadinho da casa de Gaudi.
É tempo de continuar que logo Lugo espera.
E foi alegria e foi festa .Cantámos p´ra menina Teresa “uma salva de palmas”.Libertos como crianças e com “crianza”
se cantou e dançou e os “gallegos” e eu também.


Agora, a caminho de Santiago sentia-se próximo o fim da jornada.
Por mim continuarei. É bom viajar mas o melhor é gostar tanto.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Santillana del Mar, La Franca e Picos da Europa













Texto e fotos de Vasco Lemos Vieira

Enquanto na retina ficavam a harmonia das curvas penso que o Cão abanou o rabo e latiu uma despedida.
Santander passou rápido e fomos ver o Mar. Cada um vê o Mar como quer e por isso é tão bonito olhar o Mar e ver!





Agora tínhamos um passeio no tempo, em Santillana del Mar. A vila medieval parecia um conto recuperado atraindo-nos rua a rua, com tudo arrumado e pronto a agradar a quem passava. Sentia-se que tudo aquilo tinha sido preparado, com arte e bom gosto, para que os visitantes voltassem. A caminho da Collegiata
em cada canto se enfrentava o desejo de fotografar, gravar e levar. Flores, madeiras, brasões, varandas, ferragens e mais …
A madeira nobre e rija apoia-se na pedra e cria varandas e suporta os telhados. Casas brasonadas são agora hotéis de encanto e as lojas estão discretamente escondidas.
E perto ficavam as Grutas de Altamira com a eternidade das suas pinturas rupestres que guardam e escondem. Mais uma etapa e outra jóia, mas a surpresa vinha a caminho.
La Franca, uma Praia reservada para nós. Não sei se exagero mas nunca imaginei, na Costa da Cantábria, uma praia com tanto de praia e com tantos atractivos. Uma enseada ladeada de pinheiros bravos que seguiam Mar dentro. Lá fora a bravura das ondas que se entregavam contra os ilhéus em espuma e ruído continuado de Mar que chegava de mansinho ao areal.
A areia é macia e rosa e todos fomos tentar ter de perto o Mar.
Dos 2600 metros dos Picos da Europa vinha um Rio.
O hotel foi encaixado na Praia e apetecia parar e ficar a ouvir a teimosia do Mar.
“Jovens jubilados” apanhavam conchas e pedras e sonhos.
Estava um tempo enublado. Será que amanhã vemos os Picos.
E numa manhã radiosa voltámos à Praia e ouvimos de novo o Mar e contra o Rio caminhamos à serra.
O trajecto é de montanha, lindo imponente e sério, num desfiladeiro que um glaciar cavou e se abriu para o tal Rio transparente passar. Que levava o Rio?
Todos os rios levam o que quisermos. Estranhamente este subia e nós descíamos. Na Montanha, quase sempre, quando subimos depois descemos para subir.
O cenário era verde e tinha ao longe neve, depois dos lagos.
Entre o verde e a neve a pedra ameaçava rolar, entre os Picos e nós céu e do outro lado estava o Mar e era Azul.
Mais numa vez apetecia ficar!
Por todo o passeio havia magnólias que ficaram.



"Já lá estou antes de chegar e ainda ficarei depois de ter partido”(Diderot)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Rumo ao Norte, por Terras de Espanha

Texto e fotos de Vasco Lemos Vieira













3 - Bilbau
A expectativa de chegar e ver e voltar a gostar nem sempre acontece.
Mas aqui o deslumbramento é certo. Talvez o carinho do enorme cãozinho de flores que nos recebe mas sobretudo também o contraste desta “catedral” entre as outras que já nos levaram a ver tanto belo.
A fusão das formas que trazem ondas de curvas que se interpenetram mansamente e se encontram sem impacto como se tudo se ajustasse a tudo. A cor ondula e tem frequências de tons macios e suaves. Tudo é curvo ou se curva e levanta e mergulha. Belo suavemente suave e macio.
A presunção daquela torre direita, sem nada e que se desfaz perante a beleza da dança das formas.
Por hoje vemos por fora e a surpresa das fugas do interior fica para amanhã depois da continuação da Festa.
A Festa é que continua e fomos todos convidados pela Vivinha para no “Casco Viejo” brindar outra vez. Brindar sempre e cantar os parabéns.
Obrigado meus amigos
Do fundo do coração
Por me terem cantado
Esta linda canção

Depois regressamos ao Hotel e muitos baralhavam o nº do quarto de hoje com o de ontem…e imaginem, de manhã o “comedor” durante a noite tinha mudado!
Logo de manhã o Guggenheim de Bilbao espera com a sua mascote e fomos ver como, agora por dentro, a harmonia da guerra das formas continua.
Por mim continuei a achar deslumbrante e vi que vimos.
Agora vamos ver o Mar que já nos falta.
Continua Azul….

"Já lá estou antes de chegar e ainda ficarei depois de ter partido”(Diderot)

domingo, 5 de junho de 2011

….e a viagem continua















Crónica e fotos de Vasco Lemos Vieira

2- Burgos e San Sebastian – Donóstia
E fomos ao caminho com as malas cheias, sempre com coisas a mais.
Em cada esquina uma nova toilette, eles e elas, mudando de cores e conjugando tons com requinte e bom gosto.
Mas a beleza que os sorrisos sublinhavam era evidente. Será das minhas visões mas estas miúdas foram sempre do mais bonito que me lembro. Refiro às ilhéus claro…
É difícil esquecer a atracção de Salamanca e partir, mas há quase a certeza que vamos continuar a gostar e que a beleza não nos larga. A beleza e a vaidade agora assumida e que prendia nos tempos do Liceu.
Olhando a paisagem sentíamos que íamos para Norte e que há sempre um norte.
Burgos parece ser só a magnífica Catedral
Sempre me interroguei porque o Homem se virava ao céu com tanto fausto, procurando ir mais longe e estar perto, mas a beleza e a serenidade que transforma uma tosca pedra num pináculo lançado em mensagem significa sempre o mesmo, querer ir mais alto, levitar e meditar.
Aqui a Catedral é estonteantemente branca, limpa e aponta sempre mais alto.
Houve quem visse um grande lustre em levitação transensorial…
É bom entrar e sentir-se dominado pelo grande. E tudo é obra de homem à custa de homem e virado a Deus que devolve em solenidade e Paz.
Ah, mas e o tempo…era preciso continuar.
Há algum mistério no País Basco. Mistério clandestino que nos dá certa cumplicidade.
A concha de San Sebastian – Donóstia desta vez não era só um
ponto de passagem no regresso da mais rica Europa.
Vínhamos para ficar e ver, a baía e, com surpresa, uma linda e esbelta cidade.
Virados ao Norte, o Pôr-do-Sol fugia à esquerda mas era, é sempre, lindo ver o Sol guardar-se para voltar amanhã.
Ainda hoje não sei distinguir “raciones” de “porciones”e ”clara” de “canhã”, pois deixei isso aos sabedores e sobrava sempre para todos.
Hotel agradável, como quase todos, que com maior ou menor dificuldade nos guardava as malas com manobra que o amigo Augusto ajudava.
Preparava-se a festa para celebrar o aniversário. E houve esboço de reza a Iemanjá, e brindes e bolo de flores e areia. Diferente. A Vivinha gostou e fica para recordar as brincadeiras dos miúdos, fora de horas, junto ao Mar.
Quem disse que não tínhamos guia? Para onde “fugia” a Marta
Íamos todos.
E assim fomos e vimos os búzios e o Mar e passeámos por entre pacíficos tubarões.
Eu ouvi o grito “Avô,avô uma baleeeeia…”
Mais uma partida para outra catedral, esta guardada pela sua mascote, um cãozinho grande, muito grande e de pelo que são flores.


"Já lá estou antes de chegar e ainda ficarei depois de ter partido”(Diderot)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Por Terras de Espanha (fotos)











Por Terras de Espanha

O facto do blogue estar a hibernar não significa que os “Setimanistas” o imitem.
Entretanto, os Cubanos realizaram mais um animado e divertido jantar que serviu também para preparar a viagem ao Norte de Espanha.
O Cronista-Mor, dos “Setimanistas 59-60” que, ao contrário de Fernão Lopes, não se limita à nudez da verdade, mas cobre essa nudez com a formosura das palavras, encarregar-se-á de relatar, nesta e noutras crónicas que se seguirão de contar a bem sucedida viagem.
Deixemos pois a palavra, a escrita e as fotos para o nosso Cronista-Mor
Vasco Lemos Vieira:


Grupo de Setimanistas
59/60
Somos todos uns artistas
E já ninguém nos aguenta

A cantar e a dançar
E vendo a banda passar
Jurámos por companheira
Esta linda brincadeira

Em cada um, um Amigo
Em cada um Lealdade
59/60
Grupo de Fraternidade

A caminho de SanTiago
P’ra orar e a cantar
Vamos todos felizes
A festa continuar

(com a música da Grândola…Morena)

Rumo ao Norte, por Terras de Espanha

“ quando o viajar se convierte en placer”


1-Salamanca





Não sei explicar mas à partida sente-se que tudo vai correr bem.
Mais, sente-se que nos aproxima um regresso à emoção da partida para uma excursão “à neve”. Tudo volta a acontecer na escolha dos lugares, nos sorrisos e na alegria de sair, partir e descobrir.
E sem saber bem a propósito de quê e porquê relembramos alguns professores desse tempo e que nos guardavam (?) durante a viagem. E são quase sempre os mesmos os que nos marcaram, por bem e por mal. O Camachinho e a Margarida Morna estão sempre presentes. Serão um símbolo que com outros recordamos.
Partimos Serra acima. O “horário” era uma confortável carrinha de 20 lugares e ao “comando” o sr. Augusto prometia ser simpático como foi.
E as conversas e as cerejas apareciam.
Uma paragem “técnica” e o amigo Augusto queria ajudar os cabelos brancos que querem continuar sem ajuda.
Passámos sem Guarda e logo alguém exibiu o “portinhol”.
Antes das pedras rosadas e bordadas de Salamanca a estrada deixava para trás as giestas em flor. Tudo era apreciado e um pequeno campo de papoilas que contrastava o amarelo era notado.
Uns já viram e como que queriam fazer de cicerones, outros aguardavam.
As belezas da pedra arrumada e talhada ao Céu em majestade começava. Seria assim por quase todo o percurso.
Salamanca por entre História descobria-se e ninguém pode esquecer o entardecer nas fachadas e arcos da sua “ Plaza Mayor”. As conchas e os pátios ficavam para uma próxima vez.
O tempo vai sempre perseguindo o desejo de parar para olhar e ver.
Tempo que nos falta e queremos ter tempo para ter tempo
e, assim guardamos o tempo que não nos guarda a nós.
Mas aqui o tempo é maior, tem “tiempo”.


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